Sem mapas para enfrentar o curto prazo e o futuro

Cristovam Buarque
O Tempo

As nações precisam de dois mapas de voo: para enfrentar as dificuldades de curto prazo e para orientar os rumos históricos em direção ao futuro. Nós estamos sem qualquer desses dois mapas e com os pilotos sem credibilidade pelos equívocos na condução da economia e pelas falsas promessas na campanha, além de incompetência na formulação dos ajustes necessários para corrigir os próprios erros.

No período de poucas horas, a presidente Dilma determinou e voltou atrás no adiamento de parte do 13º salário dos aposentados, lançou e recuou na recriação da CPMF, anunciou a redução de dez ministérios, e não disse quais; e, sobretudo, enviou ao Congresso, pela primeira vez na história, uma proposta orçamentária com déficit primário de R$ 31,5 bilhões, R$ 367 bilhões se contarmos os compromissos com juros para 2016. A impressão é de improvisações e indecisões constantes. Faltam um comando político e um coordenador técnico.

As notícias desses últimos meses mostram o governo quebrado e desorientado. O ministro da Fazenda passa a ideia de que não sabe o que deve ser feito, e a presidente da República, de que não sabe o que quer que seja feito. E a população e os parlamentares não parecem dispostos a pagar o preço pelo enfrentamento dos problemas imediatos e muito menos pela construção de um país eficiente, justo, sustentável, saudável.

SEM DIREÇÃO

A sensação é a de que, sob os olhares passivos da população e suas lideranças, o governo conduziu o Brasil para a recessão e a quebra das finanças públicas, sem definir os rumos para o futuro desejado. Parecemos ter optado pelo caminhar sem direção, sem mapa, sem escolher os caminhos, apenas levando os problemas com pequenos arranjos e ajustes improvisados.

Há décadas agimos sem projeto de longo prazo, pensando apenas nos benefícios para cada um ou cada grupo, no imediato. Preferimos consumir logo, mesmo sacrificando a poupança para o futuro; optamos por aposentadorias ainda jovens, mesmo ao risco de não haver dinheiro para pagá-las quando chegarmos à velhice; aceitamos ser o celeiro de alimentos do mundo, sem cuidar de sermos uma economia produtora de bens de alta tecnologia.

BAIXA RENDA

Por isso, apesar de todos os nossos imensos recursos, chegamos ao 193º aniversário de nossa Independência como um país de baixa renda per capita, campeões de concentração de renda e desigualdades social e regional, um país pobre especialmente na educação, na ciência e na tecnologia; despreparados politicamente para construirmos o Brasil que queremos, ou mesmo para definirmos o rumo do que queremos no longo prazo da história futura de nossa nação.

Se fosse uma empresa, o Brasil teria de pedir concordata: substituir diretores, vender patrimônio, renegociar dívidas, reduzir salários, demitir trabalhadores, parar todos os investimentos. Como ele não é empresa, a Constituição impede de tomar quase todas essas medidas, deixando o país quebrado e sem mapa.

5 thoughts on “Sem mapas para enfrentar o curto prazo e o futuro

  1. O PMDB será o responsável pelo fracasso no condução do governo Dilma Rousseff, visto que, o partido virou mercenário para dar continuidade a este desgoverno, quando o governo chamou Renan Calheiros e Eduardo Cunha, tiveram êxito e conseguiram manter os vetos presidenciais, isto demonstra interesses escusos, promessas de ministérios, cargos públicos, etc…, toda decepção irá arrastar este partido ao fundo do poço, o futuro dirá…

  2. Como governador de Brasília, Cristovam foi um fracasso. Como ministro da Educação, acabou demitido por telefone pelo Lula. Agora, é senador. Não leio nem ouço o que vem dele.

    • Ser demitido pelo telefone pelo presidente Lula é, no mínimo, uma excelente recomendação em comparação aos políticos que estamos vendo por aí.

  3. Me admiro que um Político veterano como o Senador CRISTOVAM BUARQUE ( PDT-DF ), se queixe de que nosso país não tenha um Mapa de Voo de Longo prazo, ( para orientar os Rumos Históricos em direção ao Futuro, exemplo da China, que quer dobrar a Renda per-Capita até 2020), e um de Curto Prazo para enfrentar os problemas do dia a dia.
    Planos temos, desde o famoso Plano SALTE ( Saúde – Alimentação – Transportes e Energia ) do Presidente DUTRA (1946-1950), até hoje já se fizeram mais de 100 planos, e mais 2 ( Longo e Curto Prazo), seria facílimo de fazer.
    O problema são as Eleições Presidenciais a cada 4 anos, num Regime de Presidência de Coalizão e 2º Turno, que é quando a coisa fica como o Diabo gosta, então a cada Eleição se esquece tudo e se faz o verdadeiro Plano: O QUE FAZER PARA GANHAR A ELEIÇÃO. Depois da Eleição é “arrumar um pouca o a casa” reduzindo um pouco a Despesa Pública e aumentando a Carga Tributária. Abrs.

  4. Enquanto isso, o Jornal da Cidade noticia que a decisão do STF que permitiu a Senadora Gleisi Hoffimann ter seu processo analisado pelo Ministro Dias Toffoli, ex-advogado do PT, foi comemorados pelas advogados dos réus da operação Lava Jato.
    Segundo o Jornal a decisão mina o pilar central da Lava Jato de que foi uma mesma quadrilha que operou um continuo assalto a República, cujo o pano de fundo era um projeto
    de perpetuação do PT e seus aliados no poder.

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