Sem perceber, militares atuam como buchas de canhão para o “golpismo” de Bolsonaro

Diário do Nordeste - Confira a charge deste domingo (6), feita por Thyagão  #DiáriodoNordeste | Facebook

Charge do Thiagão (Diário do Nordeste)

Malu Gaspar
O Globo

A estratégia que Jair Bolsonaro desenhou para chegar às eleições em condições de vencer o pleito ou melar o jogo é conhecida: criar tumulto atrás de tumulto, espalhar focos de desconfiança e dispersar a atenção dos assuntos que realmente importam. Vem sendo assim desde o começo do governo.

Toda vez que o presidente da República depara com um problema que não sabe ou não quer resolver, aciona o botão do pânico. Só que quem entra em pânico somos nós. E só continua funcionando porque sempre tem algum fardado disposto a ajudar o presidente em suas tentativas de criar o caos.

AFIRMAÇÕES LEVIANAS – A história se repetiu na última polêmica em torno da segurança do sistema eleitoral. Bolsonaro lançou a bomba aproveitando-se da confusão criada pelo perdão presidencial ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) e da fala do ministro do STF Luís Roberto Barroso, para quem as Forças Armadas estavam sendo orientadas a atacar e desacreditar o processo eleitoral.

Em discurso no Palácio do Planalto, difundiu a ideia de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apura os votos numa sala secreta que não existe, citando uma proposta de apuração paralela pelas Forças Armadas que também nunca foi feita.

Ao mesmo tempo que TSE e interlocutores do Judiciário e do Congresso tentavam desfazer o tumulto com notas de esclarecimento e encontros a portas fechadas, outro general, Heber Portella, enviava ofícios desaforados ao TSE demandando explicações sobre supostos riscos e fragilidades no sistema eleitoral.

GENERAL EXTRAPOLA – Embora fosse o representante dos militares na famigerada Comissão de Transparência do TSE, o general adotou um tom que a hierarquia da força não lhe autoriza:

“Os militares recomendam previsão e divulgação antecipada de consequências para o processo eleitoral, caso seja identificada alguma irregularidade na contagem dos votos da amostra utilizada no Teste de Integridade, haja vista que não foi possível visualizar medidas concretas no caso da ocorrência de referidas irregularidades”.

Desde então, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, tomou para si a interlocução com a Corte eleitoral, desautorizando Portella. O TSE explicou que parte das sugestões já havia sido implementada e outra parte era inviável, expondo a falta de conhecimento técnico do general sobre o sistema.

ANTEPARO AO GOLPE – Os aliados do ministro da Defesa afirmam que, com seu movimento, ele busca atuar como anteparo institucional ao golpismo de Bolsonaro. Se é essa a intenção, talvez seja o caso de ele refazer o mapa do campo minado e reforçar o estoque de escudos, porque o presidente não só não gosta de anteparos, como tem por hábito implodi-los.

Não é preciso buscar algum de tantos exemplos do passado para ilustrar essa afirmação. Ontem mesmo Bolsonaro descartou um desses “escudos institucionais” ao demitir o almirante Bento Albuquerque do Ministério de Minas e Energia.

O almirante tentava conter os arroubos intervencionistas do presidente, que nunca se conformou com a política de reajuste dos combustíveis da Petrobras acompanhar as cotações do barril do petróleo e do dólar. Por um tempo, deu certo. Até que parou de funcionar.

OS MOTIVOS – A razão mais evidente para a saída de Albuquerque foi o aumento de 8,9% no preço do diesel, alguns dias depois de Bolsonaro ter pedido em sua live que não houvesse mais reajustes e de ter chamado de “estupro” o lucro de R$ 44,5 bilhões da Petrobras.

Também se falou numa queda de braço com lideranças do Centrão em torno do projeto que destina R$ 100 bilhões do pré-sal à criação de uma rede de gasodutos que atenderia aos interesses do empresário Carlos Suarez.

Seja qual for a bomba que eliminou o escudo, só veio reforçar a constatação de que o presidente da República não está nem aí para a cor da farda ou para a patente que ela exibe.

OPORTTUNISMO – Apesar de gostar de dizer que aprendeu na caserna o valor da lealdade, ou que não deixa seus homens na estrada, a verdade é que, para Bolsonaro, o militar só é útil se lhe presta obediência incondicional.

Se resolver priorizar os interesses nacionais ou o respeito às instituições da República em vez de criar o caos, o sujeito estará fora. Será igualmente descartado assim que o tumulto da vez for superado.

A esta altura, o mais incrível não é nem que seja assim. Impressiona é que ainda haja militares que acreditam ser capazes de conter de forma civilizada os impulsos destruidores do presidente. Não percebem que, em vez de anteparos, o que são é bucha de canhão.

4 thoughts on “Sem perceber, militares atuam como buchas de canhão para o “golpismo” de Bolsonaro

  1. Jogos e avanços para o retrocesso total, conforme:
    “”… os revolucionários são manipulados pela classe dominante para parecer como uma ameaça maior do que ela realmente é… A classe dominante quer que criemos muita comoção radical para que assim possa parecer mais ao centro enquanto se move para a esquerda.” [Unseen Hand, pág. 404].

    Você pegou o propósito de financiar e encenar esses grandes protestos?

    “… e assim ela [a classe dominante] possa parecer mais ao centro enquanto se move para a esquerda”.”

    PS. O que quer dizer, trocando em miúdos, que: a própria revolução foi “montada” e seus coadjuvante anistiados e reembolsados para atuação em seguidas missões, ESCORREGANDO PARA A ESQUERDA desde FHC e até recentemente. Bolsonaro assumiu e credita-se possuidor de convencimento tal que dando dois passos para a frente, recua e desliza à vontade, indo para onde os mestres agendaram, agora sem ao menos necessitar do “jogo das greves”, não as permitindo, o que quer dizer: Controle Total e “dos 3 pontos”, pela esquerda!
    PS3. Como devem estar rindo da cegueira dos crentes nesses ou naquele, que acompanham os noticiários e ainda dão seu aval a esse sistema corrupto e enganador!?!?!?

  2. O golpismo do Bolsonaro começou no exato momento em que ele gritou o conhecido “Acabou, p0&&@!”, uma ordem para cortar a grana pública que bancava a “carreira” dos vagabundos narco-socialistas que infectam a imprensa de aluguel e boa vida dos aliados das causas dos traficantes da pasta, do pó, da erva e da pedra. É pau na moleira da marginália!

  3. Não vai acontecer absolutamente nada!
    Afirmo e assino em baixo.
    Bolsonaro sempre foi e se especializou em armar barracos.
    E se diverte com isso.
    Nada mais do que isso.

  4. O quadrupede excretou hj pelo orificio superior para uma platéia de parvos. Ele estava descontrolado , berrando , falando palavrões e muita , muita mentira. E o gadão , ora , o gadão aplaude e pede bis!!!

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