Sem rumo em meio à pandemia, Bolsonaro diz aguardar população “sinalizar” para tomar providências

A cada declaração, Bolsonaro comprova que não tem planejamento algum

Daniel Carvalho
Folha

Ao comentar uma reportagem sobre o avanço da fome durante a pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse a apoiadores nesta quarta-feira, dia 14, que está aguardando a população “dar uma sinalização” para ele “tomar providências”.

Bolsonaro abordou uma reportagem do jornal Correio Braziliense sobre estudo do movimento Food for Justice que indica que 6 em cada 10 domicílios brasileiros passaram por uma situação de insegurança alimentar de agosto a dezembro do ano passado, totalizando 125 milhões de brasileiros.

NO LIMITE  – “O Brasil está no limite. Pessoal fala que eu devo tomar providências, estou aguardando o povo dar uma sinalização. Porque a fome, a miséria, o desemprego está aí, pô, só não vê quem não quer ou não está na rua”, afirmou o presidente, como mostra gravação divulgada por um canal bolsonarista na internet. “Só digo uma coisa: eu faço o que o povo quiser que eu faça”, insistiu o presidente.

Desde o início do ano passado, quando o coronavírus começava a se espalhar pelo mundo, Bolsonaro tem dado declarações nas quais busca minimizar os impactos da pandemia, que já deixou mais de 350 mil mortos no Brasil.

Ele já usou as palavras histeria e fantasia para classificar a reação da população e da imprensa à pandemia. Ele costuma criticar as medidas de isolamento social no país e disse que os problemas precisam ser enfrentados pela população.

SEM EFICÁCIA – Bolsonaro também distribuiu remédios ineficazes contra a doença, incentivou aglomerações, atuou contra a compra de vacinas, espalhou informações falsas sobre a Covid-19 e fez campanhas de desobediência a medidas de proteção, como o uso de máscaras.

Agora o presidente é o principal alvo de uma CPI no Senado para apurar, entre outros pontos, ações e omissões do governo federal na gestão da pandemia. Nesta quarta-feira, como tem feito nos últimos dias, Bolsonaro disse que “estamos na iminência de ter um problema sério no Brasil” e que “parece que é um barril de pólvora que está aí”.

“A temperatura está subindo, a população está cada vez numa situação mais complicada. Eu gostaria que o pessoal que usa paletó e gravata, que decide, visite aí a periferia, converse com a população, converse com a sua empregada doméstica em casa, esta não está impedida de trabalhar”, disse Bolsonaro.

TRANSFERÊNCIA DE CULPA – As declarações são argumentos para transferir a culpa da fome e de um eventual caos social a prefeitos e governadores que adotam medidas restritivas para conter a disseminação do coronavírus. Na mesma conversa com apoiadores, dirigindo-se aos “amigos do Supremo Tribunal Federal”, Bolsonaro disse que “daqui a pouco vamos ter uma crise enorme aqui”. Bolsonaro fez uma rápida menção a “um ministro [que] despachou lá um processo por genocídio”, argumentando que não foi ele quem “fechou tudo”.

A ministra Cármen Lúcia, do STF, pediu que o presidente da Corte, ministro Luiz Fux, marque julgamento de notícia-crime contra Bolsonaro por suspeita de genocídio contra indígenas durante a pandemia. “Eu não estou ameaçando ninguém, mas estou achando que brevemente teremos um problema sério no Brasil. Dá tempo de mudar ainda. É só parar de usar menos a caneta e um pouco mais o coração”, afirmou o presidente da República.

“CHATEADO” – Bolsonaro também voltou a criticar decisão do ministro do STF Luís Roberto Barroso que determinou que o Senado desse seguimento à criação da CPI da Covid, o que aconteceu na terça-feira, dia 13. “Quando eu vi, fiquei chateado. Por que fiquei chateado? Por que investigar omissões minhas, não quem pegou dinheiro na ponta da linha?”, indagou o presidente.

Bolsonaro voltou a cobrar o prosseguimento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo e reiterou que considera a decisão de Barroso sobre a criação da CPI uma intromissão do STF no Legislativo. “Daí cria-se este clima de animosidade. É uma interferência, sim, deste ministro junto ao Senado para me atingir”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
É repugnante ver, a cada declaração, que Bolsonaro além de não ter a mínima noção da responsabilidade que deveria possuir, faz questão de permanecer encostado na cadeira presidencial transferindo responsabilidades e andando na contramão. Em plena pandemia, cujas consequências se agravam pelos mais diversos setores, o ainda presidente diz que aguarda sinais para tomar alguma atitude. Se milhares de pessoas mortas, desempregados, economia afundada no caos, serviços sem orientação não forem marcos gritantes para mostrar que o planejamento já está atrasado há anos, o que mais será preciso para que Bolsonaro pare de brincar de governar e, de fato, atue como um governante? Mas isso é exigir demais, pois a sua capacidade é mínima e a sua disposição inexistente. (Marcelo Copelli)

15 thoughts on “Sem rumo em meio à pandemia, Bolsonaro diz aguardar população “sinalizar” para tomar providências

  1. Há muito tempo, senhor presidente, a população já sinaliza. Por onde você passa, não vê as pessoas acenando com lenços pretos? Pois é! Aqueles que balançam ao sabor do vento são os lenços secos. Os que parecem não esvoaçar, estão encharcados de lágrimas!

  2. – BOÇALnaro continua a fazer o que sempre fez nós seus 28 anos na câmara federal.

    – E o que é que ele fez mesmo nesses 28 anos como deputado federal?

    – Cê num sabe?

    – Num faço ideia…

    – O mesmo que Zezim faz lá detrás da touceira de banana – depois de comer quatro pratadas de feijoada -, beeemmm gordurosa e
    apimentada!

  3. Há muito tempo tive um cachorro,
    Desses que vivem em descidas de morro,
    Que ameaçava com latidos todo competidor
    E até a mim, o dono, causava temor.

    Tudo ele cheirava, e adorava um poste
    Para marcar território e selar sua sorte.
    Num certo dia, tudo que gostava acabou:
    Morreu e seu mundo para os outros ficou.

    Moral: Nós vamos e os postes ficam!

  4. As pesquisas de sobre intenções de votos são furadas. São feitas através de ligações para telefones fixos, portanto, atingem somente uma parcela (privilegiada?) da sociedade. Pelo que se vê e pelo que se ouve nos papos de botecos e pelas ruas, Bolsonaro teria nós dias de hoje, no máximo 20% das intenções de votos. Aliás, Bolsonaro conta com a pandemia, para impedir que a imensa e conciente maioria do povo brasileiro saia as ruas expressando seu verdadeiro desejo: SUA QUEDA.

  5. Movimentos políticos geralmente criam uma denominação simples para melhor memorização pelo povo: camisas-verdes era a denominação do Partido Integralista (segundo o Google!); democratas, republicanos, e assim vai. O movimento atual que coloca Bolsonaro, Deus, Patria e Poder como razão maior de sua luta deveria ser chamado de bundas-sujas – teja batizado.

  6. Coppeli, parece que sua nota de rodapé e os comentários que li aqui não captaram o sentido do que Bolsonaro disse. O que ele quer dizer é que quer apoio do povo para tomar a si as ações que no dizer dele o STF e o Congresso não o deixaram realizar. Traduzindo: Ele quer uma justificativa popular para dar um golpe. passando por cima do STF e do Congresso e poder fazer o que quer.

    • Meus prezados Wilson e Paulo … mesmo sem ser Jurista … costumo dar minha humilde, talvez idiota, de um dos remanescente do MDB histórico.

      A Cidadã proíbe (auto)golpe … visto estar no Preâmbulo a solução pacífica dos conflitos.

      Este pacifismo é desenvolvido no art. 142 … ao conduzir as FFAA a agirem unidas na defesa da Democracia – coisa vista recentemente com os 3 comandantes saindo juntos.

      Tal artigo … por permitir intervenção militar (porém, a pedido de qualquer Poder) conduz a que não haja guerra civil, pois o esperado é as FFAA obedecerem o Poder que esteja defendendo a Democracia.

      Sds.

      golpista pode ser julgado por leis militares, né???

  7. Vem mais bomba por ai , como os ministros do stf absolveram o lularápio de ladrão corrupto passou a ex ladrão corrupto e Moro de herói , agora bandido .

    Alguém terá que devolver o dinheiro do roubo aos ladrões corrigido !

  8. Parte do povo brasileiro quer que o mito fique para sempre sentado no trono do palácio do Planalto. E outra parte quer que ele tome a tal prometida “providência”, assine a carta de renúncia e suma das nossas vidas. O mito administra o Brasil como o ditador nazista fazia nos seus últimos dias, enterrado no bunker da chancelaria em Berlim, traçava planos de contra-ataque com exércitos de que não dispunha mais. E se recusava a ouvir os interlocutores, alguns sugeriam que fugisse, ainda havia tempo, mas como o nosso mito só dava ouvidos a si mesmo. Será este o destino do mito, acabar o governo agonizando? Não sugiro e muitos quero que saia da vida para entrar na História como fez Getúlio, mas que simples dê adeus ao cargo de presidente, somente isto.

  9. Essa Tribuna perdeu o bonde da história e os comentarista são uns ignorantes, não sabem nada do que está ocorrendo no Brasil. Vão as ruas e vejam quem é quem no momento da política brasileira. Tentem tirar o Presidente!

  10. Será um sinal de fumaça
    Será um sinal da cruz
    Será um sinal verde
    Será um sinal de impedimento
    Será um sinal de tchau
    Será um sinal de escola
    Será um sinal de positivo
    Será um sinal de negativo
    Será um sinal de vida
    Será um sinal elétrico

    Será que pode ser dois sinais concomitantes por exemplo um sinal da cruz com sinal de positivo?

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