Senado articula acordão para barrar em plenário as prisões de Jucá e de Renan

Jucá e Renan querem ser blindados pelos senadores

Erich Decat
Estadão

Líderes da base aliada e da oposição no Senado articulam um grande acordo para barrar no plenário da Casa eventual ordem de prisão provisória do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Os pedidos de prisão foram feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e serão avaliados pelo Supremo Tribunal Federal. Se a Corte determinar, os senadores só podem ser mantidos presos após aprovação do Senado.

O mesmo procedimento ocorreu com o senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS). No caso dele, o plenário decidiu, em novembro de 2015, mantê-lo preso após a determinação do STF. Abandonado pelo comando do PT, na época sua legenda, Delcídio não contou também com gesto de solidariedade de nenhum integrante da bancada durante a votação.

Desta vez, porém, com Renan e Jucá a tendência é de que o plenário se comporte de maneira diferente. O argumento, segundo líderes ouvidos pelo Estado, é que o conteúdo que veio a público das conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado não é suficiente para levar um parlamentar à prisão.

DELAÇÃO DE ODEBRECHT
Além disso, há receio No Senado com os desdobramentos da delação do empreiteiro Marcelo Odebrecht. As revelações do empresário podem levar a novos pedidos de prisões. Segundo fontes, há mais de 30 senadores envolvidos, quase metade da Casa, composta por 81 integrantes. Além disso, já são 12 os senadores investigados na Operação Lava Jato com inquéritos em tramitação no STF.

O discurso oficial, contudo, é o de que, com o que foi publicado até agora, a autorização de prisão não passa na Casa.

“Fizemos o pedido para ter acesso à delação e gravações do Sérgio Machado. O procurador-geral que prove que teve e qual foi o flagrante”, disse o líder do PSDB, senador Cássio Cunha Lima (PB). “Não é uma questão de dar uma resposta institucional, porque pode parecer corporativismo, mas é uma questão constitucional. Quem tem que mostrar o ônus da prova é ele.”

PROVAS INSUFICIENTES
O líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), também faz ressalvas aos pedidos baseados apenas no conteúdo que já foi publicado sobre as conversas gravadas por Machado.

“Na minha opinião, não é suficiente com o que tem. Pode ser que tenha havido coisas que eu não conheça, mas para mim, até aqui, é uma mera especulação de conversas reservadas, sem nenhuma consequência prática”, disse o tucano.

Para o líder do PDT, Acyr Gurgacz (PDT-RO), o ministro do Supremo, Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato, não chegará nem a pedir as prisões. “Se for aquilo que vimos, é fraco. Temos de aguardar. Só com o que tem, o próprio Teori barra. Sem flagrante, o ministro não vai mandar para cá”, afirmou.

PT APOIA RENAN E JUCA
Integrantes da cúpula do PT no Senado também não pretendem causar constrangimentos a Renan e Jucá. Gestos de afagos foram feitos no mesmo dia em que veio a público o pedido de prisão de Janot. “Eu queria cumprimentar vossa excelência pela serenidade, firmeza e senso de responsabilidade com que vossa excelência, ainda há pouco, se dirigiu à Nação e a todos nós, seus colegas aqui no Senado”, afirmou em plenário o senador Jorge Viana, que assumiria a presidência do Senado caso Renan fique impedido.

Horas antes, Viana foi à residência de Renan prestar solidariedade. Além dele, a presidente afastada Dilma Rousseff também ligou para o peemedebista num gesto de apoio.

ARBITRARIEDADE
O PT não firmou posição sobre os pedidos de prisão feitos por Janot. Seus principais dirigentes se calam sobre o tema, mas alguns falam em “arbitrariedade”. A página do partido na internet ignorou o assunto. O PT, porém, tem tratado de forma distinta Renan e Sarney, com os quais ainda mantém pontes, de Jucá e Cunha, considerados inimigos. Ainda assim, os petistas nem sequer reagiram ao arquivamento do pedido de cassação de Jucá no Conselho de Ética da Casa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Eles realmente pensam que corrupto unido jamais será vencido. Pode até ser que tenham razão. Tudo depende do Supremo, que realmente comanda institucionalmente o país. (C.N.)

11 thoughts on “Senado articula acordão para barrar em plenário as prisões de Jucá e de Renan

  1. Pesquisa covarde da CNT avalia governo Temer, que há três semanas encontrou uma terra arrasada.
    O UCHO.INFO não está a defender Michel Temer e seu governo – e não faria se tivesse procuração para tanto –, mas é preciso ter coerência e responsabilidade para levar adiante uma pesquisa de opinião. O levantamento do Instituto MDA, encomendado pela CNT, é no mínimo golpe baixo de gente que está acostumada a existir ao rés do chão.
    Mais, aqui: http://ucho.info/pesquisa-covarde-da-cnt-avalia-governo-de-michel-temer-que-ha-tres-semanas-gerencia-terra-arrasada

    • Gozado, o presidente da CNT, Clésio Andrade , é filiado ao PMDB e foi levado a política pelas mãos do Aécio. Vamos ter censura para livrar a cara de um governo safado, que tem como vigas mestras, Renan, Jucá, Sarney e assemelhados ?

  2. Onde foi para o princípio Constitucional da isonomia ???

    O que propiciou o atraso do bondoso Teori, agora não adianta mais nada…. Vergonha !

    Procurador-geral da República também pediu ao ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), busca e apreensão nos endereços do presidente do Senado, Renan Calheiros, do senador Romero Jucá e do ex-senador José Sarney. As solicitações serão analisadas conjuntamente com os pedidos de prisão dos dois primeiros e de uso de tornozeleira eletrônica por Sarney. Eduardo Cunha, também alvo de pedido de prisão, já sofreu busca e apreensão em seus endereços em dezembro passado.

  3. É o que eu sempre digo:

    -UM PAÍS SEM JUSTIÇA não pode ser considerado um país civilizado.
    E mesmo que toda a sua ARISTOCRACIA ande com um anel de doutor enfiado no dedo, não passa de um bando de chimpanzés de terno e gravata!

  4. O solidário com o Renan Lulla…

    ” Lava Jato ‘aperta’ Odebrecht para chegar a Lula
    Força-tarefa acha que Marcelo pode entregar muito mais do que tem feito

    Do Metro noticias@band.com.br
    A força-tarefa da Operação Lava Jato acredita que Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira envolvida no esquema da Petrobras, pode entregar muito mais do que tem feito, na negociação do acordo de delação premiada, de acordo com o colunista do Metro Jornal Cláudio Humberto.
    Em especial sobre o susposto envolvimento de Lula em negócios suspeitos, em troca de vantagens financeiras indevidas, e em um esquema que transferia dinheiro do Tesouro Nacional à Odebrecht, via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e sem licitação, por meio de financiamento de obras no exterior.
    Era “secreto” o contrato que o BNDES mantinha com a Odebrecht, bem como os “acordos bilaterais” com países como Cuba e Venezuela, que os autorizava.
    No esquema que teria o envolvimento de Lula, as obras eram financiadas pelo banco estatal em países sem órgãos de controle, tampouco fiscalização. Apesar de o dinheiro ser do BNDES, órgãos de controle brasileiros não podem auditar obras de Odebrecht no exterior.
    Além da Lava Jato, Lula é investigado pela Operação Janus por tráfico internacional de influência, ao “batalhar” por obras para a Odebrecht no exterior.
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    Conchavo puro .

  5. ROMPEU O ” RETUMBANTE ” SILÊNCIO ???

    “Não existe e não existirá acordão” para evitar prisões, diz Renan Calheiros
    Gustavo Maia
    Do UOL, em Brasília
    09/06/201612h51
    Alvo de pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), refutou a existência de articulação entre líderes da base aliada e da oposição na Casa para barrar eventuais detenções dele e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), em caso de determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). Se a Corte conceder ordem de prisão contra os senadores, eles só podem ser mantidos presos após aprovação do Senado.
    “Isso não existe e não existirá, porque o Senado praticará sempre a separação dos Poderes. Nós não sabemos nem o conteúdo das delações, imagina fazer acordo. Quem está dizendo isso é porque quer mais uma vez deturpar, embaçar as coisas”, afirmou Renan.
    A articulação de um “acordão” no Senado foi revelada pelo jornal “O Estado de São Paulo”, nesta quinta-feira (9).
    Questionado sobre as investigações e o pedido de prisão pela Procuradoria-Geral da República contra ele, o peemedebista disse não querer falar sobre o assunto e voltou a dizer que “é prudente aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal”.
    “Eu, mais do que qualquer um, tenho interesse nos esclarecimentos dos fatos. Eu já fiz, da minha parte, o que era preciso fazer. Compareci, fiz depoimento, entreguei todos os meus sigilos e estou à disposição para continuar colaborando”, declarou o senador em seguida, pouco antes de receber em audiência o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Aroldo Cedraz.
    Ao se despedir dos jornalistas, recusando-se a responder pergunta sobre o sigilo do processo no STF, o senador afirmou que voltaria a dar entrevista após a reunião. Segundo sua agenda oficial, Renan vai participar de sessão do Senado às 16h desta quinta.

  6. Tirando o Cunha, alguém acredita na possibilidade de o stf ordenar a prisão de qualquer um dos outros três? É crer muito em Papai Noel. Desse episódio, creio que a única coisa de boa será a perda por completo da credibilidade que o PtGR ainda desfrutava dos incautos.

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