Senadora do “relaxa e goza” está tendo problemas para aprovar o projeto contra a homofobia. Está difícil chegar ao orgasmo múltiplo.

Carlos Newton

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), que se notabilizou como ministra do Turismo defendendo a tese de que os passageiros retidos nos aeroportos no apagão aéreo deveriam “relaxar e gozar”, infelizmente não tem podido seguir o próprio conselho ao tentar aprovar seu parecer como relatora do famoso projeto que transforma em crime a chamada homofobia, o PLC 122.

Na esperança de enfim poder relaxar e gozar, a nobre senadora paulista está procurando facilitar a penetração do projeto, introduzindo no texto mais um artigo, destinado a acalmar o furor uterino de lideranças mais conservadoras: “Art. 3º – O disposto nesta Lei não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal”.

Assim, continuariam a ser considerados crimes todos os atos tidos como homofóbicos, a serem exemplarmente punidos com reclusão de um a três anos, exceto quando se tratar dessa manifestação pacífica de pensamento religioso, seja lá o que isso verdadeiramente signifique.

As discussões são acaloradas. Ao contrário do senador Magno Malta (PR-ES), que vê o homossexualismo como uma escolha, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) pondera que algumas correntes científicas admitem a hipótese de as pessoas já nascerem com essa condição. Desta forma, faz um apelo aos críticos ao projeto para que respeitem essa tese e, assim, concordem em criminalizar a homofobia.

Em meio a esse excitante debate, que ameaça levar ao orgasmo parlamentares das mais diferentes tendências sexuais, ideológicas e religiosas, quem parece ter razão é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que assinalou o esforço da relatora para elaborar um texto de consenso, mas acredita ser preciso penetrar ainda mais no diálogo para “que a luta contra a intolerância não passe a idéia de que se está criando outra forma de intolerância”.

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