Ser PT ficou pior que ser usineiro

Sebastião Nery

João Cleofas, usineiro, saiu candidato em 50 a governador de Pernambuco, pela UDN, disputando com Agamenon Magalhães, do PSD. Gilberto Freire o aconselhou:

– Cleofas, se você fizer a campanha dizendo que é usineiro vai perder. Diga que é engenheiro.

Toda a propaganda de Cleofas falava no “engenheiro João Cleofas”. A campanha de Agamenon encheu Pernambuco com um boletim: “Cleofas diz que é engenheiro porque tem medo e vergonha de dizer que é usineiro. E nem é usineiro em Pernambuco, mas em Campos, no Estado do Rio, para não dar emprego ao povo daqui”.

Usineiro ou engenheiro, Cleofas perdeu. E desabafou:

– Em Pernambuco, é melhor ser batedor de carteira do que usineiro.

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BANDIDAGEM

Todo mundo hoje acha que o Genoino é um atoleimado. Mas ele estava inteiramente certo quando disse ao então senador Delcídio (PT), presidente da CPI: – Se a CPI quebrar o sigilo bancário do Valério, vai acabar com a gente.

Quebrou e acabou. O relator Serraglio descobriu e revelou uma coisa espantosa: além dos R$ 92 milhões dos empréstimos de Marcos Valério para o PT, sem assinatura do PT, que Tarso Genro (então presidente do PT) dizia que não ia pagar, os empréstimos feitos oficialmente pelo PT não eram apenas os dois assinados por Genoino e Delúbio e avalisados por Valério, no valor de R$ 30 milhões. De repente,´passaram a ser 11, passavam de R$ 50 milhões e não paravam de aumentar. E o mais grave: vários deles já foram pagos.

Pagos por quem? E, se tomou tanto dinheiro, como é que, além dos R$ 92 mi de Valério, o PT ainda devia mais R$ 50 milhões? É evidente que tudo isso era lavagem de dinheiro público sujo, inconfessável. O PT de Dirceu, Genoino, Delúbio, era sinônimo de camarilha, quadrilha, bandidagem.

Cleofas não podia imaginar que ser PT ia ser pior do que ser usineiro.

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POLÍCIA FEDERAL

O ministro Nelson Jobim, que estava no Supremo, em 2005 estava forçando para entrar na festa com a namorada dos outros. Prendia no Supremo Tribunal as mais definitivas provas do mensalão do PT e da corrupção do governo Lula.

Essa bola não era dele. Tinha que ir urgente para a CPI dos Correios, que primeiro a solicitou. Quem conhece, no Congresso e na Justiça, o ciclópico estrelismo do ministro Jobim, sabia que ele só devolveria os documentos a pulso, no derradeiro flash. E ainda poderia querer ganhar tempo mandando-os para a CPI do mensalão, cujos trabalhos mal haviam começado.

Essa palma, de haver conseguido a mais límpida, forte e inquestionável prova do escândalo é da Polícia Federal, sobretudo do delegado sagaz que, ao ouvir, na TV, o diretor do Banco Rural em Brasília contar que recebia de Belo Horizonte, por fax, as listas com os nomes para os pagamentos, foi lá, requereu à Justiça e pegou os disquetes e originais dos fax com os nomes todos.

O relator diz que é “pólvora pura”. A PF é a dona desse foguete.

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NIÓBIO

Nas aventuras palacianas empresariais do ex-deputado José Dirceu há uma notícia que, de repente, foi varrida para debaixo do tapete. A primeira vez que Marcos Valério e Delúbio levaram a diretoria do Banco Rural ao então chefe da Casa Civil foi para tratarem do Banco Mercantil de Pernambuco. E divulgaram. Mas a segunda vez foi para discutirem o nióbio da Amazônia. E esconderam. Nióbio vale mais do que ouro e petróleo.

Até usineiro sabe disso.

 

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