Será lembrada como freira?

Carlos Chagas

Tem gente que reclama contra a postura áspera, rígida e não raro mal-educada da presidente Dilma, quando ela se dirige a seus subordinados gritando e admoestando, inclusive ministros.

Trata-se de uma questão de perspectiva, de ângulo de visão, porque já imaginaram se Joaquim Barbosa virar presidente da República?

No julgamento do mensalão ele confrontou diversos ministros seus colegas com palavras mais do que deselegantes, e agora, na presidência do Supremo Tribunal Federal, continua o mesmo.

Já ofendeu gravemente jornalistas e destratou advogados, mas esta semana investiu de forma virulenta sobre juízes representantes de associações de classe.

Chegou a mandar um deles, que revidava suas agressões, a baixar a voz, calar a boca e só falar quando ele determinasse.

Disse que as associações de magistrados não representam a nação e encerrou a reunião, depois de afirmar que sorrateiramente e em surdina elas tramaram a criação de mais quatro Tribunais Regionais Federais na beira da praia.

O público costuma aplaudir e elogiar o comportamento de Joaquim Barbosa, mas, convenhamos, numa eventual eleição dele para presidente da República, de que alguns partidos cogitam, o mínimo a concluir será que Dilma Rousseff comporta-se como uma freira, no palácio do Planalto, caso mantido o temperamento do ministro.

PERIGO DE CONFRONTO

Vinte mil pastores evangélicos estão reunidos em Brasília, num congresso das Assembléias de Deus, sendo que a maioria aplaude o deputado-pastor Marco Feliciano, sempre que seu nome é referido.

Ninguém pede a renuncia dele da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, muito pelo contrário, emprestam-lhe apoio.

Está o país diante de um perigoso confronto, porque de um lado as igrejas evangélicas vem se manifestando em favor dos obscuros conceitos expostos pelo deputado-pastor, ele que é adversário dos homossexuais, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da liberação do aborto, além de ter acentuado que Deus puniu John Lennon e os Mamonas Assassinos com a morte porque ridicularizavam a religião.

Como de outro lado aumentam os contingentes dos que protestam, até violentamente, contra a presidência de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, o mínimo a temer são as consequências desse choque de concepções, capaz de levar a batalhas campais em nome da fé, como nos tempos medievais.

QUANDO JUÍZO FAZ FALTA

Em 1950 os exércitos chineses entraram pela Coréia do Norte e invadiram a Coréia do Sul, derrotando os americanos. O comandante das forças dos Estados Unidos, general Douglas MacArthur, pediu licença ao estado maior, em Washington, para bombardear território chinês, de onde saiam os soldados invasores. Queria destruir as pontes que ligavam a China à Coréia do Norte, para impedir a entrada de mais tropas comunistas.

O estado maior, empenhado em evitar a terceira guerra mundial, deu-lhe licença para bombardear apenas a metade das pontes, aquelas que estavam em território coreano.

MacArthur exasperou-se, porque em seus 52 anos de vida militar, jamais tinha ouvido falar na hipótese de destruir meia-ponte, deixando intacta a outra metade. Acabou demitido, celebrando-se depois o cessar fogo entre americanos, coreanos e chineses.

Agora que a Coréia do Norte adota a mesma política agressiva e ameaça lançar mísseis nucleares na Coréia do Sul, sempre protegida pelos americanos, retorna a sombra de uma guerra mundial, porque a China, mesmo tendo aderido ao socialismo capitalista, não deixará de apoiar a Coréia do Norte.

Seria bom que todos criassem juízo, porque o resto do mundo não tem nada com isso, mas sofrerá os efeitos de uma guerra capaz de destruir o planeta.

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