Será que ele aguenta?

Carlos Chagas

De janeiro  até agora o dólar valorizou-se em 20% com relação ao real, mesmo com o governo comprando bilhões da moeda estrangeira para tentar conter sua elevação. Só nesta semana foram 4 bilhões. De dólares. Há mal estar e inconformismo no empresariado do andar de cima. Multiplicam-se as críticas ao ministro Guido Mantega, objeto das últimas conversas da presidente Dilma com o ex-presidente Lula,  como ainda na segunda-feira.

Será que ele aguenta? Esse filme já vimos inúmeras vezes. Quando a economia entra em parafuso, concentram-se nos ministros da Fazenda ou do Planejamento  os maiores petardos. Foi assim com Mário Henrique Simonsen, com Dilson Funaro, com Zélia  Cardoso de Melo, com Antônio Palocci e outros. É verdade que alguns ficaram firmes, como Delfim Netto e Pedro Malan.

Mantega vinha se equilibrando, mas de duas semanas para cá vem sofrendo campanha implacável, até de alguns ministros do governo. Seu tijolo de sustentação é o Lula, oráculo maior de Dilma, ainda que não totalmente blindado. Fala-se na fadiga dos metais, aquele fenômeno  comum  na aviação: quando um avião cai sem motivo aparente, nem fogo no motor nem falha do piloto, a conclusão é de que sua estrutura cansou.

Por mais que o ministro se desdobre, apague incêndios e se mostre otimista, não dá para encobrir a blitz armada contra ele. Aguarda-se o desfecho para breve. A presidente Dilma não é personalidade para ceder a pressões, mantém o ministro da rédea curta, convocando-o  a  todo momento e não poupando a campainha de seu telefone.  Mesmo assim, arma-se uma atmosfera de tempestade. A responsabilidade pelo mau tempo já não se limita a Mantega: atinge sua chefe.

Importa aguardar, mas  mesmo  sem sinais ostensivos de mudanças imediatas, dá para prevê-las. Se os investimentos externos continuarem minguando, o dólar subindo e a inflação batendo à porta diante de um pífio crescimento econômico, a natureza das coisas seguirá seu curso. A campanha da reeleição começou faz muito, mas entrará em sua fase critica antes do fim do ano.  Sacrificar um  companheiro leal mas incômodo e esgotado  tem sido prática de governo desde os tempos de Ramsés II.

Sabe a presidente Dilma que pelo menos 16 de seus 39 ministros serão candidatos nas eleições do ano que vem. Alguns disputando governos estaduais, outros  pretendendo retornar ao Congresso. O prazo fatal para se desincompatibilizarem é abril, mas parece provável  que entre o Natal e o Ano Novo  as cartas de agradecimento  e de  despedidas estejam prontas. Haverá uma mudança ministerial menos política e mais técnica. Aliás, excelente oportunidade para a chefe do governo livrar-se da tutela de partidos que nem lealdade  lhe prestam.

MELHOR UM PREFEITO

São aterradoras as mais recentes pesquisas de opinião, em Brasília.  As preferências populares oscilam entre os ex-governadores Jose Roberto Arruda e Joaquim Roriz, ambos de triste memória. Um foi preso e outro renunciou ao mandato de senador para não ser cassado. Dá saudade dos tempos em que Juscelino Kubitschek decidiu que Brasília era a casa do presidente da República e que deveria, por isso, dispor de um administrador armado de vassoura e espanador, um prefeito para manter a cidade limpa e bem cuidada. Vieram os reclamos por uma representatividade acorde com o aumento da população, ou seja, governadores eleitos, assembléia legislativa, deputados e senadores. Deu no que deu: com as exceções de sempre, a pior escória elevada dos porões da corrupção e da demagogia.É claro que o mundo anda para a frente, mas seria um refrigério  se tivéssemos aqui um prefeito nomeado pelo presidente da República…

SEMANA  DECISIVA

Salvo inusitados, o Supremo Tribunal Federal examinará  a partir de quarta-feira os embargos de Marcos Valério, Delúbio Soares e José  Dirceu. Da provável rejeição dos recursos, apesar dos esforços do ministro Ricardo Lawandowski, estarão  confirmadas  as sentenças do grupo mais de perto envolvido no escândalo do mensalão. Fica difícil imaginar outro desfecho.

 

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