Será que o “advogado informal” de Cunha será nomeado ministro da Justiça?

Moraes, “advogado informal” de Cunha, continua cotado

Carlos Newton

O afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara já era esperado, em função da inevitabilidade do impeachment. Ao entrar na linha sucessória de Temer, como presidente da Câmara, o deputado passou a ostentar novos riscos para a ordem pública, antes não contemplados. Além disso, já devia rigorosamente ter sido afastado antes, por motivos estritamente jurídicos, pois é certo que sempre usou e abusou de seu cargo para tentar interferir em matérias sujeitas ao crivo da Câmara.

Foi surpreendente, no entanto, a agressividade do procurador-geral Rodrigo Janot, que qualificou Cunha como delinquente, assim como a ampla receptividade do relator Teori Zavascki.

IMPASSE INSTITUCIONAL

O afastamento, se atingir o próprio mandato de Cunha, poderá gerar grave impasse institucional, pois representa desrespeito à Constituição. Os artigos 55 e 56, que se referem à questão, determinam expressamente que cabe à Câmara suspender, se assim o quiser, o curso da ação penal, fazendo valer sua prerrogativa constitucional. Se o fizer, a liminar de afastamento ficará prejudicada, e Cunha retornará aos plenos poderes.

A decisão de Teori foi arriscada, portanto, mas acabou aceita por unanimidade no Supremo e a Câmara vai engolir, calada, porque Cunha não merece ser defendido pela instituição.

NOS BRAÇOS DE MORO

Além disso, há que se verificar que a tese de jogar Cunha nos braços de Sérgio Moro é uma fórmula de colocar em risco o próprio Temer e muitos outros gigantes desse novo governo que se instala no Poder. Imaginem uma delação premiada de Cunha? Qual seria a repercussão? Ele tem a mulher e a filha envolvidas. Pode querer fazer delação premiada. No país das delações, os companheiros de crime ficam nervosos. Muita gente está sem dormir em Brasília. E principalmente Michel Temer.

Ao mesmo tempo,  há notícias de que o Ministério da Justiça será ocupado por Alexandre de Moraes, atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, que sempre se jactou de ser “advogado informal” de Eduardo Cunha.

Mas é certo que a opinião não vai aguentar o advogado de Cunha no Ministério da Justiça. Será mais uma mancada de Michel Temer, um homem que não tem direito de errar.

7 thoughts on “Será que o “advogado informal” de Cunha será nomeado ministro da Justiça?

  1. Muito estranha essa divulgação escancarada de vários nomes cada dia para um ministério diferente,
    parece escalação de time no futebol de várzea.
    Como dizia o Barão de Itararé: “Há alguma coisa no ar além dos aviões de carreira”

  2. Hoje o ” Lindinho ” parecia líder de jardim da infância… No mínimo hilário, uma palavra que se situa entre o ridículo e o cômico ! kkkkaass…

    Como disse a presidanta na ONU : ” I am Inocenta ” vai tomar tarja preta, ridícula !

  3. Eu tinha esperança que o Temer fosse agir como o Itamar.
    Reuniu-se com as lideranças dos partidos e colocou as fichas na mesa.
    Ou é assim ou nada feito.
    O tempo mostrou que ele estava certo.
    Quanto ao Temer, pois…..

  4. Newton, Cunha perdeu a primeira partida para Janot, mas o campeonato não terminou. Cunha está com todos os “trunfos do baralho político nas mãos.” Todos jogam para salvá-lo. Todos sabem que se Cunha for preso ele alcagueta todo mundo. Cunha é mais inteligente que todos. Todos lhe devem favor, principalmente Temer em ordem de grandeza. Acho inclusive que Cunha não perderá o mandado. Ele já mandou um recado ao presidente da comissão de ética. Esse recado é uma ameaça. O final do filme vai ser de arrepiar o cabelo. Tem mais: Ele tem no STF dois simpatizantes fortes: Gilmar e Toffoli.

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