Sérgio Cabral admite deixar governo do RJ em abril de 2014

Pedro do Coutto
Numa entrevista à Folha de São Paulo, edição de sexta-feira, o governador Sérgio Cabral  embora afirmando que não vai renunciar por pressão popular, admitiu que poderá se afastar do Palácio Guanabara em abril de 2014 por três motivos: 1) candidatar-se ao Senado nas eleiçõe3s de outubro; 2) fortalecer a candidatura do  vice Luiz Pezão que passaria a substituí-lo; 3) proporcionar condições legais a seu filho Marco Antonio para que seja candidato a deputado federal. Se viesse a permanecer no governo depois de abril, o atual governador tornaria seu filho inelegível. Há o precedente deixado pelo ex-governador Anthony Garotinho que renunciou seis meses antes do pleito em que sua mulher, Rosinha, foi eleita para sucedê-lo. Por isso, coube à vice Benedita da Silva completar seu período. 

Com suas declarações à FSP, matéria de Denise Luna, Sucursal do Rio, Sérgio Cabral sinalizou seu afastamento no me4s de abril do próximo ano, seis meses antes das eleições para cumprir a Lei Eleitoral, mas não sua saída de imediato conforme a reivindicação de seus principais adversários que têm  saído às ruas contra ele. Com a entrevista tornou-se mais claro o panorama em torno da sucessão estadual, inclusive porque no texto da reportagem ele, Cabral, identifica Garotinho e Marcelo Freixo como os principais articuladores do movimento contra ele, inclusive envolvendo o acampamento montado em frente à sua residência no Leblon. 

Ele vislumbrava o senador Lindbergh  Farias como o principal adversário da candidatura do vice Pezão, ao ponto de numa outra entrevista ter ameaçado retirar seu apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff se Lindbergh permanecesse na sua intenção de também disputar o governo e assim montar um palanque duplo no Rio de Janeiro. Mas os ventos conduziram o quadro para um plano diferente.
PESQUISAS

Em primeiro lugar, pesquisas do Datafolha e do IBOPE revelaram acentuada queda de pontos tanto de Dilma, quanto dele, Sérgio, junto à opinião pública, portanto junto ao eleitorado. Dessa forma, não estaria ele em condições de fazer exigências, tampouco a própria presidente junto a seu partido, o PT. Dilma Rousseff atravessa um momento de reincorporação de apoios, de reconstrução e de reaglutinação, não podendo portanto mobilizar-se para excluir aliados de seu sistema político.

Além disso, o Datafolha apontou 17 pontos para Lindbergh, 15 para Garotinho, também 15 para Cesar Maia e 12% para Pezão. Como se isso não bastasse, a avaliação positiva de Sérgio Cabral (IBOPE) ficou restrita a apenas 12 pontos, a de Dilma Rousseff a 19 degraus. Vale acentuar inclusive que a divulgação foi incompleta porque foram revelados os índices positivos, mas não os negativos. Presume-se, mas não foi publicado, que os números negativos são mais altos que os positivos nos dois casos, o que torna mais difícil uma reversão simultânea e dupla.

Assim, o quadro político sofreu forte alteração tanto no plano federal quanto no estadual, com um resultado podendo se refletir no outro. Não é o momento de se exigir nada. Pelo contrário. Cabral e Dilma encontram-se, como disse há pouco, na fase de buscar adicionar apoios, colocar em prática motivações positivas, não exclusões que somente diminuem contingentes de votos e não acrescentar pontos nas urnas. Sérgio Cabral deverá afastar-se do governo em abril do ano que vem, não renunciar agora, ainda em 2013. Foi o que ele próprio afirmou.

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