Sérgio Moro também é um candidato com pés de barro, que tem muito a explicar

O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro durante filiação do general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz ao Podemos, em Brasília

Sérgio Moro não é mais aquele herói impecável que parecia ser

Malu Gaspar
O Globo

A intensa movimentação no cenário político nas últimas semanas sugere que a entrada de Sergio Moro (Podemos) na corrida presidencial tem potencial para alterar a correlação de forças na eleição. Mas o crescente interesse pela candidatura também o colocou bem cedo diante da pergunta que o acompanhará enquanto tiver alguma chance no pleito: de que forma Moro lidará com o Congresso, caso seja eleito?

Que tipo de negociação o ex-juiz da Lava-Jato pretende fazer com as lideranças de partidos que foram alvo da operação conduzida por ele?

CONVENCER ELEITORES – Como pretende convencer os eleitores de que, se eleito, terá mais sucesso do que quando era ministro da Justiça na aprovação de seus projetos? Qual a garantia de que a relação conflituosa entre o ex-juiz e a classe política não paralisará um eventual governo seu (e o país) por mais quatro anos?

Sempre que confrontado com essas questões, Moro recorre a declarações de livro-texto. Numa reunião com investidores da corretora XP, em São Paulo, afirmou que é um “homem do diálogo” e que considera possível negociar em torno de projetos. De acordo com ele, o absoluto fracasso de Jair Bolsonaro em ter uma relação livre do fisiologismo e do toma lá dá cá com o Parlamento é fruto da falta de liderança do presidente.

Também disse que, embora não vá abandonar o combate à corrupção, tem consciência de que o papel de um presidente da República é garantir a governabilidade.

PESSOAS BOAS – Numa entrevista à Bloomberg, falou que “há pessoas boas no Centrão” e que “dentro de cada partido tem bons indivíduos que podem somar com projeto e diálogo republicano”.

Não há dúvidas de que um governo republicano e democrático pressupõe uma relação de respeito entre Legislativo, Executivo e Judiciário, nem de que não há nada de intrinsecamente errado em fazer coalizões políticas — desde que sejam limpas — para governar.

Mas não deixa de ser irônico que um personagem que se fez popular combatendo o “sistema” agora tenha como uma de suas missões provar que poderá conviver harmonicamente com esse mesmo sistema em nome da governabilidade.

OUTRO MOMENTO – É verdade que o discurso antissistema perdeu o apelo e a credibilidade desde 2018. O momento histórico é outro. Bolsonaro, que se elegeu prometendo governar diretamente com o povo e dar uma banana ao “sistema”, foi fagocitado por ele e por seu orçamento secreto. Lula, por sua vez, conduziu seus governos do mensalão ao petrolão, e não consta que teria problemas em se relacionar com esse mesmo Congresso.

O próprio Moro se viu acuado pelo caso Vaza-Jato, aderiu ao governo Bolsonaro e perdeu a aura de herói impoluto.

Nessa troca de pele de juiz para político, Moro diz que venderá um “sonho” ao país e se propõe a ser diferente dos principais competidores. Como ele pretende fazer isso, não se sabe. O que ele diz no livro que acaba de lançar, “Sergio Moro contra o sistema da corrupção”, não ajuda a dissipar as dúvidas.

COMPROMISSO FAKE – Ao relatar sua experiência no governo, Moro diz que mais de uma vez acreditou que Bolsonaro cumpriria a promessa de punir Flávio e Fabrício Queiroz, se fosse preciso. Enumera situações em que o presidente deu provas de que o compromisso com o combate à corrupção era tão fake quanto algumas das notícias que espalhou na campanha eleitoral.

“Se não vai ajudar, não atrapalhe”, teria dito Bolsonaro quando Moro lhe pediu para ajudar a derrubar a liminar de Dias Toffoli que suspendeu todas as investigações do Coaf, incluindo as que flagraram a rachadinha de Flávio e Queiroz.

É o ex-juiz da Lava-Jato quem escreve: “Por uma questão pessoal, o presidente pedia a mim que ignorasse aquela séria ameaça ao sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro”.

AGUENTOU HUMILHAÇÕES – Ainda assim, Moro ficou no governo, aguentando mais humilhações. Engoliu o abandono de Bolsonaro ao pacote anticrime, aceitou trocar um superintendente da Polícia Federal e só saiu quando o próprio presidente tornou sua permanência inviável.

Difícil acreditar que alguém que diz ter o couro grosso e está habituado a situações difíceis, como Moro, tenha realmente sido tão ingênuo com Bolsonaro como ele diz que foi. É ele mesmo quem admite que, enquanto pôde, ficou em silêncio. Hoje, diz que errou ao aceitar o convite de Bolsonaro. Não se pode saber o que mais o ex-ministro viu no governo que não contou, nem qual sua solução para lidar com o “sistema” sem confrontá-lo, como fez na Lava-Jato, ou se calar, como fez com Bolsonaro.

Mas é certo que, enquanto persistir a contradição entre o que Moro diz que fará e o que de fato fez no governo, ele continuará sendo um candidato a presidente com pés de barro.

18 thoughts on “Sérgio Moro também é um candidato com pés de barro, que tem muito a explicar

  1. Se eu fosse o anjo da guarda do Moro teria impedido o mesmo de fazer a estupidez de abandonar uma carreira de Juiz absolutamente vitoriosa para ir servir de lacaio de um canalha idiota. O boçal devia viver no esgoto, que é o lugar dele. Mas, infelizmente e por falta de escolas, nossos eleitores são completamente desinformados e ainda não aprenderam a votar. Moro tem gabarito para ser um dos melhores presidentes que essa nossa terrinha já teve. Só um cego é que não vê.

  2. Tá bom; ‘nossos eleitores são completamente desinformados e ainda não aprenderam a votar”
    Antonio, acabaste de resolver o problema.
    Simples, muito simples o diagnóstico e a solução.

  3. Estou um pouco mal hoje, tossindo. Talvez não consiga forças para comentar muito hoje…
    Ontem tentava acessar a TI masapresentava erro. Não li nenhuma informação sobre. O site ficou fora do ar?

  4. NEM, NEM, NEM, nem Bolsonaro, nem Lula e nem os puxadinhos dos me$mo$. E é por isso que eu digo que Lula e Bolsonaro são dose pra Leão, porque o resto é puxadinho dos me$mo$. Basta. Chega dos me$mo$. Fora todo$. Agora é o Leão, a evolução, a mega-solução, o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, a Terceira Via de Verdade, antissistema mentiroso, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, a Democracia Direta com meritocracia, a nova política de verdade, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, as mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas. E é por isso que eu digo, Lula e Bolsonaro são dose pra Leão, porque o resto é mais dos me$mo$. Por que essa correria maluca, doidivanas, um ano antes das eleições ? Vc já se perguntou porquê tanta correria intempestiva, anômala, dos me$mo$, um anos antes das eleições ? Elementar, Caro Watson. Ele$ estão morrendo de medo do Leão e do megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, cercados e cancelados pelos me$mo$ e pela mídia bandida dos me$mo$ desde 2010. Agora, tendo em vista 2022, ele$ continuam fazendo de tudo, trancando todas as portas, brechas e frestas para impedirem que o Leão entre na cena eleitoral, porque se entrar vence todos ele$ no primeiro turno, porque, em sã consciência, ninguém aguenta mais o continuísmo da mesmice dos me$mo$, continuístas da mesmice do sistema apodrecido, e quem viver verá. https://istoe.com.br/nem-lula-e-nem-bolsonaro/?fbclid=IwAR3Ihhm_gMrX2s_8V-BQQNjoZpAsSGi-7ffaiSy4-3-ma_7583c1JybPt24

  5. Tá bom. O Moro com pés de barro, cara Malu, você terá que definir isto em relação aos outros candidatos. Faça uma tabelinha com os atributos necessários, qualidades e, digamos, defeitos evidentes de cada deles e coloque [ x] tem [x] não tem. Pontue. Totalize e conclua.

  6. “Parabenizo o Ministro André Mendonça pela aprovação para o STF, com seus atributos técnicos e sua formação cristã. Desejo que o fortalecimento do combate à corrupção. Marca da sua trajetória na AGU. Guie suas decisões; razão pela qual o Podemos aprovou a sua indicação”, escreveu Moro

  7. Quem “vê” alguma desvio em Moro diante da escória que está disputando (com exceção de poucos), não faz isso por amor.
    Quanto custará uma articulação destas?

    Vade retro carcará!!

    çao

  8. Tão “bonitinho”, “limpinho” e “cheiroso” os mesmos eleitores de criminoso miliciano BROXAnaro execrarem o mito de até poucas horas e voltarem seu endeusamento para o ex-sinistro boçalnarista e ex-juiz venal.

    Tão “bonitinho”, “limpinho” e “cheiroso” os mesmos eleitores de criminoso miliciano BROXAnaro voltarem com a mesma cantilena da “nova política” com quem desde agora já elogia o “centrão”.

    Uma vez gado…

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