Quebra do sigilo bancário de Agnelo Queiroz e Orlando Silva pode não revelar nada. Os dois já explicaram que gostavam de guardar dinheiro vivo em casa.

Carlos Newton

A decisão do Superior Tribunal de Justiça, que determinou sexta-feira a quebra dos sigilos fiscal e bancário do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, é uma exceção que precisa se tornar regra. Mas também pode não adiantar nada.

A ordem partiu de pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no inquérito que investiga desvios de dinheiro no Ministério do Esporte por meio de ONGs, desde quando Agnelo Queiroz era ministro  e Orlando Silva o secretário-geral.

 No pedido, a Procuradoria afirma que a quebra dos sigilos é uma forma de “averiguar a compatibilidade de seus patrimônios com a renda por eles declarada e eventuais coincidências entre movimentações financeiras de suas contas e as operações bancárias realizadas pelas pessoas físicas e jurídicas investigadas à época dos fatos”.

O período a ser quebrado é de janeiro de2005 adezembro de 2010. O STJ determinou ainda que o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeira) informe se os investigados tiveram alguma movimentação suspeita nos últimos anos.

Além de uma devassa na vida financeira dos dois, a Procuradoria irá convocar Orlando e Agnelo a se explicarem sobre as irregularidades no Ministério do Esporte.

O advogado de Agnelo Queiroz, Luís Carlos Alcoforado, disse à Folha que não apresentará recurso contra o pedido da PGR. “Pode quebrar, sem problema. Não vamos fazer nenhum recurso porque quem não deve não teme. O que ele quer que o processo seja abreviado, para provar a sua inocência à sociedade”, disse o advogado.

Segundo o advogado de Orlando Silva, Antônio Carlos de Almeida Castro, a decisão é “açodada”. “Mas se é para investigar, que o faça de forma cabal, porque provará a inocência. Portanto, a quebra de sigilo é positiva.”

Como se sabe Orlando Silva comprou uma propriedade em São Paulo usando dinheiro vivo. Por isso, seu sigilo pode não revelar nada. Quanto a Agnelo, também guardava dinheiro vivo em casa, como alega ter ocorrido no “empréstimo” feito a um lobista,  na época em que era diretor da Anvisa.

Guardar dinheiro vivo em casa parece ser moda entre os políticos. Aqui no Rio, o médico Sergio Côrtes, secretário estadual de Saúde, ficou rico como funcionário público e hoje mora numa cobertura na Lagoa que comprou em dinheiro vivo. Você sabia?

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