Sigilo no processo de Pazuello é para proteger a democracia, e não o presidente Bolsonaro

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Se você fosse general, poderia confiar em Jair Bolsonaro?

Carlos Newton

O Estado Maior do Exército rejeitou recurso para revogar o sigilo de 100 anos atribuído ao processo disciplinar contra o general Eduardo Pazuello, sobre sua participação em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, dia 23 de maio, no Rio de Janeiro. O recurso foi apresentado com base na Lei de Acesso à Informação, mas o Estado Maior decidiu manter a proteção dos documentos que tratam da apuração.

A decisão tem sido encarada como um favorecimento ao presidente e ao ex-ministro da Saúde, como uma maneira de pôr fim às discussões, embora o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) já tenha entrado com ação popular contra o Alto Comando.

APARÊNCIAS ENGANAM – Mas o velho ditado ensina que as aparências enganam. Na política brasileira, então, nem se fale. São falsas aparências para todos os lados. Por isso, é sempre bom recorrer à tradução simultânea.

Na presente conjuntura, em que o presidente Bolsonaro e o ministro da Defesa, general Braga Netto, estão forçando uma barra para subjugar o Exército Brasileiro e criar uma situação de fato que possa dar poderes excepcionais ou até totais ao chefe do governo, a decisão de não punir Pazuello precisa ser analisada sob esse viés.

Bolsonaro tenta impor o fato de ser comandante-em-chefe das Forças Armadas como se fosse um mandato sem limites, para usar a seu bel prazer, mas o Alto Comando sabe que “isso non ecziste”, como diria o Padre Quevedo.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – O sigilo centenário não tem objetivo de favorecer Bolsonaro ou Pazuello. A medida é absolutamente necessária para proteger o próprio Alto Comando.

Motivo: a decisão sobre Pazuello não foi tomada pelo comandante Paulo Sérgio Oliveira, mas pelo Alto Comando, e cada um dos 16 generais se manifestou. Se não houver sigilo, Bolsonaro ficará sabendo qual a posição dos generais sobre ele, quem apoia seus sonhos ditatoriais e quem rejeita.

Ao se proteger sob sigilo, portanto, o Alto Comando do Exército não está obedecendo a Bolsonaro. A intenção é preservar as Forças Armadas e defender a democracia brasileira, que está sob grave ameaça.

10 thoughts on “Sigilo no processo de Pazuello é para proteger a democracia, e não o presidente Bolsonaro

  1. Proteger a democracia? Dos desmandos e mentiras de Bolsonaro e capachos? Então, Newton, realmente estamos por um triz, no fio da navalha do obscurantismo. abraços.

  2. Se você fosse general, poderia confiar em Jair Bolsonaro? Foi o que o editor perguntou. Minha resposta: depende. Se fosse general como o Pazuello, talvez; se fosse general mas com minha formação de carpinteiro, jamais! Never, ever ever!

  3. “PROTEGER O ALTO COMISSARIADO”, acho que já estão bem protegidos e com a dispensa cheia de guloseimas, como picanha, lagosta e bons vinhos, pagos pelos joses e marias das periferias. Pena que não temos lideres corajosos para por essa elite no alpendre.

  4. Sigilo é coisa de covarde, de quem quer esconder algo, quem não deve não teme, está história de proteger a democracia, é papo furado, se tiver de dar golpe, a coisa vai ficar feia, o povo não aguenta mais ditadura, só imbecis que alimentam esta idéia.

  5. Isso é uma piada. Só pode. Ou merda… Porque todo ato deve mirar o interesse público. Não parece ser o caso. Que mira a própria vaidade ou conservar a imoralidade do Exército.

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