Silêncio premiado, ao invés de delação

Luiz Sérgio (PT-RJ) quer acabar com a delação premiada

Rogério Gentile
Folha

O relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), sempre gostou de atuar como bombeiro, defendendo os fracos e oprimidos políticos, suspeitos de corrupção ou de desvio de verba pública.

Em 2005, o deputado foi da tropa de choque que trabalhou contra a cassação de José Dirceu no mensalão. Era um dos que tratavam o ex-ministro da Casa Civil como “guerreiro do povo brasileiro”.

Em 2008, o petista isentou em outra CPI os ministros de Lula acusados de irregularidades no uso dos cartões corporativos. Argumentou que os cartões foram utilizados para pagamento de despesas pessoais, entre as quais compras em free shop, “por engano”.

Em 2010, diante acusação de que um ministro pagou uma festa em um motel com verba pública, Luiz Sérgio declarou, sem nenhum tipo de constrangimento, que “dormir em motel não significa fazer amor”.

GRANDE PROEZA

Agora, apesar de tudo o que já foi revelado pela Operação Lava Jato, conseguiu a proeza de, ao final do seu longo relatório de 754 páginas, não pedir o indiciamento de nenhum político no escândalo da Petrobras.

Isentou até mesmo Eduardo Cunha (PMDB), a despeito de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter enviado documento à Câmara mostrando que Cunha mentiu à CPI ao afirmar que não tinha contas no exterior.

O maior incêndio que ele pretende apagar, no entanto, é o da delação premiada. Em seu relatório, Luiz Sérgio propôs a criação de uma comissão na Câmara para rever a legislação que estabeleceu o mecanismo, sem o qual a Operação Lava Jato já teria sido enterrada há muito tempo.

Fez tantas objeções à lei da delação premiada que, na prática, se fossem levadas em conta, seria melhor substituí-la por uma formulação mais simples, segundo a qual o benefício da redução da pena passaria a valer apenas para o criminoso que, em hipótese alguma, aceite abrir o bico.

10 thoughts on “Silêncio premiado, ao invés de delação

  1. Deveria ter vergonha deste relatório da cpi da petrobrás, não entendo o que leva um sujeito a fazer um papel deste para proteger políticos, principalmente de seu partido (PT), fica devendo a toda a sociedade.

  2. Pois é, a PGR e o MP deveriam abrir uma investigação das despesas com os cartões corporativos, para avaliar o tamanho dos “enganos”…

    • Aliás, para aproveitar o embalo, devia tornar a investigar o caso da Erenice Guerra, ou será que vai ficar tudo por isso mesmo?
      Tá bom que os roubos do petrolão foram tão grandes que o povo se esqueceu dela, mas, afinal, ela era a Ministra da Casa Civil.
      Aliás, da Casa Civil dos governos Lula e Dilma, nenhum que a chefiou saiu limpo…

  3. Quando escrevo que os parlamentares são traidores do povo e desta nação, o comportamento desse indivíduo em tela exemplifica exatamente a minha afirmação.
    Não entendo como que alguém eleito pelo povo, possa deixar seus eleitores de lado e optar pela corrupção, pela desonestidade, por acordos que devem ser repudiados.
    Decididamente as compensações financeiras e pessoais devem sobrepujar as questões éticas e morais, a ponto de este elemento não se importar com os conceitos populares a respeito dos parlamentares, de serem reconhecidos como ladrões, simplesmente.

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