Sim, estamos melhorando

João Gualberto Jr.

Na semana que passou, tivemos acesso a duas levas de informações que, de maneira inequívoca, atestaram a impressão de que vai melhor das pernas esta terra querida onde vivemos. Na segunda-feira, vieram as planilhas do Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud) no Brasil, que apresentaram a nova série do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).

No fim da semana, o IBGE divulgou os números atualizados da taxa de mortalidade infantil e da expectativa de vida dos brasileiros. Ambos os levantamentos baseiam-se no Censo de 2010, também do IBGE, e são comparáveis em suas séries históricas a rodadas de dez, 20 e até 30 anos antes.

Um resumo, sem que se necessite recorrer à frieza das estatísticas, aponta para o desenho de uma nação mais justa, saudável e desenvolvida – é bem possível que a construção mais adequada seja: menos injusta, doente e atrasada. O IDHM, formado pela conjunção das variáveis longevidade, renda e escolaridade, passou de muito baixo para alto em duas décadas na média nacional. Ou seja, saltamos da Idade Média, no início dos anos 90, para os dias atuais.

A segunda pesquisa mostrou uma ascensão ainda mais chocante, já que tratou de um intervalo de 30 anos. No período, o idoso brasileiro ganhou 11 anos de sobrevida, e, se em 1980, sete recém-nascidos em um grupo de cem morriam antes de completarem um ano de vida, hoje, a média não chega a dois.

DIREITOS BÁSICOS

Foram poucas as conversas inconvenientes publicadas, mas houve, sim, quem puxasse para as próprias redes os números positivos. Bobagem. Essa evolução em termos gerais – e, por isso, nacional – para a qual nos deparamos não é uma conquista atribuível a FHC e seus tucanos ou a Lula e seus companheiros. É deles também, como de todos os outros brasileiros. Se vivemos mais e um pouco melhor e morremos menos em nossas “vidas severinas”, é porque passamos a contar com uma Constituição cidadã, que garantiu direitos básicos a todos. É porque nossas instituições, antes verdes (oliva), ganharam maturidade, graças a legislações mais duras e impositivas, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000.

É também porque, em janeiro de 2003, FHC passou a faixa para Lula. Sim, se somos melhores, devemos isso à democracia. Ainda nos intriga e indigna a sina de país de um futuro que nunca chega e essa pecha de “Belíndia”. Claro que ainda estamos mais para Índia do que Bélgica. Os meninos do Nordeste ainda morrem de fome, e, nas favelas de qualquer metrópole, outros seguem brincando no esgoto aberto. Os velhos ainda sofrem nos corredores dos hospitais públicos, e, em qualquer cidade, continuam o de cima subindo e o de baixo descendo.

Até quando? Bem, até as próximas pesquisas, talvez. Fato é que o caminho principal parece certo. Que não venha uma maldita revolução verde ou vermelha para estragar tudo. (transcrito de O Tempo)

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7 thoughts on “Sim, estamos melhorando

  1. Caro João,
    Tem um índice que PIOROU BASTANTE:

    Taxa de homicídios no país sobe mais de 30% em 15 anos
    JB Online
    RIO – Indicadores do Desenvolvimento Sustentável 2010 (IDS 2010), reunidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um aumento de 32% na taxa de homicídios nos últimos 15 anos.
    Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tinha, em 2007, uma taxa de 25,4 mortes por homicídio a cada cem mil habitantes. Os homens apresentavam uma taxa (47,7) consideravelmente superior à das mulheres (3,9).
    Houve um incremento de 6,2 óbitos por homicídios por 100 mil habitantes entre 1992 e 2007, mais acentuado para o sexo masculino. Entre 1992 e 2003 o coeficiente cresceu e, a partir de 2004, observa-se uma tendência de queda.
    Em 2007, Alagoas (59,5 por cem mil), Espírito Santo (53,3) e Pernambuco (53,0) lideravam na taxa de mortes por homicídios. O estado do Rio de Janeiro ocupava o 4º lugar, tendo conseguido reduzir de 50,8 em 2004 para 41,5 as mortes por homicídios a cada 100 mil habitantes. As menores taxas estavam em Santa Catarina (10,4), Piauí (12,4) e São Paulo, que passou de 28,5 em 2004 para 15,4 por 100 mil em 2007
    Os registros primários de homicídios são obtidos através das Secretarias Estaduais de Saúde e processados pelo Ministério da Saúde, estando disponíveis no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

    Não existe civilização onde não exista respeito à vida.
    Abraços.

  2. Está com os impostos atrasados? Não tem grana para pagar a dívida? Não tem “pobrema”!!! Diz prá Dillma ET que vc é parente do ditador africano amigão do Lulla….quem sabe ella perdoa a dívida e o BNDES ainda te dá algum de troco!!

  3. O que eu não entendo, é um país que produz grãos suficiente para atender toda a população
    e ainda sobra muito para exportar, tem muita criança morrendo de doenças provenientes de subnutrição (de fome). O ser humano acostuma-se a tudo, menos a passar fome.

  4. Eu não vejo, por este Brasil no qual caminho, por onde ando, diferenças que me entusiasmem, em relação aos quadros anteriores.
    O que vejo é bancos lucrando absurdamente como sempre, empresários e governantes dando seus costumeiros golpes.
    O que vejo são estatísticas e estatísticas mostrando seus números …
    Fico com o Nélio Jacob, e acrescento: temos a maior quantidade de água potável do mundo, e muitos brasileiros ainda (como sempre) morrem de sede.
    Sim, estamos melhorando. Estamos … quem???

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