Sinceramente, como Lya Luft, eu também gostaria de falar de flores

Acílio Lara Resende

Uma amiga, mestra em ciência política, que já militou anos a fio na política partidária, conhece de perto a antessala do poder, sobretudo a pior delas, a de Brasília. Deixou-a logo após ter ouvido de um velho companheiro de lutas que “não se ganha eleição sem vender ilusão”. Em encontro recente, acompanhado de um delicioso frango ao molho pardo, me disse que estou melhor pessoalmente do que nos artigos que venho publicando neste espaço. Enfim, deu-me a entender que não consigo esconder a fase de descrença que se apossou de mim.

Sinceramente, como Lya Luft, eu também queria falar de flores, mas a fase por que passo (contra nossos representantes e não contra a democracia representativa) não é só de descrença. É, também, de incontida raiva contra alguns integrantes da cúpula governante do meu sofrido e querido país, a começar pela presidente, que aumentou muito minha descrença e ira quando exigiu que fosse chamada de presidenta. Algo miúdo, mas que dá ideia do tamanho da sua soberba.

Logo depois do delicado puxão de orelha, sentei-me à mesa do computador, uma vez mais, para mostrar minha cara neste nobre espaço. E logo me lembrei de que há inúmeras outras figuras, que atualmente militam no governo Dilma, extremamente difíceis de engolir. Destaco, dentre elas, além da presidente, o ministro Aloizio Mercadante, o marqueteiro João Santana e o jornalista Franklin Martins. Esses três – Santo Deus! – formam, com muita propriedade, “o gabinete em crise”…

Mercadante, na ausência de outro, se transformou em ministro plenipotenciário: assumiu, ao lado da pasta da Educação (que deveria exigir dedicação exclusiva), as pastas da Saúde, das Relações Externas e da Casa Civil. Sobre a sucessão de 2014 e o resultado das últimas pesquisas, foi logo profetizando: “Ela – referindo-se à “gerentona” – não só vai se recuperar como nós vamos vencer a eleição. Temos chance de vencer no primeiro turno. Temos que nos preparar para o segundo turno, mas trabalhar para ganhar no primeiro”.

41 MINISTROS

João Santana, o 40º ministro, regiamente remunerado por nós, não é só marqueteiro, mas se transformou, de fato, no principal guru e vidente da presidente. Martins, indicado assessor especial da presidente por Lula, teria sido o autor da genial ideia de uma constituinte exclusiva. Ele é, até prova em contrário, o 41º ministro de um governo sem rumo.

O ministro Aloizio Mercadante (PT-SP), mestre em trapalhadas, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, na semana passada, ainda conseguiu desagradar à própria base que, no Congresso Nacional, sustenta (enquanto interessar, claro) o governo ao qual pertence. O senador (da base) Francisco Dornelles (PP-RJ), por exemplo, não deixou por menos: “O Mercadante está cometendo três equívocos. Está falando demais, se metendo na área dos outros e acha que está muito forte”.

Mas a coisa não fica só nisso. O co-presidente Lula, novo articulista do “The New York Times” que rejeita nossa imprensa (como se não fosse o seu maior beneficiário), disse, em artigo recente (quem o redigiu?), que a sociedade brasileira “entrou na era digital, mas a política permaneceu analógica”. E ainda afirma que os manifestantes de rua querem instituições políticas limpas, “sem as distorções de um sistema político anacrônico”. Escreve isso como se não tivesse nada a ver com o país que governou por oito anos. Como se não fosse o maior responsável por esse anacronismo. Quem é, afinal, Luiz Inácio da Silva? (transcrito do jornal O Tempo)

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6 thoughts on “Sinceramente, como Lya Luft, eu também gostaria de falar de flores

  1. Bem o Lula que vc não conhece foi a pessoa que mudou o Brasil, é reconhecido no mundo inteiro, foi até recebido no palacio real pela rainha Elizabeth.
    E vc quem é…? nunca ouvi falar…

  2. Habemus Projeto Alternativo, Deus é brasileiro e o Papa é nosso. AMéM

    Malabarismos e contorcionismos continuistas da mesmice à parte, falta apenas combinar tudo isso com os russos, como disse o inolvidável Mané Garrincha. O fato é que Política não é exata. Ademais, as candidaturas e pesquisas que aí estão não representam e nem refletem a Verdade das ruas do Brasil dos novos tempos mais exigentes, que, ao que parece, são apenas anti-establishment continuista da mesmice, daí um certo flerte ainda que tímido em relação a Marina posto que esta, por ora, é a continuista que mais tem se esforçado para se parecer anti-establishment continuista da mesmice, em que pese o rabo preso com a rede Itau-Natura (que tb são símbolos da elite financeira e cheirosa do Brasil ), que, aliás, são tb alvos das ruas, ao que parece, fato esse que, no frigir dos ovos, na hora em que entrar em cena o HoMeM verdadeiramente anti-establishment com o Megaprojeto Alternativo que põe de fato abaixo o dito cujo, aí ocorrerá a metamorfose que mudará completamente o cenário. E daí, vossas excelências, entenderão o que de fato está acontecendo nas ruas do Brasil. O diabo é que os continuistas da mesmice não conseguem raciocinar, nem enxergar, e muito menos aceitar, nada além dos cercados do velho continuismo da mesmice impostos a todos pela situação, oposição e gollpismo-ditatorial. Mas, como diz o povo, o boi sonso é o que consegue arrebentar as cercas. AMéM. Habemus Projeto Alternativo. Deus é brasileiro, e o Papa é nosso. Aleluia.

  3. Muito bom artigo, ainda bem que existem jornalistas que escrevem verdades. Escrevem artigos reportando a realidade dos fatos.
    Ao contrário de muitos, que debaixo do dedo do LÍDER servem de capacho para propósitos escusos e depois na maioria das vezes são descartados na ingratidão da cartilha partidária. E se não é pouco, criam mundos artificiais tampando as ações daqueles que acham que estão fazendo politica, mas são apenas porcos metendo as mãos na graxa, na grana e na lavagem.

  4. É o que acontece com a hiper-especialização: Uma Mestra em “Ciência Política”, que já militou anos a fio na Política Partidária do Brasil, conheceu de perto as antessalas do Poder, e depois de muito tempo militando fica escandalizada ao saber que: “Não se ganha Eleição no Brasil, sem vender ilusão”. E acrescentaria ainda, e “sem um caminhão de Dinheiro”. Tivesse ela, ainda no começo de seus estudos de “Ciência Política”, se candidatado a Vereadora de uma cidade média para cima, (ou seja, ter praticado a sua Ciência) e teria aprendido os fatos da vida, uns 30 anos antes. A Teoria tem que vir junto com a Prática, senão se descola completamente da Realidade. Quanto a crítica à nossa Presidenta Dilma Rousseff, por ela ter pedido para ser chamada de “Presidenta”, acho injusta, porque a meu ver sua intenção foi exaltar a MULHER. Ela tem esse direito, além do que “pega bem” com mais de 50% do Eleitorado e não custa nada, além de pequeno dano a nossa amada Língua Portuguesa. Quanto a equipe que a cerca, cada um faz o que pode com o que tem. O que acontece é que o nosso Sistema Político é de péssima qualidade (Presidencialismo de Coalizão, 2º Turno, etc, etc), e nossos Políticos que já não são dos mais virtuosos do mundo, tem que fazer “o que fazem” para ganhar as Eleições. Abrs.

    Lembremos de pagar pequena Mensalidade R$ 20/10 ou mesmo 5, para manter nosso bom “Tribuna da Imprensa onLine”. Dados no canto superior direito. Muito Obrigado.

  5. Que dificuldade para enfocar a verdade,na realidade a política virou um antro de aproveitadores, que sugam todos os recursos que poderiam proporcionar uma vida mais digna para os brasileiros.Só não enxerga quem não quer!

  6. “Quem é, afinal, Luiz Inácio da Silva?”
    É aquele que conseguiu o que queria: fazer “palestras” por duzentos mil reais, pagas por banqueiros, empreiteiras-companheiras e empresas que mantém negócios com o governo.

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