Síndrome do encarceramento (da geração internet)

Eduardo Aquino
Ficarei devendo os termos em japonês, pois é de lá que veio o alerta: cada vez mais os nossos filhos, sejam crianças, adolescentes ou adultos jovens, se isolam nos seus cantos, nos quartos, prisioneiros das telas de games, computadores, smartphones! Geração tecnofílica, viciadíssima em telas, indiferentes afetivamente aos pais e família, calados, monossilábicos. Os filhos modernos estão em verdadeiras solitárias, e o que mais espanta a todos é que, aparentemente, eles estão satisfeitos com isso.
A geração Google é muito mais frágil, dependente e ignorante do que pais e professores possam imaginar. Senão, vejamos:

1) Desmemoriados e futuros dementes: cresce a linha dos pesquisadores que afirmam ser esta a pior geração em 200 anos, pois sonegar a sabedoria e vivência de pais e avós, crescer sem sabedoria, sem destreza psicomoto resulta em seres passivos, embora mais agressivos e inamistosos. Então, nada de sentir que a linguagem cibernética, a rapidez de teclar ou usar celular, computador, som e TV ao mesmo tempo é vantajoso. Qual dos nossos filhos iria sobreviver ou se virar num mundo sem internet ou eletricidade? Cenário, aliás, perfeitamente possível, segundo alguns futurólogos. Eu, particularmente, adoraria ouvir: ” vovô Google, me conta um pouco sobre o império romano? Me explica o que é fotossíntese? Como faz a raiz quadrada de…? ”

2) Banalização da violência, sexualidade, uso e abuso do álcool e drogas: um pré-adolescente nos EUA, aos 10 anos, já assistiu ao vivo, pela internet, TV ou games, mais de 15 mil mortes violentas, seja no YouTube, redes sociais. Ou sexo, que é algo viral na internet, e pior: dos mais selvagens, grupais, doentios, à disposição nesta verdadeira zona virtual que virou a internet!

3) Falsa auto-suficiência, indiferença: outro traço comum nos nascidos após 1978 , a dita geração Y, é o isolamento afetivo dos pais e família. Viciados e dependente de tecnologia são quase filhos de chocadeira eletrônica. Dão pouco valor às relações em casa, têm milhares de amigos nas redes, mas tímidos afetivamente, passam em branco no convívio do dia-a-dia. Infelizmente, apenas 1/3 dos jovens desta geração se tornará independente, se dará bem nas atividades profissionais ou de estudo. Tanto que um termo tem sido muito usado: “geração nem-nem “. Nem querem trabalhar, nem querem estudar…

4) São carentes e mal resolvidos: apesar de tudo isso, são carentes de um cafuné, de abraço amigo, de segurança. Afinal, mesmo nas clausuras de seus quartos, no isolamento afetivo, no vício das telas, não tenhamos dúvidas que nossos filhos são muito semelhantes a nós e a nossos bisavós: são ansiosos, angustiados, medrosos, ciumentos, inseguros, confusos. Infelizmente, precocemente adultos, pois já não guardam a ingenuidade e inocência que eram típicos da infância e adolescência até uma geração atrás. E ainda assim são muito mais imaturos, pouco sábios, pouco artesanais, menos românticos e menos lúdicos e alegres que nós. Sem história para contar, pois a tela e conteúdos são tão semelhantes, que dificilmente fazem ou vivem situações que seja digno de nota. Memória depende do afeto e nós registramos sempre o que é emocionante. Quando as telas impedem experiência reais, sensoriais, não há história para contar.

LEI DO MERECIMENTO

Senhores pais e educadores, me poupem de ouvir frases como: onde é que errei, ou vir com mil culpas e frustrações de mal amados e descartáveis. Não há joguinhos de chantagem emocional, culpa, pena, dó,mal trato, constrangimentos, ciúmes de irmãos ou qualquer forma de ganho secundário.

Reassuma o comando, estabeleça limites e imponha a Lei do Merecimento: merece, tem, não merece, deixa de ter! Vai trabalhar, estudar, acorde cedo e limite no tempo de tela. No exterior já tem escolas e pais que recolhem os eletrônicos para não ser enganados. Se na natureza há um tempo para tudo, por que nossos filhos tem que ter tudo o tempo todo?

A libertação de nossos filhos de suas celas virtuais é questão de tempo! Computador não faz carinho, não abraça, não chora no colo! Sim, somos essenciais, somos o real, o sensorial, o porto seguro!

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7 thoughts on “Síndrome do encarceramento (da geração internet)

  1. Eu não tenho a menor idéia sobre quem seja o senhor Eduardo Aquino. Mas estou espantado, às 20:02, de que este artigo não tenha, até o momento, recorde absoluto de comentários! Aliás, digo mal: já me proibir de espantar-me com alguma coisa, num mundo que, a rigor, tudo é normal. Mas quando digo espantado, digo-o, sobretudo, em homenagem às cristalinas verdades que o texto encerra. Não vou, sequer, discorrer minha ótica sobre o tema; peço licença ao Carlos Newton para transcrever, abaixo, o inquietante artigo do senhor Philip Zimbardo, da Universidade Stanford, na Califórnia. Tirem vocês mesmos, meus amigos, suas conclusões. Só me permito afirmar que lido, todo dia, com pré-universitários, e sei exatamente a pavorosa extensão do problema. Leiam, pois, por favor:

    “Se você joga muito videogame e assiste a vídeos pornográficos na Internet, cuidado: você pode estar ajudando a acabar com a raça humana. Pelo menos, é isso o que garante o professor Philip Zimbardo, da Universidade americana de Stanford na Califórnia, Estados Unidos. Segundo ele, estas duas atividades estão criando um tipo de homens que se vicia em fatores alheios ao mundo real e acabam perdendo as suas capacidades de desenvolverem relacionamentos saudáveis com outras pessoas.De acordo com o jornal Mercy News, o doutor Zimbardo acredita que os homens estão gastando muito tempo isolados no mundo digital. E, segundo ele, as pessoas solitárias acabam morrendo mais cedo. Portanto, a expectativa de vida deles só tende a diminuir. Em seu livro, “Porque meninos estão sofrendo e como podemos ajudar”, o psicólogo argumenta que os homens estão crescendo sem serem “animais sociais”. Ou seja, ignorando a convivência em sociedade.
    “Os meninos passam muito tempo no mundo digital, jogando vídeo game, vendo pornografia, mandando SMS, vendo televisão – e sempre sozinhos”, diz.
    O professor, de 79 anos, acredita que este é um processo de regressão que muitos homens estão fazendo. De acordo com ele, o excesso de uso dos jogos e de visualizações de programas eróticos estão criando uma geração de rapazes “covardes e com medo de navegarem nas complexidades e riscos da vida real, escola e emprego”.
    E ele cita um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos que confirma que pessoas que regularmente assistem vídeos adultos têm mais depressão e problemas físicos. Além disso, a mesma pesquisa confirma que muitos jovens utilizam o mundo real como uma válvula de escape para toda a pressão que sofrem no dia a dia. O professor lembra ainda das pesquisas que associam comportamentos violentos aos videogames.
    “Temos que achar soluções para acabar com o Modo Destruição dos meninos”, completa.

    Saudações,

    Carlos Cazé.

  2. Oh Sr. DARCY, com a inteligência, cultura e experiência que tens, com as boas dicas de Saúde que nos destes essa semana, (Peixes, Frutas, Verduras, Água pura min 2 1/5 L/dia, outros alimentos anti-Age, caminhar continuamente min. 30min/dia, Índice Corporal, etc), não sabes o que é “uma Mãe antenada” (uma Mãe que procura estar o mais informada possível sobre a formação dos Filhos). Abrs.

  3. Essa de alguém estar no computador pelo tempo que quiser pode estar até fazendo bem, mas os donos da verdade ou tecnofobos…

    Parece aquela história do chato que fazia tudo politicamente correto. Não fumava ou bebia, praticava esportes, fazia exames médicos, pregava a vida saudável, mas um dia ao atravessar a rua, foi morto por atropelamento.

  4. Eu acredito que tudo deva ter um limite senhor Mauro. Não dá para uma criança passar um dia inteiro em frente ao computador ou vendo tv, sem ser prejudicada ao longo da vida. Não vejo como pensar no bem estar de uma criança, como ser politicamente correto, mas um DEVER. Meu filho gosta destas coisas, como qualquer criança dos dias de hoje,mas também brinca com os seus brinquedos, corre no parque, faz karatê. Eu ainda sou moderada por que eu tenho colegas que os filhos só tem acesso a desenhos e games, nos fins de semana.

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