Sinfonia das panelas separa governo do PT e a população

Pedro do Coutto

Em reportagem publicada na edição de 6 de maio, O Globo destacou o panelaço que se ouviu no país durante a exibição do programa do PT a noite de terça-feira, no horário político que, pela lei, cabe ao partido. Foi uma nova sinfonia semelhante àquela que se assistiu a 8 de março, quando a presidente Dilma Rousseff falou em rede nacional na comemoração do Dia Internacional da Mulher. O som das panelas repetiu a linha sonora que colocada de um lado o governo e o PT, de outro a sociedade brasileira, portanto a opinião pública, a população brasileira.

Essa divisão possui causas definidas. Os compromissos expostos ao longo da campanha eleitoral afastam a presidente da candidata vitoriosa nas urnas. A maior parte do eleitorado está sendo envolvido pela sensação de que perdeu vencendo, uma frustração difícil de superar, já que a vontade de resgatar o voto depositado no sistema eletrônico é impossível de realizar.

A sensação de perda é agravada pelo sucesso dos fatos que tingem a realidade do país, a começar pela cada vez mais comprovada corrupção na Petrobrás, a qual os petistas procuram minimizar ou ocultar de forma desesperada.Mas ela veio à tona e se reflete intensamente na sociedade.

CRISE ECONÔMICA

A inflação se acelera, o desemprego sobe, os salários baixam. O poder de compra se retrai. Em conseqüência,lojas fecham, fábricas dão férias coletivas, surgem as demissões incentivadas e também as não incentivadas, mas cujos resultados levam ao mesmo patamar, onde o desânimo predomina, existe uma atmosfera de instabilidade e pessimismo. Ainda por cima, os cortes sociais embutidos no ajuste fiscal. O povo poderia estar satisfeito? Impossível.

Além de tudo isso, a atitude da presidente Dilma Rousseff de tentar se colocar na retaguarda dos acontecimentos, como se nada tivesse a ver com o que ocorre. Não aceita a culpa, transfere para os outros. E de forma tão marcante que passou a dividir o poder, ora com Lula, ora com Michel Temer.

POSIÇÃO ESCAPISTA

Ao atribuir ao vice-presidente uma tarefa que cabe a ela presidente, procurou esquivar-se da missão de articular as ações políticas inerentes ao seu próprio mandato. De recuo em recuo, ela vai deixando o primeiro plano. Por esse caminho, no fundo escapista, a qualquer dia os eleitores quase não sentiram sua ausência. Estão faltando à presidente e ao governo, isso sim, não lances de marketing, mas uma coisa chamada boas notícias. Sim. Porque a comunicação entre o poder e o povo depende da transmissão de conteúdos positivos. Conteúdos que influenciam positivamente na vida das pessoas comuns. Que buscam a segurança social, o bem-estar, o aumento salarial, a boa aplicação dos impostos, os quais consomem em torno de 40% dos vencimentos de todos nós, e de nossas famílias.

A perspectiva psicológica do avanço, da melhoria, é muito profunda, inclusive porque todos nós, também, temos ciência plena de que o tempo não para. Ao contrário. Passa cada vez mais rápido, acelerado pelo motor inflacionário que, diariamente, empurra os preços para cima e, em conseqüência, a sociedade para baixo. A nova sinfonia das panelas e buzinas, sob um constante apagar e acender de luzes do protesto, tornou-se mais um capítulo do drama brasileiro ao tom do desânimo e da desesperança, na busca de soluções e ilusões perdidas.

10 thoughts on “Sinfonia das panelas separa governo do PT e a população

  1. A sinfonia do panelaço é em DÓ MAIOR. Dó e compaixão dos que votaram nela. Porem, uma palavra de
    consolo aos que não votaram e que hoje tem que “engolir” esta triste maneira de fazer política, que nossos
    representantes estão utilizando no trato com a coisa pública.
    O Brasil atual, esta muito parecido com o do Pré-64.

  2. Só um adendo. A sensação do povo de que perdeu vencendo se deve ao fato de que as eleições foram fraudadas.
    A empresa Smartmatic fraudou as eleições no país, como o fez na Venezuela. Há provas matemáticas feitas através de sistema reverso pelo Sr. Gilson da Silva Paula. Há provas também usando o sistema denominado Lei de Newcomb Benford onde mostra através de gráficos uma anomalia que indica fraude nas eleições (na Inglaterra e EUA onde se usa este sistema, as eleições teriam sido anuladas). Por isso o povo está revoltado, porque a maioria do povo não votou na Dilma. Sem medo de errar digo que Aécio teria ganho com mais de 6 milhões de votos de diferença. Mas seus votos foram surrupiados através de um projeto de poder chamado Foro de São Paulo, idealizado por Lula e Fidel Castro com participação até das FARCs.
    Uma eleição que teve sua apuração secreta, onde um ex advogado do partido contratou uma empresa venezuelana por R$ 160 milhões, sem licitação, que ficou encarregada de enviar os dados ao TSE de 3 Estados: Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais. Coincidência não?! Onde os Presidentes dos TREs de todos os estados, que tem suas senhas para acompanhar a apuração, durante 2 horas tiveram suas senhas suspensas.
    O maioria do povo não sabe destas coisas, porque a imprensa faz questão de não as divulgar, mas ele tem a sensação que algo de muito errado aconteceu.

  3. IBGE acaba de divulgar a inflação (IPCA) do mês de abril: 0,71%.

    No ano: janeiro (1,24%), fevereiro (1,22%), março (1,32%) e abril (0,71%), acumulando 4,56% no ano.
    Em doze meses a inflação alcança 8,17%.

    O IPCA acumulado em doze meses e segmentado em grupos ficou assim:

    GRUPOS DE DESPESA………..PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL
    ————————————————————————————-
    Alimentação e bebidas……………………………………7,95%
    Habitação……………………………………………………16,88%
    Artigos de residência………………………………………4,92%
    Vestuário……………………………………………………….3,60%
    Transportes……………………………………………………6,86%
    Saúde e cuidados pessoais……………………………..7,26%
    Despesas pessoais………………………………………….8,19%
    Educação……………………………………………………….8,50%
    Comunicação………………………………………………..-1,18%
    ————————————————————————————-
    Índice geral……………………………………………………8,17%

    O destaque para os itens de despesa continua sendo o da energia elétrica que no ano sofre alta de 38,12% e em doze meses alta de 59,93%.

    Na decomposição do IPCA em doze meses – alta de 8,17% -, a inflação do grupo serviços acumulou alta de 8,32%. Destaque para mudança com alta de 13,96%, tratamento de animais com 11,63% de alta, alimentação fora de domicílio com alta de 10,47%, conserto de automóveis com alta de 10,68%, psicólogo com 11,31%, clube com 11,61%, revelação e cópia com 12,85%, entre outros.

    Já os preços monitorados (elementos de despesas com preços administrados pelo governo) a alta acumulada chegou a 13,39%.

    É preciso lembrar que esses preços foram represados artificialmente pelo governo antes da eleição e agora, após o processo eletivo, estão sendo reajustados.

    Esta seria a nossa inflação (13,39%), caso o IPCA fosse formado apenas por preços administrados.
    Destaque para a energia elétrica residencial com alta acumulada de 59,93%, metrô com alta de 16,18%, óleo díesel com 12,74% de alta, gasolina com alta de 10,27%, ônibus urbano com 13,79% de alta, ônibus intermunicipal com 11,19% de alta, metrô com 16,18%, trem com 14,49%, correio com 10,38%, entre outros.

    Individualizados os itens de despesas, as principais pressões inflacionárias no IPCA em doze meses vieram de: energia elétrica (59,93%), refeição fora de casa (10,38%), carnes (16,22%), gasolina (10,27%), empregado doméstico (9,72%), aluguel residencial (9,10%), ônibus urbano (13,79%), plano de saúde (9,63%), cursos regulares (8,61%) e automóvel novo (7,32%), que juntos representam 59,12% do índice do índice inflacionário – o IPCA.

    Fonte: IBGE.

  4. Ontem o IBGE divulgou na PNAD-contínua (Pesquisa Nacional por Amostras em Domicílio contínua), que a taxa de desocupação aumentou. Não poderia se esperar nada diferente disso com a deterioração dos fundamentos econômicos promovidos pelo relaxamento da política fiscal de Mantega e da gerentona, claro.

    Segundo o IBGE de 6,5% registrados no quarto trimestre de 2014, a taxa de desocupação subiu para 7,9% no primeiro trimestre de 2015.

    Nosso nível de ocupação (indicador que mede a parcela da população ocupada em relação à população em idade de trabalhar) é de 56,2%. Como a população ocupada, segundo a PNAD é de 91,252 milhões de pessoas, temos 162,37 milhões de pessoas em idade de trabalhar. Como a população total é de 204 milhões, temos 41,63 milhões de jovens fora da idade ativa.

    Vemos assim que, numa aferição indireta, a partir do dado do nível de ocupação divulgado pelo IBGE temos, também, a parcela da população em idade ativa, mas que não trabalha, isto é, 162,37 milhões menos 91,252 milhões, que é igual a 71,12 milhões de brasileiros.

    Pela metodologia do IBGE, essa massa toda de brasileiros não é computada como população desocupada (são chamados de pessoas fora da força de trabalho), restando apenas parte dela neste cômputo – apenas aqueles que estão desempregados, mas, a procura de emprego.

    Sendo assim, a taxa de desocupação indicada pelo IBGE para o primeiro trimestre de 2015 é de 7,049 milhões de pessoas.

    Se juntarmos os dois dados do instituto, a população ocupada mais a desocupada, temos então a População Economicamente Ativa (PEA): 91,252 milhões + 7,049 milhões = 98,301 milhões de brasileiros. Isto é, 48,19% da população.

    O IBGE, ainda, divulgou o rendimento médio habitual do trabalhador brasileiro no primeiro trimestre de 2015: R$1.840,00.

      • Em tempo, a massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em R$163,8 bilhões.

        Se multiplicarmos tal rendimento por 13 – o correspondente a 12 meses de remuneração mais o décimo terceiro -, teremos a massa de rendimento anualizada, isto é, R$2,129 trilhões.

        Desta massa de rendimentos dos ocupados, 41,37% está comprometida com a tributação e 45% com o endividamento com o sistema financeiro (é preciso lembrar que a dívida é amortizada no tempo e implica em parcelas anualizadas), totalizando 86,37% de comprometimento da articulação orçamentária do brasileiro.

  5. Para o CAGED – Cadastro Geral de Empregos e Desempregados -, que registra os empregos formais (com carteira assinada) celetistas, o ano de 2015 já acumula queda de 50.354 postos de trabalho.

    Fonte: CAGED.

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