Skaf, tentativa para dividir conservadores?

Pedro do Coutto

A pré candidatura do empresário Paulo Skaf, presidente da FIESP, ao governo de São Paulo pelo PSB, pode configurar uma tentativa de dividir as correntes conservadoras paulistas que se encontram mais próximas de José Serra que de Dilma Roussef. A hipótese do êxito na investida se for esse mesmo o objetivo, constitui uma dúvida, claro, mesmo porque o prazo de configuração das candidaturas ainda está distante. Mas como manobra o lance não deve ser desprezado. Afinal está distante. Mas como manobra o lance deve ser desprezado. Afinal estamos falando de política e exemplos de divisionismos não faltam. Pelo contrário. Afinal de contas, se for mesmo projeto de Skaf disputar a sucessão paulista o caminho pela legenda do Partido Socialista Brasileiro é um dos menos viáveis. Reduzido tempo na televisão, estrutura partidária frágil, e, ainda por cima, contradição entre o reformismo contido na legenda com a disposição irredutível das classes que formam o conservadorismo. Natural esta posição, sem dúvida. O presidente da federação das Indústrias de São Paulo, entidade patronal mais forte do país, estaria mais confortável em outra legenda. Mas esta outra legenda não se encontra disponível. Além do mais, Skaf já concretizou sua filiação dentro do prazo legal. Não possui mais linha de recuo. Tampouco irá recuar. Deixa sem dúvida pelo menos uma sombra em torno da iniciativa. Tanto assim que, de acordo com a reportagem de Julia Dualibi, O Estado de São Paulo de 14 de outubro, ao mesmo tempo em que admite colocar seu nome no mapa das alternativas, ele assegura seu apoio à candidatura presidencial de Ciro Gomes. Sob este aspecto está coerente com a legenda que adotou e com o posicionamento do ex governador do Ceará, que, mesmo transferindo seu domicilio eleitoral para São Paulo, sustenta que não recuará de seu propósito de buscar a sucessão presidencial, citando sua presença nos pleitos de 98 e 2002.

O que acentua a perspectiva da pré candidatura Skaf ser uma manobra situa-se em primeiro lugar na reduzida possibilidade de vitória nas urnas, sendo que, pela legislação eleitoral, terá que se afastar da presidência da FIESP. É possível, contudo, que o lançamento seja, não propriamente para o Executivo,mas para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.Neste caso, claro, sua eleição é certa.E enquanto prevalecer a dúvida entre uma intenção e outra, seu nome ocupa bem as páginas do noticiário político.Seja como for, a promoção pessoal não exclui um possível propósito divisionista. Uma forma de somar para a ministra Dilma. Falei há pouco em exemplos de divisionismos.Nas eleições de 1950, aconteceu o mais histórico de todos. O antigo PSD lançou a candidatura do deputado mineiro Cristiano Machado para evitar a união das correntes mais conservadoras da época, as bases rurais quando o eleitorado rural era muito grande, com as forças da classe média urbana que seguiam a liderança da UDN e apoiavam o brigadeiro Eduardo Gomes em sua segunda tentativa presidencial. Com isso, deixaram um campo livre para Getúlio Vargas, que inclusive recebeu maciçamente votos do próprio PSD. Tanto assim que Juscelino Kubitschek elegeu-se governador de Minas Gerais e Amaral Peixoto do antigo Estado do Rio de Janeiro. A chamada cristianização ficou conhecida como uma traição do Partido Social Democrático a seu candidato. Mas na realidade foi mais do que isso. Foi um divisionismo que deu certo. Em 62, houve outro, em São Paulo. Concorriam ao governo Jânio Quadros, Ademar de Barros, José Bonifácio Nogueira. Este com o apoio do governador Carvalho Pinto.Resultado da divisão: vitória de Ademar.Não se pode ter certeza se Skaf tem apenas o propósito de dividir o conservadorismo.mas como hipótese vale raciocinar sobre ela.Política inclui lances assim.

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