Só a produção pode garantir o equilíbrio econômico, financeiro e social

Pedro do Coutto

É isso aí. Sinto firmeza no título acima. Só o desenvolvimento econômico levando ao aumento de produção, é capaz de assegurar o equilíbrio financeiro e social das nações. Sustentar o progresso. O dinheiro é um instrumento seletivo de ação, mas toda vez que é utilizado como objetivo em si mesmo colide com a condição humana. A especulação financeira restringe o acesso em escala aos bens, principalmente de forma compatível com o aumento da população. Gera o impasse. Um impasse que atravessa os séculos. Às vezes com menos, em outras situações como agora, com maior intensidade.

A excelente reportagem de Deborah Berlinck, enviada especial de O Globo à Feira de Tecnologia de Hannover, enfocando em primeiro plano as posições de presidente Dilma Roussef e da primeira ministra alemã, Angela Merkel, ilumina o panorama 2012. A foto, ótima, é de Jens Schluste. A edição é de 6 de março, terça-feira.

O Banco Central Europeu liberou créditos no momento de 1 trilhão de dólares, e juros subsidiados entre 1 a 2 por cento, ao ano, para que a oferta de crédito na Grécia, Espanha, Portugal, Itália, França e até na Inglaterra, assegurasse o nível de consumo, portanto o de emprego, e fizesse ressurgir uma situação muito melhor e menos tensa do que a atual.

O que aconteceu? Os Bancos receberam as parcelas para que se fizessem girar na economia produtiva, mas fizeram aplicações no mercado financeiro à busca de melhores e mais velozes resultados. Inclusive no Brasil, país que paga juros de 10,5% ao ano. Várias vezes o que o sistema internacional de remuneração oferece. Inclusive sem impostos, como é o caso dos títulos que lastreiam nossa dívida interna de 2,2 trilhões de reais. A especulação contábil por princípio e o lucro gelado por fim. Exatamente o efeito oposto àquele que inspire Angela Merkel, principal figura hoje do crédito europeu. Assim não se rompe o círculo de giz que envolve a controvérsia.

Esta controvérsia fica nitidamente consolidada se lermos, paralelamente à matéria de Deborah Marlinck, a reportagem de Vinicius Neder, O Estado de São Paulo também dia 6. Focaliza o reflexo negativo causado nas Bolsas de Valores, como se de Nova Iorque e São Paulo, pela notícia do governo de Pequim informando que o PIB da China, este ano, cresce em ritmo menor do que no ano passado.

Em 2011, o PIB chinês registrou 9,2% em relação a 2010. Agora, a previsão pé de que avance 7,5 pontos em 2012, em relação ao crescimento registrado no exercício que o antecedeu. Qual o motivo da reação e sobretudo da preocupação, inclusive o temor brasileiro?

Simples. Que as importações chinesas diminuam ao longo dos próximos meses e com isso a receita cambial se retraia provocando consequências diretas na produção e no emprego dentro de nossas fronteiras. Claro. Revela, mais uma vez, e de forma definitiva, a supremacia da produção e da produtividade quanto as emissões financeiras. E também sobre as medidas monetárias de controle e incentivo.

Pois se alguém, como tantas vezes se tentou no Brasil, pudesse, com a caneta mágica, resolver dificuldades milenares, não haveria problema no mundo. E, como dizia Antonio Houaiss, até hoje nenhum problema sequer foi resolvido no mundo. De todos os não resolvidos, ecentue-se o da fome cujo espectro atinge diretamente 20% da população do planeta. Algo em torno de 1 bilhão e 500 milhões de seres humanos.

Sem produção não há solução. Não há emprego na escala adequada. Torna-se impossível redistribuir-se a renda de forma cristã e possível. O Banco Central da Europa emitiu montanhas de dinheiro para redistribuí-lo pela economia, através de produção. Que fizeram os agentes financeiros? Concentraram os recursos ainda mais em busca do ouro, para citar famoso título de Chaplin. Assim é impossível.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *