Só falta o bigodinho

Sebastião Nery

De 10 a 20 de setembro de 1989, há 23 anos, ciceroneados por Milton Nahoum, a deputada Laura Carneiro, o deputado Tito Ryff, os jornalistas Artur Xexéo, do “Jornal do Brasil” e Helio Fernandes Filho, da “Tribuna da Imprensa”, o radialista Haroldo de Andrade, da radio “Globo”, o procurador Navega, o assessor parlamentar Carlos Alberto Muniz, vice-prefeito do Rio, e o filósofo Leandro Konder visitaram Israel e, afinal, foram levados a uma palestra de um oficial superior do Exercito israelense:

– “Quando ele terminou, manifestamos inúmeras divergências em relação à política que deveria ser adotada em relação aos palestinos. O oficial israelense pareceu se irritar conosco. Saiu batendo a porta. Ficamos sozinhos, trancados em uma fortaleza militar durante quase meia hora.

Artur Xexeo, com seu senso de humor especial, falou : – Leandro, acho que estamos presos. Você tem ai o número do telefone do consulado brasileiro?

Nossos temores logo se dissiparam. Nossa viatura então nos levou ao Mar Morto, muito estranho, com sua água morna e densa. Os companheiros fizeram pilherias a respeito da caminhada de Jesus sobre as águas”.

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SHIMON

Essa pequena e reveladora historia está em um livro que nenhum intelectual brasileiro, da direita, esquerda ou centro, deve deixar de ler : “Memórias de um Intelectual Comunista”, de Leandro Konder, um dos mais sérios, honrados, provados e produtivos profissionais da cultura no Brasil, pensador, pesquisador, professor, com dezenas de livros publicados. E descendente judaico, dos históricos Konder de Santa Catarina.

Entrei de férias, Israel começou a me bombardear. Esperei que essa guerra nazista deles, mais uma vez sempre nas vésperas do Natal (não lhes basta ter matado Jesus uma vez), acabasse antes que eu voltasse. Não queria repetir aqui, para ira de meus amigos judeus, o que escrevo desde 58, há exatos 50 anos,quando pela primeira vez estive em Israel e Palestina.

Mudou pouco. Israel surgiu como Estado policial-militar, fascista. Hoje é um Estado terrorista, nazista. Vejam Shimon Perez na televisão :

– “Em Gaza, já morreram mais de 250 crianças. Em Israel, nenhuma. A diferença é que os palestinos não cuidam das crianças deles. E nós cuidamos das nossas crianças”.

Para Hitler, só falta o bigodinho.

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EVA BRAUN

Estarrecido, escandalizado, indignado, o mundo não sabe mais o que dizer diante da barbárie judaica, em pleno século XXI. Eles se consideram “o povo escolhido”, acima do bem e do mal, com direito a fazerem o que quiserem. Tudo que se disse que Sadam Hussein era e ia fazer, Israel é e está fazendo : jogando bombas químicas, de destruição em massa.

Bombardeiam hospitais, berçários, escritórios da ONU, da imprensa local e não deixam a imprensa internacional ver. São tarados por uma criancinha bombardeada. Sentem-se impunes, montados em seu Exercito, o mais poderoso da Europa, e sua bomba atômica. Esquecem-se de que algum dia alguém poderá também ter sua bomba atômica. E dar o trôco.

Em vez de panfletos, fazem campanha eleitoral jogando bombas. Cada partido (Kodima, Likoud, Trabalhistas) quer mostrar que é mais assassino. Tzip Livni, a esvoaçante ministra do Exterior, candidata a primeiro-ministro em 2009, lembra Eva Braun : – “Não há crise humanitária em Gaza e portanto não é necessária trégua humanitária”.

Dias depois, a Eva-mãe bebia veneno nos escombros de Berlim.

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MATEUS

Das centenas de textos, nacionais e internacionais, que li naqueles dias, dois sobretudo me impressionaram. Mateus Soares de Azevedo, da USP:

1. – “Sderot, em Israel, onde caíram foguetes do Hamas, de fabricação artesanal, alcance até 10 quilometros, era, até 1948, um vilarejo palestino. Seus habitantes foram expulsos antes da criação de Israel e confinados numa estreita faixa de terra, na fronteira com o Egito. Com 35 quilometros de comprimento por 10 de largura, é a tristemenete famosa Faixa de Gaza. Para lá foram levados os humilhados e ofendidos palestinos, expulsos pelos novos donos da terra, os sionistas israelenses”.

2. – “O sionismo é um tipo de egoísmo coletivo. Para nós, tudo. Para os outros, nada. Caracteriza-se pela estupidez, pela superficialidade e por um maximo de brutalidade, como se pode constatar hoje sem dificuldade. Em Gaza, a maioria de seus 1,5 milhão de habitantes é de refugiados e seus descendentes, expulsos de cerca de 350 cidades e vilarejos palestinos, que foram riscados do mapa por grupos terroristas judaicos, como o Irgun, o Haganá, a gangue Stern e, posteriormente, pelo Exercito israelense”.

3. – “Apesar de ser outro pais, Israel controla o espaço aéreo de Gaza e suas fronteiras terrestres e maritimas. Nada nem ninguem entra ou sai de Gaza sem sua anuência. O que os brasileiros fariam se tivessem fechado uma área sua por mais de um ano, sem deixar entrar alimentos e medicamentos, nem deixar a população entrar ou sair”? (“Folha”, 14-01-2009)

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MARCELO
Também na “Folha” (14-01-2009) Marcelo Coelho bradava aos céus:

– “Israel dissemina o terror numa população que nem sequer tem condições de fugir. O terror, a fome e a miseria criarão novos militantes, que nada têm a perder. Não sei o que acontecerá depois de Israel destruir tudo que existe em Gaza. Mas sei que cada criança morta ali é também um atestado da morte moral do Estado judeu”.

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