Só há “distritão” em quatro países: Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Pitcairn

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Bernardo Mello Franco
Folha

A Câmara começou a votar um novo pacote de mudanças na lei eleitoral. Entre as ideias em alta, estão a criação de um fundo para financiar as campanhas e a adoção do distritão. A lógica que rege as propostas é a mesma: facilitar a reeleição dos atuais deputados em 2018.

O fundo espantaria o fantasma que mais assombra os políticos depois da Lava Jato: ficar sem dinheiro para pedir votos. Preocupados com o veto às doações de empresas, os parlamentares decidiram espetar a conta no contribuinte. O orçamento para o ano que vem chegaria a R$ 3,6 bilhões. Ninguém falou em reduzir custos de campanha, claro.

IDEIA DE CUNHA – A outra novidade no forno é o distritão, que muda a forma como os deputados são eleitos. Seu maior entusiasta era Eduardo Cunha, sumido de Brasília por razões de força maior. Agora a bandeira está com Michel Temer. Ele orientou os aliados a provarem o modelo numa comissão especial, na madrugada de quinta-feira.

O distritão transforma a eleição para deputado numa disputa majoritária. O sistema enfraquece os partidos, reduz a representação das minorias e dificulta a renovação do Congresso. Quem ganha são os políticos com mandato e figuras conhecidas, como artistas e jogadores de futebol.

“Se o distritão for aprovado, sentiremos saudades do sistema atual, apesar dos seus problemas”, prevê o cientista político Jairo Nicolau, da UFRJ. “As chances de os atuais deputados se reelegerem ficará ainda maior. Com a dinheirama do fundo, será um ótimo negócio para eles.”

JAPÃO DESISTIU – A fórmula foi testada no Japão, que a abandonou depois de uma série de escândalos nos anos 90. “O sistema estimulou o clientelismo e a corrupção. Os partidos de lá estavam virando grandes PMDBs”, conta Nicolau.

Hoje o distritão só é adotado em quatro países: Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Ilhas Pitcairn, um simpático arquipélago de 56 habitantes. Antes de imitar o modelo afegão, nossos congressistas deveriam passar uma temporada em Cabul.

10 thoughts on “Só há “distritão” em quatro países: Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Pitcairn

  1. Podem mudar o sistema político para qualquer porcaria, distrital, distritão, distritinho, meu voto será NULO, é a minha revolta contra os poderes, executivo, legislativo e judiciário corporativista deste país, nunca mais voto em ninguém, CHEGA de ser enganado, se locupletam, saem ricos e o povo continua na miséria, todos os eleitores deveriam mostrar sua revolta.

  2. O dinheiro é usado para comprar o voto do povinho ignorante e corrupto que faz parte da quadrilha , só que , no escalão de baixo . Logicamente que o problema não está no sistema , mas sim , no eleitor .

    • Amigo Antonio
      Concordo contigo e tento aplicar a qualidade: voto facultativo e com base em direito conquistado.
      Num mundo em que se mistura necessidade de comer e viver com direito a voto por doação, se espera que a qualidade nasça do nada!
      Ter voto sem merecê-lo e sem valorizá-lo é facilitar o azar.
      Nossa sociedade foi educada pelos espertos à ser usada.
      O direito ao voto precisa ser conquistado e não ser recebido como um presente.
      Abraço e saúde.
      Fallavena

  3. Por muito tempo os índios foram donos de todas as riquezas do país. No entanto, se limitaram a caça e a pesca. Hoje, deixamos de pintar o corpo e o cobrimos por recato, mas continuamos o mesmo índio de antes. Se não mudarmos nossa cultura, continuaremos na mesma mé mé mé de sempre.

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