Só vai sobrar a paisagem

Carlos Chagas

Nem se fala da garfada que o Rio acaba de levar por conta dos royalties do petróleo extraído  de seu litoral. Trata-se de  roubo de verdade. O que dizer, porém, da decisão da Fifa, mancomunada com Ricardo Teixeira, de reservar para a antiga capital apenas um jogo da seleção brasileira, na Copa do Mundo? Dois, só se chegar à final. As obras de remodelação do Maracanã ultrapassam  um bilhão de reais, mas aos cariocas  garante-se uma apresentação  de nossos craques. Bem que o governador Sérgio Cabral protesta,  esbraveja e esperneia, mas pouco adianta. 
                                                       
Quando da transferência da capital para Brasília, mil promessas se fizeram a respeito dos cuidados que o Rio receberia, mas de lá para cá a cidade só fez sofrer e regredir. Precisou carregar nos ombros o antigo Estado do Rio, que deu um  prejuízo danado  ao extinto  Estado da Guanabara.  Perdeu indústrias, ganhou violência. Transformou-se no centro nacional do tráfico de drogas, sem produzir um pé de maconha ou um grama de cocaína. Transitar pelo subúrbios e pela Zona Sul virou aventura, constituindo-se em fantasia a tal paz nos morros, encontrada apenas nos cartões postais.

Valeria à pena a presidente Dilma dedicar parte de seu tempo planejando a recuperação do Rio, do qual, em breve, restará apenas a paisagem.
 
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O AEROPORTO FUNCIONOU SEM ELES

Os dois dias de greve dos aeroportuários de Brasília pouco prejudicaram  o funcionamento do Aeroporto Juscelino Kubitschek. Faltaram  funcionários,  mas os que ficaram conseguiram dar conta de despachar passageiros e bagagens. Sendo assim, ficou ainda mais estranha a supressão de sessões na Câmara dos Deputados, quinta e sexta-feira, para que Suas Excelências, na quarta, voassem para  seus estados, evitando o risco de permanecer na capital num único fim de semana que fosse. Vale repetir o espanto: fizeram greve para escapar da greve…
 
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AGORA OS ENFERMEIROS
 
Brasília foi muito injustiçada, até pouco, porque era chamada de a capital da corrupção quando, na realidade,  os corruptos vinham de fora, chegando nas  terças-feiras e indo embora nas quintas. Depois, políticos locais aderiram à lambança nacional e até senadores cassados e renunciantes tivemos, além de um governador preso. Só que a principal característica de Brasília, agora, é outra: virou a capital das greves.  Para a próxima semana está prevista a paralisação dos enfermeiros e dos policiais civis.  Hospitais e delegacias funcionarão apenas para casos de urgência.

A gente fica pensando se é por causa de a cidade hospedar  o governo federal ou por conta de o governo local não cumprir suas promessas de campanha, mas a verdade é que viver em Brasília tornou-se um risco.
 
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AMEAÇA FUTURA

No PMDB continua a má-vontade diante do palácio do Planalto. As nomeações para o segundo escalão do governo não Saíram como o partido esperava e, pelo jeito, nem vão sair. Sendo assim, nas lideranças parlamentares ouve-se com frequência uma ameaça  superior àquela banal, de não votar os projetos de interesse oficial. Do que se fala é da possibilidade de ser rompida a aliança com o PT, em 2014. O PMDB lançaria  candidato próprio à sucessão presidencial, independente de os companheiros optarem pela reeleição de Dilma Rousseff ou pela volta do Lula.  O problema é saber quem.

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