Sob o comando de Maia, quatro partidos devem se unir e retirar as candidaturas

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PTB já se decidiu, porém Maia não quer apoiar Alckmin

Bruno Góes, Catarina Alencastro e Jeferson Ribeiro
O Globo

A dois meses do início das convenções partidárias, um bloco de quatro partidos surgiu em Brasília, sob o comando do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e começa a dar sinais concretos de que poderá caminhar unido até outubro em prol de um candidato que tenha chances reais de vitória. Esse grupo reúne DEM, PRB, PP e Solidariedade. Três dessas legendas já lançaram pré-candidatos, que, com isso, ficam mais perto de desistir de suas campanhas.

Na segunda-feira, o presidente Michel Temer seguiu o mesmo movimento. Para ele, o lançamento de múltiplas candidaturas de centro terminaria por levar todo o bloco à derrota. Em entrevista ao blog do jornalista Gerson Camarotti no G1, Temer disse ter alertado o ex-presidente Fernando Henrique para o risco da fragmentação do centro. Para o presidente, se os partidos desse campo tiverem oito a nove candidatos nas eleições, “certamente” nenhum vencerá.

O Globo ouviu dez lideranças — entre presidentes e integrantes de executivas partidárias — das legendas envolvidas nas negociações. Em meio a um emaranhado de interesses pessoais, surge a conclusão de que o “centrão” estaria mais próximo hoje de fechar uma aliança em torno da pré-candidatura do tucano Geraldo Alckmin — a disputa entre os partidos estaria no direito de indicar o vice ao tucano.

O movimento de aproximação ganhou força na semana passada, depois de Maia reunir lideranças do DEM, PRB, PP e do Solidariedade para um jantar. Ao analisar as pesquisas eleitorais, o grupo, que tem atualmente três pré-candidaturas ao Planalto — Rodrigo Maia (DEM), Flávio Rocha (PRB), Aldo Rebelo (Solidariedade)—, fechou um acordo para que os partidos decidam juntos a apoiar o candidato mais bem posicionado no campo de centro. Alinhado a esse propósito, o PR deve decidir hoje se vai incorporar-se formalmente ao bloco.

TEMER DE FORA? – O período de convenções partidárias começa em 20 de julho. Até lá, o número de pré-candidaturas deve seguir a tendência de redução registrada nos últimos dias. Além da desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (PSB), Temer confirmou a aliados que não disputará a reeleição. A dúvida é se o ex-ministro Henrique Meirelles conseguirá pavimentar sua candidatura no PMDB.

Na semana passada, O Globo publicou um levantamento feito com 20 diretórios peemedebistas em que pelo menos 13 admitiram a possibilidade de apoio a Meirelles.

Dono da sétima bancada na Câmara, com 39 deputados, o PSD do ministro da Ciência, Tecnologia Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, está quase fechado com Alckmin, embora o empresário Guilherme Afif ainda se apresente como um pré-candidato da legenda.

ALIANÇA – “Continuo defendendo um esforço dos partidos pela construção de uma aliança em torno de um mesmo nome. Hoje, meu sentimento (em relação às conversas) é que esse nome é Geraldo Alckmin” — disse Kassab ao Globo.

Na mesma linha, o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, após fazer discussões internas, declarou ontem sua opção pela candidatura tucana. “Nós estamos muito fechados com o Alckmin. Nós vamos com ele porque estamos passando por um período em que o mar está revolto. Alckmin é um marinheiro que tem experiência. Um homem de centro, limpo” — disse Jefferson.

MAIA DESISTIRÁ – A decisão do PTB deve ser seguida por outros partidos, como o próprio DEM. Ontem, integrantes da cúpula da sigla disseram ao GLOBO que a legenda deve aguardar até 15 de junho para que Maia retire sua pré-candidatura e libere a negociação com os tucanos. Um dos principais integrantes da cúpula do DEM defendeu a aliança com os tucanos.

“Consideramos a candidatura de Alckmin a mais viável no momento. Ele tem um ativo importante, que é São Paulo. Tem dois candidatos ao governo (João Doria, do PSDB, e Márcio França, do PSB). Não tem como fazer menos que entre 30% e 40% dos votos lá. Tem chance” — disse um parlamentar do DEM, sob a condição do anonimato.

FLÁVIO ROCHA – Apesar de a composição ser a proposta mais consolidada nas negociações em curso, publicamente, como o próprio de DEM de Rodrigo Maia fará, alguns partidos continuarão com o discurso de candidatura própria até meados de junho. Com 20 deputados na Câmara, o PRB, por exemplo, continuará sustentando o nome do empresário Flávio Rocha, que tem figurado como postulante a vice.

“Apresentei a proposta de união entre os partidos. Quem estiver melhor, lá na frente, vira cabeça de chapa. Não vamos levar em conta só intenção de voto, mas também a menor rejeição. Esse alinhamento no centro seria bom. Vamos continuar a conversar” — disse o pastor Marcos Pereira, que comanda o partido.

CIRO SE MEXE – Para além das negociações em torno da candidatura do PSDB, um grupo minoritário de partidos do centrão vem conversando com o candidato do PDT, Ciro Gomes. Para essa ala, o nome do pedetista teria mais condições de conquistar o eleitorado do Nordeste. Ciro vem conversando com líderes do PP e do PR. É esse contato que vem dificultando, por exemplo, uma definição no PR.

“É preciso esperar para que as pesquisas indiquem quais candidatos têm chances de vencer” — diz o líder do partido da Câmara, José Rocha.

As conversas se dão com base em um quadro de alta volatilidade, no qual potenciais candidatos ficarão pelo caminho. As próximas semanas serão cruciais para o amadurecimento das articulações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria requer tradução simultânea. A confusão é geral, o mercado livre das coalizões está fervilhando, mas sem definição, à espera de identificar o candidato de centro que tem mais castanhas para vender, como se dizia antigamente. Jefferson estava apoiando Temer, agora passou para Alckmin, amanhã ninguém sabe o que fará. O mais importante é que Maia não quer apoiar Alckmin, porque sabe que o picolé de chuchu vai derreter antes da eleição. (C. N.)

8 thoughts on “Sob o comando de Maia, quatro partidos devem se unir e retirar as candidaturas

  1. Já tá cumbinado o corone e o xuxu, vão sair no mesmo bloco, o pt com o lula puxou o rodo no ciro e o psdb tá na taba da berada, não restou outra opção para fazer frente para um sonhado segundo turno que pode não vir se não se unirem, agora o ranca rabo vai ser a definição de quem e retaguarda de quem.

  2. Seis líderes europeus apoiam Lula e pedem sua participação nas eleições

    Seis ex-chefes de Estado e de Governo da Europa pediram nesta terça-feira (15) que o ex-presidente Lula, possa ser candidato à Presidência nas próximas eleições, de acordo com a agência de notícias EFE. Entre eles, estão o espanhol José Luis Zapatero e o francês François Hollande.

    No texto, Zapatero, Hollande, os italianos Massimo D’Alema, Romano Prodi e Enrico Letta, e o belga Elio di Rupo afirmaram que “a luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos a escolher seus governantes”.

    “A prisão precipitada do presidente Lula, incansável artífice da diminuição das desigualdades no Brasil e defensor dos pobres, só pode suscitar nossa comoção”, destacaram.

    Os líderes também foram unânimes em demonstrar “uma séria preocupação”, em relação ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, “democraticamente escolhida pelo seu povo e cuja integridade jamais foi posta em interdição”.

    Diante desse quadro, apelaram “solenemente para que o presidente Lula possa concorrer livremente perante o sufrágio do povo brasileiro”. O manifesto recebeu o título de “Chamada de Líderes Europeus em apoio a Lula”.

    https://goo.gl/5SM46J

  3. Pesquisas fortalecem Lula e candidatura é juridicamente viável. Entenda
    Enquanto processos não chegarem a instâncias superiores, ex-presidente preserva todos os seus direitos políticos. “Até adversários acreditam que condenação será revista”, diz Gleisi
    por Redação RBA publicado 14/05/2018 14h05, última modificação 14/05/2018 18h07
    JOKA MADRUGA/AGÊNCIA PT
    Gleisi
    Gleisi: ‘Lula está com seus direitos políticos intactos’
    São Paulo – A direção do PT pretende remover qualquer tese relacionada a um suposto “plano B” do partido para a disputa presidencial. Líder com folga em todas pesquisas de intenção de voto recentes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê crescer, mesmo aprisionado, o sentimento de injustiça em relação a sua condenação. Segundo pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (14), Lula tem 32,4% das preferências. O Poder Judiciário tem a confiança de 6,4% dos entrevistados (89,3% acham o Judiciário pouco ou nada confiável). E mídia tem a confiança de apenas 5%.

    A presidenta nacional do PT, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann, recebeu aval do ex-presidente Lula para falar em seu nome e comandar a montagem da campanha presidencial. A indicação da pré-candidatura foi feita de maneira unânime pelo partido em 25 de janeiro, um dia depois da condenação política do ex-presidente pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre).

    Na ocasião, o advogado Luiz Fernando Pereira, especialista em legislação eleitoral, já afirmava que não há como impedir antecipadamente o registro da candidatura, que será feito em 15 de agosto. Segundo ele, a condenação criminal diz que a suspensão dos direitos políticos só tem efeito depois do trânsito em julgado. “Ou seja, o presidente está em pleno gozo dos direitos políticos. A chance vai depender do que vai acontecer de hoje até o momento do registro da candidatura”, argumentou Pereira.

    Segundo o especialista, mais de 140 candidatos a prefeito em 2016 disputaram eleições sob efeito de condenações inconclusas e muitos deles conseguiram assegurar sua posse após o trânsito de seus recursos.

    Na sexta-feira (11), durante ato na Vigília Lula Livre, e Curitiba, Gleisi reforçou que “Lula está firme, disposto e manda avisar que é candidatíssimo”. A presidenta do PT reiterou ainda as garantias legais que asseguram a candidatura do ex-presidente.

    “Lula está com seus direitos políticos intactos. A Constituição só suspende os direitos políticos de uma pessoa se o julgamento em que foi condenada for reafirmado na última instância, que é o Supremo Tribunal Federal. E isso não aconteceu com ele. Só o TRF4 que julgou”, afirmou a senadora. “Até os adversários dele acreditam que os recursos de Lula farão com que o processo seja revisto, quando for analisado o mérito.”
    Fonte: Rede Brasil Atual

  4. Falei há 2 meses que Lula será candidato (mesmo preso) e leva a eleição no primeiro turno. Temos que lembrar que o bolsa família sustenta muita gente (inclusive quem não precisa) e ninguém vai querer perder essa boquinha.
    O povo brasileiro tem os governantes que merecem.
    Ficamos aqui debatendo política, sendo que 99,9% da população não quer nem saber desse assunto.
    Simplesmente votam em troca de cesta básica ou 1 saco de cimento.
    Triste verdade.

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