Sob tutela militar, Nelson Teich nega interferência do governo: “Eu sou o líder de um grupo”

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

André Borges
Estadão

 O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que a nomeação de militares para atuarem diretamente na cúpula do Ministério da Saúde não significa uma interferência direta do governo na pasta, mas uma resposta à necessidade de execução de trabalho em curto espaço de tempo e de forma organizada.

“Eu sou o líder de um grupo que é composto por vários secretários. Meu papel é de liderança e de execução. Essa é a minha parte”, disse Teich. Foi um gesto de autodefesa. Apenas na gestão Teich, cerca de 10 militares já receberam ou devem ganhar cargos na pasta.

ALA MILITAR – Como informou o Estado nesta quarta-feira, dia 6, a equipe de Teich no ministério tem recebido nomes indicados pela ala militar para cargos estratégicos. As mudanças já começaram e vão se estender pelos próximos dias. Secretários estaduais e gestores do SUS estão chamando de “tutela” do Palácio do Planalto e da área militar, que já tem o secretário executivo, o general Eduardo Pazuello, “número 2” na hierarquia da pasta.

“O secretário-executivo tem o papel de fazer as coisas acontecerem. Existem projetos, metas, ações e ele vai fazer com que isso aconteça da forma mais eficiente possível. Hoje um dos grandes problemas que a gente tem é velocidade, eficiência”, justificou Teich. “A vinda dos militares… O general Pazuello tem uma história de ter feito coisas grandes em execução, de fazer acontecer de forma rápida. A razão de ele estar ao meu lado não é porque ele é militar, é porque ele é competente nisso, é eficiente e tem um histórico de entrega.”

POLARIZAÇÃO – Nelson Teich disse que é preciso “evitar essa polarização se é um governo de militar ou não” e admitiu que mais nomeações de militares ocorrerão. “Os militares têm competências que são muito importantes, o planejamento do trabalho em equipe, uma coisa organizada, isso é importantíssimo”, comentou.

“Em relação às pessoas que trabalham com ele (Pazuello), ele vai escolher. E a equipe que ele está acostumado a trabalhar são pessoas que ele conhece, que ele convive e são militares. Ele, naturalmente, vai trazer essas pessoas. É uma questão de eficiência e de ter que entregar rápido.”

INDICAÇÕES – Ao anunciar o ministro, o presidente Jair Bolsonaro chegou dizer que daria liberdade para o médico escolher parte da equipe, mas reconheceu que também indicaria nomes. “Ele vai nomear boas pessoas, eu vou indicar algumas pessoas também, porque é um ministério muito grande. Foram sugeridos nomes sim, para começar a formar um ministério que siga a orientação do presidente de ver o problema como um todo e não uma questão no particular”, afirmou o presidente em 16 de abril.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAntes mesmo de Teich assumir a pasta, Bolsonaro já havia deixado claro que escalaria militares para compartilhar a gestão da pandemia. Tutelado por fardados, Teich não repetiria o “incômodo” provocado por Mandetta ao assumir um eventual protagonismo. (Marcelo Copelli)

13 thoughts on “Sob tutela militar, Nelson Teich nega interferência do governo: “Eu sou o líder de um grupo”

    • Caíram em armadilha? Depois de 16 meses de tantos truques de dissonância cognitiva é meio complicado acreditar em ingenuidade dessa gente.

      Pode ser que tenham dado uma de “espertões” e o filme queimou. Restaria afirmar que foram “vítimas de armadilha”.

  1. Gabriell Neves, subsecretário executivo de Saúde do governo Witzel foi preso hoje por inúmeras e milionárias suspeitas de fraude e superfaturamento em compras. Ele assumiu este cargo em 3 de fevereiro, vejam só quase anteontem, e foi exonerado em 14 de abril. Só ficou dois meses e os contratos questionados somaram R$ 1 bilhão, entre compra sem licitação de respiradores, máscaras e testes rápidos.

    O advogado dele disse dias atrás: “As compras eram determinadas pelo secretário Edmar ou com anuência dele. Outras pessoas também poderiam, eventualmente, demandar uma necessidade. Mas tudo era feito em consonância com o secretário. Ele avalizava o que era solicitado pelos quadros técnicos”.
    E o Sr. Edmar Santos responde a quem?

    Na semana que antecedeu a exoneração de Neves, Witzel demitiu a subsecretária estadual de Gestão da Atenção Integral à Saúde, a médica Mariana Tomasi Scarduva. Ela discordava da atuação e das “compras” de Gabriell Neves.

    Wírus Witzel no centro do imbróglio e na mídia…notinhas e cricrilar de grilos.

    Nestes 3 parágrafos que escrevi tem mais informações do que em todas as superinformativasglobaisensacionais mídias que nos enganam cotidianamente.

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