Sobre as eleições de 2014

Carlos Chagas

Dos 195 milhões de habitantes no Brasil,  perto de 120 milhões estarão aptos a votar, ano que vem. Com toda certeza a reforma política, se vier mesmo  a ser feita, deixará de contemplar a proposta do voto facultativo. Votar continuará sendo obrigatório. A pergunta que se faz é sobre a   parte do eleitorado que deixará de cumprir o seu dever.  Dividem-se as opiniões a  respeito das consequências das manifestações  de rua contra  governantes e dos protestos contra a corrupção.

Para muitos, a saída será boicotar a votação, tornando impossível à Justiça Eleitoral punir  ausentes, caso seu número ultrapasse as expectativas, sem contar também com o voto em branco.  Outro grupo tentará demonstrar a importância do voto capaz de discriminar os políticos profissionais, optando por uma renovação profunda das atuais representações.  Dizem os cautelosos que entre os dois extremos surgirá   um resultado nem totalmente   contrário aos políticos profissionais nem em condições  de confirmar a  conclusão de que tudo terá mudado. É possível que o voto gaiato cresça, como  as abstenções,  mas também  é certa a  recondução de boa parte dos que hoje recebem a repulsa generalizada da população. Um suma, como se dizia nos tempos da criação da Loteria Esportiva, deve dar coluna do meio.

Os partidos andam preocupados, pois serão os mais atingidos, por isso agarram-se  a determinadas sugestões que a referida reforma política poderá refrescá-los, como a votação para deputado em listas  elaboradas pelas cúpulas partidárias ou o financiamento público das campanhas, proibidas as doações privadas. No primeiro caso, funcionarão as oligarquias. No outro, uma fiscalização desde já considerada inócua, pois por baixo do pano as contribuições de grupos econômicos  permanecerão acontecendo.

Mudanças no comportamento do eleitorado virão, mas jamais a ponto de virar o país de cabeça para baixo.  Com sorte,  a  corrupção cairá na  defensiva, mas nem de longe poderá ser considerada extirpada, nem do processo eleitoral nem do exercício dos futuros mandatos adquiridos. O Brasil  é esse mesmo, sem a perspectiva de milagres.

TEMPO PERDIDO

Indaga-se por que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, decidiu que apenas dia 14 começarão a ser examinados os embargos dos réus do mensalão. Significa que a  semana em curso passará em branco, no que se refere à ida dos mensaleiros para a cadeia? Nem  tanto. O adiamento reflete a situação interna na mais alta corte nacional de justiça.

Apesar de a movimentação nas ruas funcionar como sentença adicional para os já condenados à prisão, deve estar havendo discordâncias entre os onze ministros. Examinar um  a um os embargos declaratórios, e depois os infringentes, será estender o julgamento até o final do ano ou mais, admitindo-se o dito pelo não dito até agora. Mas rejeitar liminarmente os recursos poderá constituir-se num atentado ao Bom Direito. Esta semana, então, continuará sendo de conversas ao pé do ouvido, no Supremo.

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3 thoughts on “Sobre as eleições de 2014

  1. Sr. Chagas, analise perfeita, lamentavelmente no Brasil, não se pratica POLÍTICA, e sim “politicagem”. Nossa Esperança é que 05 de outubro de 2014, a renovação seja total e irrestrita, nos executivos e legislativos,o sistema político, com eleitos “à reboque”, Dr. Eneas, rebocou quantos!?, senadores sem voto nenhum, representam quem??. Que o “Zé e Maria Povinho, tomem consciência do significado do VOTO em suas vidas.
    Democracia no Brasil é uma farsa com o VOTO OBRIGATÓRIO, podemos dizer sem medo de errar: DEMOCRADURA- osmose de Democracia com Ditadura.
    A Esperança é a última que morre, Ela está na UTI, cabe aos Drs. “Zé e Maria” salvarem, DIZENDO NÃO COM O VOTO, forma pacifica de mudança, a todos os que estão no PODER. POR UM BRASIL SÉRIO E JUSTO!!. Como disse o Papa Francisco, Jovens, “transformem seus sonhos em realidade”, mostrem a seus PAIS, seus “SONHOS” de um Pais decente e JUSTO, que depende deles!!.

  2. Sr Chagas,

    Acho que perdi a coluna com o comentário sobre o metrôduto dos governos de SP. Que dia que saiu?? Também não tenho visto comentários sobre a sonegação de impostos da Rede Globo. O Sr também não viu nada??

    Abração, viu?

    Mário Juliano Silqueira Souto.

  3. Sr. Carlos Chagas,ótimo artigo.
    O Brasil está na contra-mão das melhores democracias do mundo. Voto obrigatório com punição para quem não vota, é o cúmulo da imbecilidade.
    Enquanto isto, coisas mais graves acontecem neste país da era da mediocridade, e cadê as punições?!
    Os recursos do mensalão, já vai completar um ano e só vejo muito bláblá.
    O José Dirceu, frequenta com assiduidade, o blog do Noblat, com artigos,geralmente,destratando as pessoas, inclusive,os membros ministros do STF.Pode um negócio desse?

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