Sobre partidos e ministérios

 

Carlos Chagas

Os políticos  contra-atacam! Já são 32 os partidos,  a maioria deles sem a menor representatividade. Sem programa, também, sem líderes e até sem sede ou logotipo. Anda fascinante a queda de braço entre eles, os políticos, e o governo Dilma, que por enquanto ganha por sete pontos: os ministérios são 39, muitos também inócuos, insossos e inodoros, daqueles que nem se sabe o nome dos ministros.

O direito de livre organização é constitucional, desde que cumpridas as exigências da lei. O problema está na proliferação de partidos,  boa parte deles de aluguel. Comprovação registrou-se ontem no Congresso, com deputados dispondo-se  a entrar no Solidariedade e até no Pros sem jamais indagar sobre suas diretrizes e objetivos. Apenas atrás de legenda para  poder candidatar-se ano que vem, sem o risco da perda de mandato ou da quarentena para quem se dedica ao troca-troca.

Ganha uma passagem de ida para a Síria ou para o Quênia quem conseguir decorar a sigla de todos os partidos nacionais. À exceção de uns poucos, sete ou oito no máximo, os demais são liderados por doidos ou por vigaristas.  Dá no mesmo,  porque todos vendem tempo na televisão e  vagas para candidatos, ao tempo em que desviam para suas contas particulares fatias maiores ou menores do fundo partidário. Ano que vem, com a abertura das campanhas eleitorais, estarão atrás de empresas privadas e públicas para financiá-los.

Discute-se há décadas  a  tal cláusula de barreira, que os mais educados chamam de cláusula de desempenho. Pela proposta, só poderiam funcionar partidos que tivessem recebido um determinado número de votos, distribuídos por um certo numero de estados, nas eleições para a Câmara Federal. Com maior ou menor rigor na fixação dos algarismos, sobrariam quatro ou cinco partidos. Quando essa medida profilática será aprovada? Nem no dia em que o sargento Garcia prender o Zorro.

Também, nos intermináveis debates sobre a  reforma política, já se aventou a hipótese de redução, por lei, do número de ministérios. Seria uma invasão do Legislativo nos negócios do Executivo. Mas que caberia à presidente Dilma reduzir sua equipe, nem se discute. Como no caso dos partidos, há ministérios superpostos, redundantes e desnecessários.

EMBARQUE E DESEMBARQUE

Por falar no ministério, supõem-se que entre treze e dezesseis ministros, dos 39 atuais, venham candidatar-se nas eleições de daqui a um ano. Eles teriam até abril para desincompatibilizar-se, mas tudo indica que a presidente Dilma aproveitará o final do ano para as despedidas. Poderia entrar em 2014 com a equipe renovada e, se possível, livre da imposição dos partidos de sua base parlamentar,  que fazem dos ministérios por eles  ocupados verdadeiros feudos ou capitanias hereditárias. O problema está em  que a presidente é candidata à reeleição e precisa do máximo apoio partidário possível. Já perdeu o PSB, ainda que seus dois ministros não se tenham demitido. Não contará com o novo Solidariedade, de Paulo Pereira da Silva, e  talvez perca o PTB.

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