Sócias obrigam a Delta a abandonar a obra do Maracanã. É o começo do fim.

Carlos Newton

O império começa a desmoronar, antes mesmo da abertura da CPI do Cachoeira. A Delta Construções vai deixar até o dia 1º de maio o consórcio que faz a reforma do Maracanã, estádio que será palco da final da Copa do Mundo de 2014.

A decisão foi tomada pelas empresas que integram o consórcio, Odebrecht Infraestrutura (49%) e Andrade Gutierrez (21%). A Delta detinha apenas 30% do consórcio e terá de aceitar o alijamento, causado pelo escândalo do envolvimento da empreiteira no inquérito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Esse foi o primeiro grande golpe sofrido pela construtora de Fernando Cavendish – líder de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de obras no Estado do Rio de Janeiro -, desde que começaram a surgir denúncias envolvendo a empresa com o esquema de corrupção comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira.

O dono da Delta, Fernando Cavendish é um dos melhores e mais íntimos amigos de Sergio Cabral (chegaram a ser concunhados, durante curto espaço de tempo). O governador, que até tentou abortar a formação da CPI do Cachoeira,  está inconsolável com os problemas do empreiteiro, assim como o vice Luiz Fernando Pezão, que também se declarou amigo íntimo de Cavendish.

A reforma do Maracanã, cujo início se deu em setembro de 2010, foi orçada em R$ 700 milhões. Mas, em junho do ano passado, teve seu custo elevado para R$ 931 milhões, a partir de seu compromisso de construir toda a cobertura do estádio. Contudo, ele foi reduzido para R$ 859 milhões após o Tribunal de Contas da União constatar sobrepreço no orçamento. Com a saída da empreiteira, a conclusão da reforma prevista para o início de 2013 deverá atrasar.

Segundo a assessoria de imprensa da Delta, a empresa não irá se manifestar, por enquanto, sobre a decisão.

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