Sócio da Precisa diz à PF que braço direito de Pazuello cobrava a entrega da vacina Covaxin

Francisco

Maximiano já devia estar preso desde o primeiro golpe

Paulo Cappelli e Aguirre Talento
O Globo

O empresário Francisco Emerson Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o coronel Elcio Franco, então secretário-executivo do Ministério da Saúde e braço direito do ministro Eduardo Pazuello, fez cobranças pela entrega da vacina indiana Covaxin.

A Precisa assinou um contrato de R$ 1,6 bilhão com a pasta para fornecer 20 milhões de doses do imunizante fabricado pelo laboratório Bharat Biotech. O negócio entrou na mira da CPI da Covid por suspeitas de irregularidades.

PREÇO E RAPIDEZ – Dois fatos chamaram a atenção da comissão parlamentar: o preço de US$ 15 por dose da vacina indiana, o mais caro negociado pelo Ministério da Saúde, e o prazo recorde da celebração do contrato.

Mesmo tendo sido alertado pelo Itamaraty sobre “dúvidas” em relação à eficácia, à segurança e ao valor do imunizante, o governo brasileiro fechou acordo com a Precisa em 97 dias, enquanto com a Pfizer levou 330 dias; com a AztraZeneca, 123 dias; com a Sinovac, 154 dias; e com a Janssen, 184 dias.

Em seu depoimento, Maximiano negou irregularidades na negociação, disse que o preço de US$ 15 por dose da vacina, o mais caro contratado pelo Brasil, foi definido internacionalmente pelo laboratório indiano Bharat Biotech, responsável pela fabricação do imunizante. Ele afirmou ainda que coube à Bharat a elaboração de documentos de importação, que geraram suspeitas de irregularidades.

COM O CORONEL – A respeito de suas relações com o coronel Elcio Franco, disse o empresário: “Estive em reuniões no ministério pra discutir as questões da entrega. Ele era uma das pessoas que nos cobrava aí a entrega. Aliás, aquele era um momento em que todo mundo queria a vacina. Então conheço, mas sempre nas instalações do ministério, em agendas oficiais, devidamente identificado lá na portaria – afirmou.

A Covaxin entrou na mira da CPI da Covid após os senadores terem constatado que foi a vacina mais cara adquirida pelo Brasil, o quádruplo da AstraZeneca, por exemplo. A comissão parlamentar tenta apurar como a representante da fabricante no Brasil, a Precisa, lucrou com a transação avaliada em R$ 1,6 bilhão para fornecer 20 milhões de imunizantes e se houve repasses de vantagem indevida a agentes públicos. O contrato da vacina, que foi cancelado, também é alvo de investigação do Ministério Público Federal. Ao fim, nenhuma vacina foi entregue e nada foi pago.

MAIS EVASIVAS – Questionado sobre uma reunião em novembro do ano passado com o Ministério da Saúde, na qual houve previsão de que o preço da Covaxin fosse de US$ 10, Maximiano afirmou que não houve uma oferta da vacina naquela ocasião porque ainda não era possível saber qual seria o preço final do imunizante.

Maximiano foi questionado sobre a produção de três documentos “invoice” enviados ao ministério para dar início ao processo de importação, que continham erros e suspeitas de irregularidades, como a previsão de pagamento antecipado apesar de o contrato estipular que o pagamento só seria feito após entrega dos imunizantes. Ele afirmou que esses documentos foram produzidos pela Bharat e que não havia previsão de pagamento antecipado pelas doses do imunizante.

– Em nenhum momento passou pela nossa cabeça que alguém daria um visto e seriam creditados US$ 45 milhões na nossa conta, na conta da Bharat – disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pelo depoimento do empresário, fica claro que se trata de um homem santo, que visita a Índia como emissário de Madre Teresa de Calcutá, para salvar o pobres. Na verdade, é um tremendo cara-de-pau. Mas não pode ser condenado, porque o crime não se consumou. Mas já devia estar em cana pelo crime anterior, quando vendeu R$ 20 milhões em medicamentos, não entregou e ficou com o dinheiro, que inexplicavelmente lhe foi antecipado, e 14 pacientes do SUS morreram de imediato devido à falta dos remédios para doenças raras. (C.N.) 

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