Sonhar não é proibido e Dilma sonha em se libertar do PT

Carlos Newton

Em entrevista coletiva aos jornais na quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff foi taxativa; “Eu não represento o PT. Eu represento à Presidência da República. A opiniâo do PT é a opinião de um partido. Não me influencia, eu represento o país. Sou presidente dos brasileiros”.

Ela se referia, é claro, à manifestação da Comissão Executiva Nacional do PT, que esta semana aprovou uma lista de prioridades a serem adotadas pelo governo, incluindo a polêmica regulamentação dos meios de comunicação e outros temas de grande impacto – entre os quais a participação do partido na fixação da nova política econômica.

Dilma fez essa bravata diante dos jornalistas, e depois deu um grande coquetel no Palácio da Alvorada, recebendo ministros, parlamentares e governadores do PT, atuais e eleitos, para uma confraternização após as eleições de outubro.

RITMO DE FESTA

No coquetel, os petistas ainda desconheciam o tom libertário das declarações de Dilma. Segundo o repórter Paulo Victor Chagas, da Agência Brasil, que participou da festa, “as conversas foram informais e nenhum assunto específico foi discutido entre os presentes. Não houve discurso e Dilma se limitou a cumprimentar e conversar separadamente com seus correligionários, circulando pelas diversas rodas de políticos que informalmente se formaram”.

Mas ao final, o presidente do PT, Rui Falcão, deu entrevista e comentou a diferença entre as propostas de Dilma e do próprio PT sobre a aplicação de uma eventual regulação dos meios de comunicação. Segundo ele, o partido prioriza neste momento um projeto que pretende regulamentar o capítulo da Constituição Federal que trata da comunicação social. Disse que o primeiro item desse ponto deve ser a garantia da “mais ampla liberdade de expressão no país” e destacou que essa liberdade somente se concretizará quando houver “o fim de monopólio e oligopólio nos meios de comunicações”.

OPINIÕES DIVERGENTES

“O governo tem um ritmo e ela deve estar avaliando como se articula um projeto de tanta relevância, que encontra resistência, inclusive, em meios poderosos que se colocaram e se colocam contra nós. É natural que ela queira fazer uma consulta pública, ouvir mais”, disse Falcão, anunciando que vai promover na próxima semana uma série de reuniões, a partir de segunda-feira, para continuar atendendo às demandas dos integrantes do PT.

Traduzindo tudo isso: no tocante ao controle da mídia, Dilma quer uma coisa e o PT quer outra. Em vários outros temas polêmicos, a mesma dualidade se apresenta. Na verdade, Dilma sonha em se libertar do domínio do PT. Sonhar ainda não é proibido. Mas o partido não quer nem saber. Vai enquadrá-la, porque todos sabem que ela jamais se elegeu. Pelo contrário, foi eleita e reeleita por Lula e pelo PT. Se a vitória dependesse do carisma dela, o resultado teria sido outro.

E o pior é que Dilma não tem a menor autocrítica, acha que é a melhor governante do mundo. Recentemente, caiu no ridículo internacional, ao apresentar à ONU sua patética proposta de solução pacífica para a gravíssima crise do Estado Islâmico, mas continua fazendo a maior pose. E la nave va…

3 thoughts on “Sonhar não é proibido e Dilma sonha em se libertar do PT

  1. Caro CN … poucos se lembram ou sabem da FRENTE AMPLA … wikipedia:

    A Frente Ampla foi um grupo político reunindo Carlos Lacerda e seus antigos adversários Juscelino Kubitschek e João Goulart contra o Regime Militar de 1964 criado a partir de 1966.1
    Índice [esconder]
    1 Criação
    1.1 Declaração de Lisboa
    1.2 Nota conjunta
    2 Proibição
    3 Referências
    Criação[editar | editar código-fonte]
    As conversas com Juscelino, exilado em Lisboa, foram mediadas por Renato Archer, deputado do MDB, antes do PSD, e as conversas com Goulart, por Doutel de Andrade, do MDB, antes do PTB.
    Os militares da linha dura e dos conservadores ameaçaram retirar o apoio a Lacerda, caso ele continuasse os entendimentos com os dois inimigos do golpe. Ainda assim, em 28 de outubro, a Frente Ampla foi lançada com um manifesto, assinado somente por Lacerda, publicado na Tribuna da Imprensa, seu ex-jornal. O manifesto pleiteava eleições diretas, reforma partidária, desenvolvimento econômico e adoção de política externa soberana. O manifesto teve boa aceitação no MDB.
    Declaração de Lisboa[editar | editar código-fonte]
    No dia 19 de novembro de 1966, Lacerda e Juscelino emitiram a Declaração de Lisboa, onde afirmavam a intenção de trabalhar juntos numa frente ampla de oposição. Comprometeram-se com a orientação política do manifesto de 28 de outubro e conclamaram o povo a participar da formação de um grande partido popular. Lacerda passou então a buscar entendimentos com Goulart, com os setores mais à esquerda do MDB, chamados “corrente ideológica” e com o PCB ilegal. O PCB se dividiu em grupo favorável ao acordo, e outro grupo que acreditava que Lacerda seria o único beneficiado, já que Juscelino e Goulart estavam exilados.
    Já em 1967, através dos ministros Magalhães Pinto e Hélio Beltrão, passaram a tentar convencer Lacerda a abandonar suas posições e colaborar com o governo. Com a recusa de Lacerda e suas críticas públicas ao governo, em agosto o ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva proibiu a presença dele na televisão.
    Em 1 de setembro, se decidiu que a Frente Ampla seria dirigida somente por parlamentares e elementos ligados à Igreja e que seriam enviados emissários para mobilizar a opinião pública em torno dos ideais da frente ampla. No dia 2, porém, dos 133 parlamentares oposicionistas, 120 se recusaram a participar, por desconfiarem que a intenção de Lacerda era usar o movimento como base para sua candidatura à presidência.
    Nota conjunta[editar | editar código-fonte]
    No dia 24 de setembro Lacerda viajou para o Uruguai e no dia 25 se encontrou e divulgou nota conjunta com Goulart defendendo a Frente Ampla. O encontro teve Renato Archer como representante de Juscelino. O acordo com Goulart irritou a “linha dura”, que decidiu retirar o apoio a Lacerda. Também irritou Brizola, exilado no Uruguai, que emitiu nota condenando veementemente a atitude de João Goulart. Lacerda teria declarado: “Hoje está comprovado que Jango não é um homem do Partido Comunista nem eu dos Estados Unidos”. O acordo também teve oposição da família de Getúlio Vargas.
    A Frente começou a se aproximar do movimento estudantil e trabalhista, enfatizando a luta contra a política salarial. Promoveu comícios em Santo André, em dezembro, que se tornou a maior manifestação operária do Brasil até então, e em Maringá, em abril de 1968, reunindo mais de 15000 pessoas, com apoio do movimento estudantil.
    Proibição[editar | editar código-fonte]
    Em 5 de abril de 1968, a Frente Ampla definitivamente proscrita através da Portaria nº177 do Ministério da Justiça. Posteriormente, depois da edição do Ato Institucional no. 5, Carlos Lacerda teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos, em 31 de dezembro de 1968.”

  2. Carlos Frederico Werneck de Lacerda … Nascimento … 30 de abril de 1914 … Rio de Janeiro, Brasil … Morte … 21 de maio de 1977 (63 anos) … Rio de Janeiro

    João Belchior Marques Goulart … Nascimento … 1 de março de 1918 … São Borja, Rio Grande do Sul, Brasil … Morte … 6 de dezembro de 1976 (58 anos) … Mercedes, Corrientes, Argentina

    Juscelino Kubitschek de Oliveira … Nascimento … 12 de setembro de 1902 … Diamantina, Minas Gerais, Brasil … Morte … 22 de agosto de 1976 (73 anos) … Resende, Rio de Janeiro, Brasil
    … … …
    Morreram reconciliados … e continuou a RECONCILIAÇÃO com:

    Lei da anistia é a denominação popular da Lei n° 6.683, de 28 de agosto de 1979, foi promulgada pelo presidente Figueiredo em 28 de agosto de 1979, após uma ampla mobilização social, ainda durante a ditadura militar.

    E a reconciliação vai até Brizola e Figueiredo: 1982 – é eleito governador do Rio de Janeiro. Inicialmente defende a prorrogação do mandato do general João Baptista Figueiredo por mais dois anos, mas em 1984, após intensa pressão popular, passa a apoiar a campanha pelas Diretas-já.
    … … …
    DIVIDIR BRASIL NOVAMENTE … PARA QUÊ?

  3. Gostei, Moderador.
    No tom mais do que certo para o momento.
    É o próprio vale-tudo entre desesperados.
    Na minha modesta opinião, o corre-corre dos abestados e incompetentes, alucinados. atrás de qualquer tipo de fogareiro, na tentativa de encher o vazio balão do governo…

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