Sonhar não é proibido, e o Planalto sonha com 30 votos a favor de Dilma…

Charge do Sinovaldo, reprodução do Jornal VS

Mariana Haubert, Leandro Colon e Débora Álvares
Folha

Diante de um cenário previsível de derrota, a base do governo trabalha, numa conta otimista, para tentar chegar a 30 votos dos 80 senadores (o suplente de Delcídio Amaral não votará hoje) contra o processo de impeachment de Dilma, enquanto a oposição trabalha com até 56 por sua abertura. Basta maioria simples dos presentes para que Dilma seja afastada por até 180 dias e julgada por crime de responsabilidade.

Nas últimas 24 horas, senadores próximos ao Planalto não acreditavam em surpresa, ao contrário da votação na Câmara, em que havia na véspera esperança em salvar Dilma.

Levantamento feito pela Folha aponta que pelo menos 50 pretendem se manifestar pela admissibilidade.

Além de afastar a presidente, o placar desta quarta-feira vai indicar a tendência para a fase final do processo, que exige 54 votos para que ela seja condenada e deixe o cargo definitivamente.

FORA DO BARALHO

A própria presidente já declarou que são remotas as chances de retornar ao posto. “Se eu perder, estou fora do baralho”, disse, em recente entrevista no Planalto.

Aliados da petista no Senado consideram que só uma catástrofe política e econômica de um governo de Michel Temer seria capaz de mudar o quadro no Senado e abrir espaço para uma volta dela.

A sessão deve começar às 9h. Cerca de 65 senadores devem discursar, além do relator do processo, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quer realizar a votação por painel eletrônico às 19h, mas espera-se atraso por causa de discursos e questionamentos.

INTIMAÇÃO

Se a votação for concluída nesta noite, Dilma deve ser notificada na manhã desta quinta (12), quando então automaticamente se afasta. “Não quero colaborar com antecipação de etapa nenhuma”, disse Renan, ao ser questionado sobre o futuro da presidente. O Senado decidirá a estrutura presidencial que ela poderá usar durante o período do processo.

Alvo do impeachment em 1992, o ex-presidente Fernando Collor, agora senador pelo PTC-AL, estará na votação desta quarta, mas ainda não revelou seu voto.

A petista é acusada de editar decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso e de usar verba de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas “pedaladas fiscais”. Sua defesa entende que não há elementos para o afastamento.

JUDICIALIZAÇÃO

Ciente do cenário político praticamente irreversível, o governo procura o caminho da judicialização do caso. Nesta terça-feira, a AGU (Advocacia-Geral da União) recorreu ao Supremo Tribunal Federal pedindo, por meio de um mandado de segurança, a anulação do processo. O ministro Teori Zavascki vai relatar a ação.

Cardozo avisou que o mesmo deve ser feito após a votação dos senadores nesta quarta. “Até onde você vai [judicializar]? Até o fim”, disse.

Um dos argumentos da AGU é o que chama de “desvio de poder” por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como presidente da Câmara, na ocasião em que aceitou o processo contra Dilma em 2015.

GILMAR MENDES IRONIZA

O ministro do STF Gilmar Mendes desconsiderou a ação do governo. “Ah, eles podem ir para o céu, o papa ou o diabo”, disse, ironizando a visita da atriz petista Letícia Sabatella ao Vaticano, segunda-feira, para pedir ao Papa Francisco que denunciasse o “golpe” contra a presidente Dilma.

Outros juízes do Supremo defendem a não interferência na decisão do Congresso sobre o tema.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Planalto espera que haja 30 votos a favor de Dilma, o que significaria que podem ser alimentadas esperanças de reversão no final do processo, quando a presidente petista necessitará de 28 votos para voltar ao poder. Bem, sonhar ainda não é proibido. Veremos logo mais, ao final da primeira “votação nominal eletrônica” da História de nosso país, instituída pela criatividade de Renan Calheiros, a qual o Supremo costuma respeitar, sabe-se lá por quê… (C.N.)

9 thoughts on “Sonhar não é proibido, e o Planalto sonha com 30 votos a favor de Dilma…

  1. Agora já comecei a entender porque foram ao papa
    tomar informações a respeito da destituição da Dilma.
    O PT, devoto incondicional das boquinhas do setor
    público, foi ao “Santo Padre” saber como é que funciona esse negócio de PAPA EMÉRITO e se pode
    também transformar a Dilma em PRESIDENTA EMÉRITA, coisa que inclusive poderia ser do agrado do Michel Temer, afinal ficaria livre do rancor petista.
    Seria a alternativa para a guerra já declarada pelo PT, com a mobilização das tropas do Stédile Brancaleone.
    Seria a solução salomônica, abençoada pelo REI
    SALOMÃO JUCÁ, que mais uma vez sera figura de proa de mais um governo.
    Estarão mudando apenas a matéria fecal, pois as moscas, continuam as mesmas.
    Na próxima semana já deverá haver projeto de aumento de impostos, pois é só o que eles sabem fazer.

  2. O José Eduardo Cardoso, incansável criador de
    factóides jurídicos, bem que poderia também adicionar o Delcídio do Amaral na petição ao STF.
    Se o Cunha agiu por vingança no recebimento da
    denúncia contra a Dilma, que dizer da acachapante
    derrota que o senado impôs ao Delcidio.
    Não foi o fato dele ter feito delação premiada e
    dedurado uma parte dos senadores, que despertou o rancor dos colegas? Ou o espirito vingativo do Cunha, é diferente do senado?
    Como no juízo final, hoje haverá choro e ranger de dentes

  3. Sempre a ‘Foia’….

    Quarta-feira, 11/05/2016, às 09:40, por Gerson Camarotti
    Governo pessimista com relação à votação no Senado

    Avaliação feita nesta quarta-feira pela manhã pelo grupo mais próximo da presidente Dilma Rousseff demonstrou pessimismo em relação à votação da admissbilidade do impeachment no Senado.

    Senadores petistas repassaram ao Palácio do Planalto o temor de a oposição conseguir superar os 54 votos. Na sessão desta quarta, que analisará a admissibilidade do processo, são necessários 41 votos. Posteriormente, quando o Senado for analisar em definitivo o impeachment, o número mínimo para saída de Dilma é de 54 votos.

    Se a oposição a Dilma já chegar perto de 54 na sessão de hoje, esvaziaria boa parte da estratégia de resistência do governo com o provável afastamento, que deve ser definido pelo Senado.

    A grande preocupação de senadores da base governista é que atingindo os 54 votos, ou perto disso, o vice-presidente Michel Temer assumiria o comando do Palácio do Planalto interinamente com força política suficiente para barrar o discurso de oposição.

    A presidente Dilma Rousseff já ensaia um discurso, para o caso de ficar afastada, de crítica na política econômica que deve se adotada por Temer.

  4. O placar do jornal Estadão está em 50 a favor e 20 contra, num total de 70 senadores com voto já declarado. Ainda faltam 10 senadores para definir o voto. O senador Delcídio está fora

    A previsão é de que desses 10 senadores que estão “em cima do muro”, 7 votem a favor do impeachment e 3 contra.

    A média atualizada dos senadores favoráveis ao impeachment subiu um pouquinho (71%) em relação à média amostral inicial (70%) na contagem do Estadão: [50/70 = 71%]. Contudo se mantém em torno da média amostral inicial.

    A contagem das intenções de voto continua a apontar para as seguintes expectativas a serem verificadas no final da votação: 57 (70%) a favor e 24 (30%) contra.

    As abstenções devem ser computadas junto com os votos contrários ao impeachment.

    • O placar do jornal Estadão subiu para 50 a favor e 21 contra, num total de 71 senadores com voto já declarado. Ainda faltam 9 senadores para definir o voto. O senador Delcídio está fora

      A previsão é de que desses 9 senadores que estão “em cima do muro”, 7 votem a favor do impeachment e 2 contra.

      A média atualizada dos senadores favoráveis ao impeachment no painel do Estadão se mantém em relação à média amostral inicial (70%). Na contagem do Estadão: [50/71 = 70%].

      A tendência vai se confirmando.

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