STJ sofre pressão para libertar Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo

Tribunal terá de decidir os pedidos de habeas corpus

Vera Magalhães
Folha

Está avançada uma articulação de políticos de vários partidos, membros do governo, ministros do Superior Tribunal de Justiça e advogados da Operação Lava Jato para que o Superior Tribunal de Justiça conceda nas próximas semanas habeas corpus para os empreiteiros Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo, presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, presos desde junho em Curitiba. A expectativa dos que costuram a saída é que o STJ também critique a manutenção de prisões provisórias por tanto tempo.

A coluna ouviu detalhes da operação —que inclui políticos de PMDB e PT e ministros do governo Dilma Rousseff e do STJ— de três fontes: um integrante do Palácio do Planalto, um senador e um ministro da Esplanada.

Advogados haviam recebido garantia de que os habeas corpus seriam concedidos no recesso judiciário pelo STJ, mas isso acabou não acontecendo.

A mobilização para tirar o mais rápido possível os executivos da prisão se deve às ameaças, cada vez mais frequentes, de que podem dar detalhes sobre depósitos feitos no exterior para campanhas recentes.

OUVIR LULA

O relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, despachou na semana passada para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o pedido da Polícia Federal para ouvir o ex-presidente Lula num dos inquéritos derivados da investigação na Petrobras.

Janot terá de decidir se as justificativas do delegado são cabíveis, uma vez que Lula seria ouvido como testemunha, e não como investigado.

EM VÍDEO

O Ministério Público Federal se vale do fato de que os depoimentos de Julio Camargo foram todos gravados em vídeo para rebater a acusação da defesa de Eduardo Cunha de que o lobista foi coagido a acusar o presidente da Câmara de ter solicitado propina.

Os depoimentos em vídeo de todos os delatores estão no STF, sob sigilo. Mas se tornarão disponíveis caso o tribunal decida receber as denúncias contra políticos apresentadas ao longo das investigações pela Procuradoria-Geral da República.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO texto enviado pelo comentarista Wilson Baptista Jr. é revelador. Esta disputa de bastidores no STJ é da maior importância, porque vai mostrar se ainda há juízes em Berlim, digo, em Brasília. (C.N.)

9 thoughts on “STJ sofre pressão para libertar Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo

  1. Essa pressão era esperada, tendo em vista que a corrupção no Brasil contaminou todos os três poderes convencionais e cresceu tanto que se transformou em um quarto poder, o mais forte de todos.

  2. Torna-se necessário tirar urgente esses empresários da cadeia, quanto mais
    tempo for sua detenção, maior o perigo de falar algo mais. Tem muita gente
    graúda se cagando de medo.

  3. Qual o motivo desta turma de políticos estarem fazendo pressão ao STJ para dar o habeas corpus a Marcelo Odebrechet, será que estão receosos do que ele poderia falar na delação, este sujeito parece ter a certeza que não ficará preso muito tempo, porque este privilégio, outros tiveram cadeia e condenação, caso isto aconteça este STJ ficará desmoralizado perante a opinião pública, é a primeira vez que assistimos uma operação que não deu privilégio, prendeu, condenou e está fazendo uma limpa nesta CORRUPÇÃO desenfreada que chocou o país, espero que isto não aconteça.

  4. Tenho a impressão que no Brasil distinguem-se três classes sociais, no sentido de baixo para cima: a classe baixa, a classe média e a classe dos ladrões…

  5. Tenho a impressão que no Brasil distinguem-se três classes sociais, a contar no sentido de baixo para cima:
    A enorme classe baixa, a pequena classe média e a minúscula CLASSE DOS LADRÕES, assentada na elite dos três poderes que dividiu esta fazenda – e os contribuintes – em piquetes, cada um administrando um quinhão da mesma forma que os traficantes distribuem as bocas de fumo e dividem entre si o lucro do tráfico…
    Vistos de longe, parecem inimigos e concorrentes. Mas quando olhados de perto, todos são solidários e harmônicos entre si!

  6. Que pensem muito bem no que vão fazer os senhores ministros. Não se agride impunemente toda uma sociedade. Esses homens, presos, constituem um perigo pelo poder financeiro que têm. Imagine-se, então, soltos.Excelências, vamos olhar para o bem do Brasil. Pelo menos uma vez. Esta.

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