Sucateamento das Forças Armadas é denunciado na Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra

Carlos Newton

Incisivo, verdadeiro e emocionante – assim pode ser resumido o discurso do jurista Waldemar Zveiter, após almoço mensal da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), em que fez importantes denúncias, especialmente no tocante ao sucateamento das Forças Armadas.

O primeiro pronunciamento foi do presidente da Adesg, Pedro Luiz Berwanger, que falou sobre a importância da ação da Maçonaria brasileira em defesa da soberania sobre a Amazônia, hoje ameaçada pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos das Nações Indígenas.

Berwanger alertou que esse Tratado da ONU, assinado pelo governo brasileiro em 2007,  determina a independência política, administrativa e social das 206 etnias indígenas existentes no país, cujas reservas podem se transformar em países autônomos, se o Brasil realmente seguir os termos do acordo internacional.

Falando em seguida, Waldemar Zveiter, que é ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça e Grão-Mestre da Maçonaria no Rio, começou criticando o governo federal por ter enviado em 2005 ao Congresso o projeto 4.779/05, que permitiria a alienação de parte da Amazônia a empresas privados. A proposta foi encaminhada em regime de “urgência constitucional”, que dava à Câmara e ao Senado apenas 45 dias para cada um debater e aprovar a inovação.

Zveiter disse que naquela ocasião escreveu e publicou o livro “A Maçonaria pela Integridade da Amazônia em defesa da Soberania do Brasil”, que foi distribuído a todos os parlamentares e contribuiu para a rejeição do projeto.

Em seguida, o ex-ministro do STJ retomou a linha do discurso de Berwanger e chamou atenção para as ameaças à soberania brasileira na Amazônia. Lamentou então o progressivo sucateamento das Forças Armadas e os baixos salários dos militares, dizendo que hoje a remuneração de um general de cinco estrelas é inferior ao vencimento de um juiz iniciante, fato que considera injusto e até inconcebível.

Passou a analisar a situação dos equipamentos de cada uma das Armas, mostrando que Exército, Marinha e Aeronáutica não têm condição de defender os interesses e a soberania do país.  “A maior parte dos equipamentos está obsoleta. A Marinha só tem um porta-aviões, comprado de terceira mão, que nem sai ao mar”, lembrou, assinalando que os outros principais navios da Armada foram fabricados na época da Segunda Guerra Mundial.

Foi um discurso longo, que a platéia ouviu em impressionante silêncio, no salão do Clube da Aeronáutica. Sempre de improviso, Zveiter mostrou ser um experimentado orador e foi emendando uma denúncia à outra. Citou também a situação crítica do Exército, especialmente nas áreas de fronteira, sem condições de defender os interesses nacionais na Amazônia.

Depois demorou-se a apontar o sucateamento da Aeronáutica, que tem cada vez menos aeronaves em condições de voar. Indagou então pelos novos caças, que ninguém sabe quando realmente serão comprados, e perguntou até quando os Mirage poderão continuar em serviço. “E quantos Mirage existem. Oito, cinco?” – ironizou.

Ao final, criticou também a discussão do Código Florestal no Congresso sem que tivessem sido ouvidas as Forças Armadas nas questões relativas à Amazônia. Disse que isso mostra que os governantes brasileiros, além da permitirem a progressiva obsolescência dos equipamentos, também desprezam a valiosa opinião dos militares.

Ao encerrar o pronunciamento, Zveiter foi ovacionado, com todos os participantes da sessão se levantando para aplaudi-lo demoradamente.

 

Se algum parlamentar subisse à tribuna do Congresso para fazer um discurso nesses termos, certamente também seria ovacionado, mas cadê coragem?

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