Sucessão 2010: quadro indefinido

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa do IBOPE feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria aponta uma apreciação mais positiva em relação ao governo Lula do que o índice extraordinário de 66% para o patamar mais extraordinário ainda de 72 pontos. Relativamente a sua imagem pessoal é ainda mais alto vai a 83%. Para 59%, inclusive a vida melhorou e isso é fundamental para fixar qualquer conceito. Aliás –creio – mais um recorde mundial para o presidente Luis Inácio da Silva. O primeiro o de ser aquele que mais vezes disputou a presidência da república: cinco. Deixou em segundo Roosevelt e Mitterrand que concorreram quatro vezes. Mas esta é outra questão embora bastante significativa.

No que se refere à posição dos candidatos a sucessão do próximo ano, as posições básicas ainda não diferem muito em relação ao levantamento de Setembro do mesmo IBOPE.

José Serra avançou 3 pontos, atingindo 38%. Mas esta é a faixa na qual sempre oscilou, manteve, portanto, mas não ganhou espaço significativo possivelmente em face de ainda não se ter definido mais concretamente, abrindo uma perspectiva de algum grau de vacilação. Dilma passou de 15 para 17 degraus, evolução quase igual a do  governador de São Paulo. Ciro Gomes desceu de 17 para 13, uma descida forte, enquanto Marina Silva declinou de 8 para 6. Este índice é importante, pois esses 6 pontos iriam para a ministra chefe da Casa Civil, não estivesse a senadora do Acre entre os postulantes. Este é o cenário básico e lógico. Mas há um outro.

Substituído José Serra por Aécio Neves, Ciro assume a liderança com 20 pontos. O que revela ao mesmo tempo uma vantagem acentuada de Serra sobre o governador mineiro e também uma tendência de Ciro arrebatar boa parcela de votos do governador paulista. Detalhe importante, pois neste mesmo quadro Dilma sobe 2 degraus apenas, Aécio avança somente 1 e Marina Silva cai de 11 para 9%.

No que se refere às posições dos candidatos à sucessão as expectativas básicas não diferem muito em relação ao levantamento de setembro do mesmo Ibope. Os brancos e nulos que eram 31 em setembro subiram para 32 no final de novembro. Alteração mínima. Dilma Roussef ainda não teve sua imagem fixada à de Lula. Mas isto poderá acontecer e, é por isso mesmo, que o quadro permanece indefinido e até enigmático. Na verdade a campanha ainda não começou. Não está nas ruas. O potencial de Lula é extraordinário. Se transfere ou não para Dilma e em qual grau, eis a questão. Vai depender do desencadear dos fatos e de como os 120 milhões de eleitores vão se sensibilizar. A força dos programas sociais de Lula e sua expressiva capacidade de transmissão serão testados. Os responsáveis pela imagem da candidata já conseguiram, a meu ver, melhorar sensivelmente uma certa agressividade original. Ela já foi substituída por uma atmosfera mais suave, de uma cordialidade e naturalidade.

No final da questão, Serra, com 38 pontos pode estar batendo no seu teto. Por isso vai depender da adição que Aécio possa lhe proporcionar e de alguma transferência por parte de Ciro. Dilma depende só de Lula. Daí a indefinição. Se Lula transfere em votos o percentual em favor de sua imagem. A chave essencial da campanha situa-se exatamente neste ponto.

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