Sucessão 2014: quem irá ao segundo turno com Dilma?

Pedro do Coutto

Duas reportagens publicadas pela Folha de São Paulo, edição de 16 de abril, uma assinada conjuntamente por Márcia Falcão, Cátia Seabra e Fernanda Odila, outra por Fernando Rodrigues, focalizam o quadro básico que reúne os candidatos à sucessão de 2014, daqui a um ano e meio, portanto.

A presidente Dilma Rousseff, claro, tem lugar assegurado e, além da aprovação popular de seu governo, conta com o apoio natural do ex-presidente Lula. O senador Aécio Neves é o candidato natural do PSDB, contra a vontade de José Serra, que se empenha em obter outra legenda (PPS), sentindo que entre os tucanos perde para Aécio. Dificilmente conseguirá.

O deputado Roberto Freire, presidente do PPS, ao lançar as bases de um novo Partido, manifestou-se em favor da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que é do PSB, mas enfrenta no partido a resistência de Ciro e Cid Gomes. Há ainda a ex-senadora Marina Silva, lutando para criar uma legenda e candidatar-se novamente. Uma incógnita se conseguirá ou não. Ela quer disputar pela segunda vez. José Serra busca uma terceira chance. Muito difícil.

As matérias publicadas pela Folha de São Paulo funcionam como uma espécie de bússola política e iluminam o campo da sucessão presidencial. Nesse campo, evidencia-se o empenho, principalmente de Aécio Neves e Eduardo Campos, de chegarem ao segundo turno. Jogam com esta hipótese, pois quanto maior for o número de candidatos, mais difícil será que a decisão se dê no primeiro turno.

Em 2002, 2006, 2010, os desfechos exigiram segundo turno. Os sintomas apontam para que ocorra o mesmo em 2014. Dilma Rousseff, claro, está na final. Mas contra quem? Aí está o “X” do problema. A perspectiva, inclusive, anima mais o próximo pleito. Uma tentativa de reunir as oposições. Nada fácil de atingir. Porém sempre uma perspectiva. Sobretudo na política que, na bela imagem legada por Magalhães Pinto, é como a nuvem. Muda de forma e direção a qualquer momento. A candidatura Eduardo Campos, por exemplo, há um ano, parecia um sonho. Hoje, ameaça a posição de Aécio neves.

NA AVIAÇÃO, UM GOL CONTRA

A empresa aérea Gol, que, de acordo com reportagem de Ricardo Gallo, Folha de 15 de abril, operou no ano passado com um prejuízo de 1 bilhão e 500 milhões de reais, está estudando adotar um sistema de conceder bônus aos pilotos pela economia de combustível que conseguirem reduzir especialmente nas aterrissagens. A meta é economizar 700 toneladas de combustível (700 mil litros) por mês. A preocupação, entretanto, anunciou a empresa, é com a segurança. O anúncio , a meu ver, foi um gol contra a imagem da companhia.

Em primeiro lugar, especialistas acham a iniciativa controversa. Em segundo, criaria uma tensão maior nas tripulações na busca de um acréscimo salarial de no máximo 3,3%. Mas principalmente, acredito, como se trata, não de uma norma econômico-administrativa, mas de medida de emergência, só o anúncio de que poderá ser adotada influirá no movimento de venda das passagens. Cairá. Como é natural. E isso levará a Gol a ter de diminuir suas tarifas. A reportagem publicada já produziu efeitos. Contrários àqueles desejados. Porque o movimento financeiro de qualquer empresa ou entidade não possui somente uma face. De um lado, a despesa. De outro a receita. No meio a imagem pública que age sempre de forma decisiva no mercado. Foi um gol contra.

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