Supremo adia julgamento da ação que tira poderes do Conselho Nacional de Justiça no combate à corrupção.

Carlos Newton

Depois de um demorado intervalo, a pretexto de tomarem um lanche, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram no início da noite que não mais iriam julgar hoje a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros, para tirar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o poder de punir juízes por má conduta, sem que o caso tenha sido aprovado antes pela corregedoria do respectivo tribunal.

No intervalo da sessão de hoje, o relator, ministro Marco Aurélio, disse que não havia clima para julgar o caso. O tema, polêmico, já causou atritos entre a corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon, e o ministro Cezar Peluso, que acumula as funções de presidente do STF e do CNJ.

entrevista, a corregedora disse que há bandidos na magistratura, o que todos sabem, mas a declaração provocou uma nota de Peluso repudiando a afirmação e outra nota da Associação dos Magistrados do Brasil. Hoje, Eliana Calmon repetiu a declaração.

A expectativa é que seis ministros concordem com a AMB: o presidente Cezar Peluso, o relator Marco Aurélio Mello, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e José Antonio Toffoli. A favor da manutenção dos poderes do CNJ estariam Carlos Ayres Britto e Gilmar Mendes. Joaquim Barbosa concorda com a última tese, mas não deve participar da sessão por motivos de saúde. A opinião de Cármen Lúcia ainda é um mistério.

Traduzindo tudo isso: a pressão da opinião pública foi tamanha, na defesa da ministra Eliana Calmon, que o Supremo afinou, como se diz na gíria.

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