Supremo coloca em debate a censura, mas esquece completamente o que houve na Tribuna da Imprensa. Que falta de memória, hein?

Carlos Newton

Muito interessante o Fórum Internacional Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário, realizado sexta-feira passada na sede do Supremo, em Brasília, quando ministros, juristas e jornalistas defenderam a mídia como um dos alicerces da democracia e debateram assuntos de interesse da liberdade de expressão, como a necessidade ou não de uma nova Lei de Imprensa, e as decisões judiciais que ainda hoje impõem restrições à comunicação.

“Jornalista não é inimigo”, afirmou o presidente do Supremo, Cezar Peluso. “Ao lado de outros institutos, como eleições livres, a independência do Judiciário, o império da lei e a separação dos Poderes, a imprensa é um dos pilares do Estado Democrático de Direito.”

A censura ao Estadão, que está proibido de falar de Fernando Sarney, foi citada por palestrantes brasileiros e estrangeiros que participaram do evento. Em julho de 2009, o jornal foi proibido por um desembargador do Distrito Federal de divulgar informações sobre investigação envolvendo o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

“A censura judicial que (o jornal) sofre há quase dois anos representa, sem dúvida, uma mancha negra da imprensa na história do Brasil”, disse o diretor executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa, Julio Muñoz.

Muito interessante. Nenhuma palavra sobre os dez anos em que a Tribuna da Imprensa de Helio Fernandes foi o único jornal a sofrer censura prévia no país. Nenhuma palavra sobre o processo de indenização que a Tribuna move contra a União desde 1979, até hoje sem receber um níquel. Muito interessante.

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