Supremo quebrou sigilo de Renan Calheiros, que é a bola da vez

Renan quer proteção do Planalto, mas tudo tem limites

Thiago Bronzatto e Filipe Coutinho
Época

O presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, foi poupado do constrangimento de ser acordado por agentes da Polícia Federal batendo a sua porta na terça-feira, quando foi deflagrada a Operação Catilinárias. Mas duas operações diferentes, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Alagoas, chegaram perto de sua soleira, por investigar afilhados seus suspeitos de desviar dinheiro público. Um deles é Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, que assinou contrato com empresas que fizeram doações para o PMDB alagoano – do qual Renan é dono. O outro é Fabrizio Neves, sócio da gestora de recursos Atlântica, acusado de fazer negócios irregulares que causaram prejuízos ao Postalis, o fundo de pensão dos Correios, feudo do PMDB do Senado. ÉPOCA descobriu mais um fato que perturba Renan: o Supremo Tribunal Federal autorizou, no último dia 9, a quebra de seu sigilo bancário e fiscal no período de 2010 e 2014.

As evidências contra Renan são cada vez mais consistentes e graves. Não por acaso, na semana passada, após o susto de terça-feira, ele se posicionou ao lado da presidente Dilma Rousseff. Para demonstrar apoio, Renan fez duras críticas ao vice-presidente, Michel Temer, que acaba de romper com Dilma. Apesar de Renan estar encurralado por denúncias, seu apoio é valioso para Dilma, especialmente agora que o Senado ganhou poderes para arquivar o processo de impeachment. Em troca, Renan quer proteção.

NA TRANSPETRO

O petrolão é o escândalo que mais o assusta. Renan sustentou Sérgio Machado na Transpetro por 12 anos. De acordo com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, por meio de Machado, Renan recebia propina pelos contratos da Transpetro. Segundo despacho do ministro Teori Zavascki que autorizou a quebra do sigilo de Renan, obtido por Época, um dos pagamentos veio do contrato de R$ 240 milhões para a construção de 20 comboios de barcaças. A licitação foi vencida em agosto de 2010 pelo consórcio Rio Maguari, formado pelo Estaleiro Rio Maguari, pela SS Administração e pela Estre Petróleo.

Ao longo da concorrência, as empresas que viriam a vencer a disputa fizeram doações para a direção estadual do PMDB de Alagoas, cujo responsável é Renan. Em seguida, o diretório repassava o dinheiro para a campanha de Renan. “Constata-se que em 19 de julho de 2010 ocorreram duas transferências para a campanha de José Renan Vasconcelos Calheiros, ambas no valor de R$ 200 mil perfazendo-se o total de R$ 400 mil correspondentes aos valores depositados pelas empresas que fraudulentamente venceriam a licitação em comento”, diz o documento do ministro Teori.

FUNDO DE PENSÃO

Um dia após a Catilinárias, estourou a Operação Positus, que investiga o Postalis, fundo de pensão dos Correios com deficit de R$ 5,5 bilhões. No centro dessa investigação está Fabrizio Neves. Conforme Época revelou em maio de 2014, ele era ligado ao PMDB e aproveitava sua conexão política com Renan para desviar recursos do fundo de pensão para contas bancárias de empresas sediadas em paraísos fiscais De acordo com novos documentos obtidos por Época, foram realizadas ao menos cinco operações irregulares que geraram um prejuízo de R$ 61 milhões para o Postalis. Fabrizio colocou até a sogra na trapaça. Uma dessas transações foi feita por meio da empresa River Consulting, registrada nas Ilhas Virgens em nome de Mercedes Serruya Monteiro, que embolsou quase R$ 9 milhões, em valores atuais.

O esquema consistia em comprar no mercado papéis da dívida externa brasileira e revendê-los, em seguida, por um preço até 62% maior para o Postalis, segundo investigação da procuradora da República Karen Louise Kahn. Entre os que se deram bem também estão Adilson Florêncio da Costa, ex-diretor financeiro do Postalis, outro apaniguado de Renan, e Alexej Predtechensky, ex-presidente do fundo de pensão dos Correios ligado a Renan e ao senador Edison Lobão (PMDB-MA). Predtechensky, como revelou Época, tinha até conta em paraíso fiscal para receber propina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ainda na revista Época, uma nota do jornalista Murilo Ramos diz que procuradores da Lava Jato avançam na investigação envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o governador de Alagoas, Renan Filho. “A ida da Polícia Federal ao diretório do PMDB em Maceió, durante a Operação Catilinárias, na última terça-feira, está mais relacionada à apuração de fatos sobre o financiamento da campanha de Renan Filho ao governo que a problemas de seu pai”, diz Ramos. (C.N.)

4 thoughts on “Supremo quebrou sigilo de Renan Calheiros, que é a bola da vez

  1. O pedido de busca e apreensão na casa de Renan Calheiros visava procurar documentos que comprovassem participação do presidente do Senado em desvios na Transpetro.
    Investigadores que atuam no caso consideraram frágeis e sintéticas as razões do ministro Teori Zavascki para negar a busca.
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  2. Isso é mais um ato da ópera bufa de Brasília.
    Como todos criticam Janot, e o STF, por blindar os amigos da rainha, ele vem agora pedir a quebra dos sigilos para…não encontrar nada (pois renan não é bobo, já foi muito avisado quando negaram a vasculhação da sua casa nesta semana).
    Aí vão dizer: “Nós tentamos achar algo mas a figura é impoluta!” kkkkkkkkk
    Uma pena que a ópera deve terminar em março…após o carnaval, quando começar a cair a fatura do cartão de crédito ou quando seu Manuel começar a cobrar a caderneta atrasada.

  3. Quando chegará a vêz de Temer o “Ladrão de Casaca”? Esse é 500 vezes mais perigoso que Renan: Enquanto o rato dá uma volta ele dá vinte. Mas o rato deixa rastros ele não deixa.

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