TCU: obras da Copa podem até não ser concluídas até 2014

Pedro do Coutto

O Tribunal de Contas da União, no levantamento realizado sobre desempenho de administração do país no exercício de 2011, publicado integralmente no Diário Oficial de 28 de maio, sustenta já ter identificado situações não condizentes com o planejamento e o cronograma traçados. O relator da matéria foi o ministro José Múcio Monteiro e seu trabalho aprovado por unanimidade. Estamos falando da Copa de 2014.

Acentua que os atrasos podem resultar em custos adicionais para os cofres (leia-se para a população) e, até mesmo, levar a não conclusão de determinados projetos. Para evitar essas ameaças, o Tribunal tem encaminhado diversas determinações aos responsáveis (governo federal e governos estaduais) para que adotem as medidas adequadas.

A ampla atuação do TCU – prossegue José Múcio Monteiro – tem apresentado reflexos significativos. Por exemplo: a correção de problemas detectados contribuiu para uma expressiva redução de gastos, calculada aproximadamente em 500 milhões de reais. Isso, digo eu, até o mês de maio. Porque as obras prosseguem e os problemas também. Os atrasos são grandes, como inclusive a FIFA assinalou há menos de um mês.

Os custos das obras, incluindo construção e modernização de estádios, ampliação de aeroportos e portos, e os voltados para a mobilidade urbana, são muito altos. É natural que assim sejam. Sem dúvida. O Tribunal de Contas estima em R$ 3,3 bilhões para reforma e construção de estádios; 6,5 bilhões para os transportes urbanos; 6,1 bilhões para os aeroportos e 877 milhões para os portos.

Os investimentos são reprodutivos e destacam a imagem do Brasil no mundo. Uma Copa é assistida pela metade da população universal. Algo em torno de 3,5 bilhões de seres humanos. A previsão da despesa atinge 20 bilhões de reais. Acredito já ter sido ultrapassada.

O que não é nada natural é que as obras encontram-se atrasadas e não tenhamos superado o velho estilo brasileiro de deixar tudo para a última hora. Afinal de contas, a FIFA escolheu nosso país, como sede da vigésima Taça, exatamente no dia 30 de outubro de 2007. Já se passaram quase cinco anos e estamos custando a acelerar projetos que foram previamente efetuados. Por quê? Neste ponto quaisquer explicações tornam-se sombrias. Dinheiro não falta. Apoio popular muito menos.

A resposta só pode estar em lances visando a superfaturamentos. Aliás, como disse Múcio Monteiro, alguns identificados pelo Tribunal. Faltam, até hoje, os nomes dos responsáveis pelas tentativas. Obstáculos existem. Veja-se o caso da Delta Construções, que teve que deixar a parceria com a Odebrecht e Andrade Gutierrez e se afastar das obras do Maracanã, estádio Mário Filho.

É indispensável, para se formar uma opinião, confrontar os prazos e os preços. A escolha do Brasil foi ratificada com sete anos de antecedência. Nada justifica o não cumprimento dos cronogramas. A escolha do país para sediar a Copa de 50, a primeira do após-guerra, aconteceu em 1947, um ano antes das Olimpíadas de Londres.

A construção do Maracanã, que Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, no Jornal dos Sportos chamava de Gigante do Derby, foi iniciada em fevereiro de 48. Explico: Gigante do Derby porque no local funcionava no passado o antigo Derby Club até a construção do Hipódromo da Gávea. Iniciativa do Histórico empresário Lineu de Paula Machado.

Mas na realidade, em 48, o Derby já havia sido substituído pelo 1º Batalhão de Carros de Combate. O prefeito do Rio era o General Mendes de Moraes que efetivou permuta de áreas municipais com o Exército. Mas esta é outra questão.

O essencial, em termos de Copa de 2014, é tocar firme as etapas em atraso e bloquear as investidas de corrupção. Que, aliás, são eternas. Assim como os diamantes. Desafio para a presidente Dilma Rousseff.

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