E a OTAN quer se estender pelo Atlântico Sul…

Profª Guilhermina Coimba

Como se sabe, o Brasil pretende vir a ocupar assento no Conselho de Segurança da ONU, mas o embaixador Guilherme de Aguiar Patriota, diplomaticamente, informou que a questão não consta dos objetivos prioritários do Brasil.

E nem pode constar, haja vista que o Conselho do qual se trata tem se caracterizado por advogar e julgar, sem contraditório, os interesses das empresas de onde são nacionais os seus membros.

Quanto à defesa da ingerência de terceiros na Síria, onde, segundo uma das conferencistas, as forças estrangeiras estariam apenas como observadores dos que estão impondo a paz – lembramos os observadores brasileiros na ONU, os quais relatam o apoio da população síria ao governo deles. Vox populi, vox Dei, é de se estranhar a ingerência.

O representante da OTAN defendeu a necessidade da Organização do Tratado do Atlântico Norte estender sua proteção ao Atlântico Sul. Exatamente, como na XVIII Conferência sobre o tema do qual se trata, o representante da OTAN deixou bem claro que, em caso de conflito entre os signatários do Tratado e os não-signatários, a OTAN se posicionaria a favor dos signatários.

O único comentário que nos ocorre é a lembrança dos diversificados países europeus – principalmente dos Nórdicos – nas quais, em diversificadas ocasiões, encontramos cartazes e mais cartazes com o “No Otan!”. Não há argumento que justifique acabar com a paz no Atlântico Sul.

Finalmente, também, das apresentações de alto nível apresentadas, não podemos deixar de fazer as seguintes observações, entendidas como oportunas.

Não existe nenhuma dúvida sobre a necessidade do Brasil dominar a tecnologia de ponta: as guerras são vencidas por quem vende e não por quem compra armamentos.

Do mesmo modo, é consenso sobre a urgência e premência em reaparelhar as Forças Armadas brasileiras. O Brasil é país de Forças Armadas fortes e poderosas, o Brasil não é país de milícias.

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TECNOLOGIA NACIONAL

Em respeito à população brasileira – os contribuintes de direito e de fato, aqueles que suportarão todos os pesados investimentos no preparo dos profissionais da área de defesa (engenheiros, técnicos, mão-de-obra especializada, insumos etc.) e para reaparelhar as Forças Armadas (na importação de armamentos, enquanto estiver sendo desenvolvida a tecnologia de ponta necessária, há que se obedecer ao que manda o Direito: o princípio constitucional da publicidade, com o devido processo legal administrativo, sempre, muito às claras.

É de suma importância que a população brasileira sinta que está investindo na segurança do país no qual reside – e não, na segurança e desenvolvimento da indústria bélica fora do Brasil.

A população brasileira – consciente da necessidade do reaparelhamento das Forças Armadas – tem que se sentir segura de que não está entregando para os lobos a segurança das ovelhas. O entendimento é o de que é inaceitável que 40% das peças de blindados Guarani sejam fabricados no exterior; que uma empresa estrangeira tenha a propriedade da aeroeletrônica e que forneça os sistemas de aviônica para aviões Tucano e Super Tucano da Embraer; que a Hrlibrás, fabricante de helicópteros, seja 75% controlada fora do Brasil; que o novo jato de transporte militar KC-390 da Embraer, idem. E, finalmente, é muito estranho que se esteja pensando em ainda mais parcerias estratégicas (?).

Há que se investir sim e muito, na indústria bélica nacional, para a eficiente e eficaz segurança dos residentes no Brasil. E nem é questão de inteligência: é questão de sobrevivência dos que residem no Brasil e na América do Sul.

O Brasil, amigo e inclusivo, merece respeito. Idem, a América do Sul.

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