Temer acena com nova contribuição sindical e centrais esvaziaram a greve

São Paulo vazia devido a paralisação

Parte das agências bancárias de São Paulo aderiu

Fabiana Futema e Anaïs Fernandes
Veja

O presidente Michel Temer acenou com a criação de um novo mecanismo de financiamento para as centrais sindicais. Essa medida deve substituir a contribuição sindical, que será extinta na reforma trabalhista – texto ficará pronto para ser votado no plenário do Senado na semana que vem. Esse aceno pesou na decisão de importantes centrais sindicais, como Força Sindical e UGT, que desembarcaram da convocação de greve geral feita pela CUT e movimentos sociais, como frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular.

“O governo abriu negociação e muitos dos pontos criticados na reforma serão reformulados por medida provisória. A reforma da Previdência está praticamente enterrada”, disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.

FONTE DE CUSTEIO – Entre as medidas propostas, segundo ele, está um novo mecanismo de financiamento baseado na representatividade sindical. “É um modelo que privilegia a representatividade e não o sindicalismo arcaico.”

As centrais sindicais estão em desacordo sobre a mobilização desta sexta-feira desde a semana passada. Tanto que desistiram de chamar a mobilização de greve geral, passando a se referir ao evento como dia de greve e protestos.

“Os outros sindicatos nunca quiseram greve. Quem quer fazer revolução é a CUT”, afirma um dirigente sindical que pediu para não ser identificado.

DIVISÃO – Segundo Paulinho, os sindicatos do setor de transporte ligados à Força e UGT já tinham decidido há mais de uma semana que não iriam aderir à greve. “Mais um dia de greve iria penalizar o trabalhador, que é quem mais depende de transporte público.”

Alex Fernandes, coordenador geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, diz saber que algumas centrais começaram a negociar com o governo. “Tem, sim, discussão de algumas centrais sindicais que querem fazer acordo com o governo. Isso impediu que as categorias aderissem à greve.”

Apesar da greve ficar esvaziada em São Paulo, a CUT e movimentos sociais mantiveram o protesto marcado para as 16h em frente ao Masp, na avenida Paulista, centro da cidade. Levantamento realizado pela CUT indica greve em outros Estados, além de protestos em diversas capitais do país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO sindicalismo brasileiro, tirando as exceções, é claro, está se movendo em função do deus Dinheiro. E a chave do cofre está nas mãos de Temer. Apenas isso. (C.N.)

10 thoughts on “Temer acena com nova contribuição sindical e centrais esvaziaram a greve

    • Estávamos sentindo sua falta, professor Antonio Rocha.

      Você não leu a matéria da revista The Economist sobre o acerto das previsões de Marx sobre o capitalismo, na quinta-feira? Cadê seu comentário?

      Abs.

      CN

      • 1) Já postei comentário lá.

        2) Estava em “retiro” lendo/estudando/pesquisando o livro de Roberto Coffy
        “Theilhard de Chardin e o Socialismo”, uma raridade de 1967, publicada em Portugal.

        3) Sobre o pensamento desse teólogo jesuíta francês e o que ele chama de “socialização da sociedade”.

        4) Olha que Chardin (1881-1955) já falava no plural, em Socialismos…

        5) Abraços e brindes de bom fim de semana !

  1. Todo poder emana do mercado

    Eduardo Fagnani

    A sociedade é contra a permanência de Michel Temer na Presidência da República. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada no sábado 24 , 69% avaliam governo como ruim ou péssimo, e só 7% dos entrevistados consideram-no ótimo ou bom. A renúncia é defendida por 76% dos entrevistados; 81% são a favor da abertura de um processo de impeachment contra ele; e 83% preferem que o novo presidente seja eleito diretamente pela população. Na pesquisa, 47% dizem “sentir vergonha de ser brasileiros”.

    O presidente não tem legitimidade política. Ascendeu ao governo por um golpe parlamentar e jurídico, sem respaldo popular. Há “provas abundantes” de que está envolvido em corrupção passiva, obstrução de justiça e organização criminosa. Nove ministros estão implicados junto com assessores próximos já descartados, parlamentares da base aliada, quase uma centena de deputados e um terço dos senadores. A pesquisa revela que 65% dos brasileiros disseram “não confiar” na Presidência da República e no Congresso Nacional.

    Do site Carta Capital

  2. A conclusão é óbvia: um sindicalismo que depende de verbas oficiais para se sustentar (em vez da contribuição voluntária dos sindicalizados) é um sindicalismo pelego. Não tem condições de atender os interesses dos representados.

  3. Os sindikatos no Brasil são uma história macabra, espoliam o trabalhador mas não fazem nada por ele, estão alinhados aos patrões, no caso o governo. A luta deles é pelo dinheiro, além da contribuição sindical que os afiliados pagam ainda temos que pagar uma bizarrice de “Contribuição Sindical”! O problema é que muita boca faminta mamando nessas tetas quase secas!

  4. Após chegar à presidência, Lula ACABOU com o movimento sindical no Brasil. O que restou foi um aglomerado de quadrilhas que correm atrás do dinheiro dos trabalhadores e do dinheiro vindo de outras atividades escusas (imundas ou mesmo criminosas).

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