Temer esqueceu de dizer a Eduardo Cunha que ele não tem saída

Charge do Quinho, reprodução do site O Cafezinho

Pedro do Coutto

As repórteres Simone Iglesias, Catarina Alencastro e Letícia Fernandes, O Globo, edição de terça-feira publicaram reportagem destacando o encontro entre o presidente Michel Temer e o deputado Eduardo Cunha, na noite de domingo, no Jaburu, para tratarem, segundo Temer, do quadro político do país. Na verdade foi discutida a escolha de um novo presidente da Câmara Federal, já que a permanência no cargo de Waldir Maranhão tornou-se impossível. Eduardo Cunha deseja ser sucedido por algum deputado que integre sua corrente, que se encontra em processo de evaporação.

Michel Temer não deveria ter aceitado o encontro em sua residência oficial, já que Eduardo Cunha encontra-se afastado da mesa diretora e suspenso de seu mandato por decisões do STF. Mas já que aceitou, deveria ter comunicado ao interlocutor que sua situação é insustentável, o que revela não ter ele qualquer saída política possível.

CERCADO PELOS FATOS – Portanto, de nada adiantam suas manobras remetendo para a Comissão de Constituição e Justiça a resolução do Conselho de Ética que concluiu pela cassação de seu mandato. Está cercado fortemente pelos fatos e sobretudo pelas acusações que desabam sobre sua cabeça. Pois como é possível um deputado, afastado da presidência da Câmara por decisão do Supremo, e com seu mandato suspenso por prazo indeterminado, empenhar-se em permanecer no exercício de um mandato do qual foi afastado sem caminho de volta?

Se tivesse caminho de volta, a decisão da Corte Suprema não seria por tempo indeterminado, uma vez que a expressão conduz a uma sensação de perda definitiva. Mas esta é outra questão.

ERRO POLÍTICO – Sob o ângulo político, a aceitação do encontro por parte do presidente Michel Temer, na forma com que se realizou, foi um erro político dos maiores. Não levou em conta o reflexo negativo de tal visita e, muito menos a aceitação de que junto com o visitante da noite tratou-se de análise do quadro político do país.

Que análise pode Eduardo Cunha fazer, especialmente na condição de réu em dois processos movidos contra si pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, e aceitos pelo ministro Teori Zavascki, no Supremo Tribunal Federal?

Eduardo Cunha não se encontra em condições de fazer análise alguma do panorama político brasileiro, quando, na verdade encontra-se na véspera de ser afastado da esfera parlamentar, além da possibilidade de sofrer condenação criminal pela Corte Suprema. Foi um erro. Neste erro Michel Temer complicou-se. Talvez não ao ponto de deixar de se tornar o presidente efetivo até 2018. Mas as condicionantes para isso serão ampliadas porque ele se deixou vulnerar politicamente num domingo em Brasília.

5 thoughts on “Temer esqueceu de dizer a Eduardo Cunha que ele não tem saída

  1. Só mesmo neste país acontece destas coisas, fico estupefato com a reportagem da Folha de SP, Eduardo Cunha fala em acordo para renunciar a presidência da câmara, será que vão aceitar, então de que vale o tal CONSELHO DE ÉTICA, de que vale este CONGRESSO, fechem porque não serve para nada, este país é uma VERGONHA POLÍTICA, são acordos, conchavos, falcatruas, nepotismo, enriquecimento ilícito, para que servem tais políticos neste país, enquanto isto o povo vai sofrendo e pagando impostos para nada, todo serviço prestado é um assombro e vergonha, porque isto acontece só neste país.

    • Caro Roberto,
      Comungo de sua INDIGNAÇÃO, porque também é a minha.
      Todos os dias a mídia noticia malfeitos em todos os cantos dessa pobre nação,
      Sejam na União, sejam nos Estados, sejam nos Municípios, sejam no Distrito Federal, razão pela qual não há dinheiro para a prestação dos serviços públicos indispensáveis ao cidadão brasileiro, pois eles foram surrupiados por essa corja de malfeitores.
      Que DEMOCRACIA é essa em que o cidadão de bem tem que trabalhar em torno de 5 a 6 meses para sustentar o Estado considerado lato senso.
      Esse país está uma VERGONHA, está muito difícil suportar toda essa BANDALHEIRA.
      Foi noticiado um aumento de aproximadamente 42% para o poder judiciário, isso é um ABSURDO, considerando que o país está PARALISADO desde o ano de 2014, já tendo em torno de 11,5 milhões de DESEMPREGADOS, de modo que teríamos aproximadamente 46 milhões de brasileiros ao relento.
      É DESANIMADOR!

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