Temer não será investigado na Lava Jato e Sérgio Machado está livre, leve e solto

Resultado de imagem para sergio machado charges

Fotomontagem reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O noticiário político realmente necessita de tradução simultânea, porque as aparências sempre enganam. Quem leu a manchete de O Globo no sábado, por exemplo, ficou sabendo que “STF autoriza apuração inicial sobre Temer” na Lava Jato, com base em denúncia de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Na verdade, não houve nada disso. O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki, apenas determinou o fatiamento da delação premiada de Machado e seus três filhos.

CABE À PROCURADORIA – O STF não autorizou nenhuma apuração sobre o presidente Michel Temer, até porque nem poderia fazê-lo, porque cabe à Procuradoria-Geral da República analisar o material e decidir se pedirá abertura de inquérito para investigar os políticos citados, entre eles o presidente Michel Temer.

O fato concreto é que dificilmente o procurador-chefe Rodrigo Janot pedirá investigação sobre Temer, não somente por se tratar de suposto ilícito ocorrido antes de ocupar o mandato (uma alegação moralmente indecorosa, utilizada com êxito pelos advogados da estão presidente Dilma Rousseff), mas sobretudo porque a citação de Temer por Machado é imprecisa e sem maior consistência.

O QUE DISSE MACHADO – Para colocar ordem no raciocínio, vamos conferir a exata transcrição do depoimento de Sérgio Machado:

“Que, sobre a conversa gravada dia 10/3 com Sarney, o depoente esclarece que, quando disse “pro Michel eu dei, referiu-se ao Vice-Presidente Michel Temer; Que Michel Temer apoiava, na eleição municipal de 2012, salvo engano, o candidato a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita; Que Chalita não estava bem na campanha; Que o depoente foi acionado pelo Senador Valdir Raupp para obter propina na forma de doação oficial para Gabriel Chalita; Que posteriormente conversou com Michel Temer, na Base Aérea de Brasília, provavelmente no mês de setembro de 2012, sobre o assunto, havendo Michel Temer pedido recursos para a campanha de Gabriel Chalita; Que o depoente se identificou ao adentrar a base aérea; Que o automóvel utilizado fora alugado pela Transpetro junto à Localiza, não lembrando o depoente o modelo; Que o contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita; Que ambos acertaram o valor, que ficou em R$ 1,5 milhão; que a empresa que fez a doação no valor ajustado foi a Queiroz Galvão.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – O depoimento de Sérgio Machado deixou claro alguns fatos concretos e irrefutáveis:

1) O delator disse que o senador Valdir Raupp (então presidente do PMDB) pediu “doação oficial” de empresas ligadas à Transpetro, e não propinas para caixa dois, pois quando político fala em doação oficial, é claro que não está tratando de propinas;

2) Machado é que tomou a iniciativa de procurar Temer, que então “pediu recursos para a campanha de Chalita”;

3) Temer não falou em propinas, não existe isso na delação, pois Machado apenas declarou que “o contexto da conversa” é que indicava que se tratava de recursos ilícitos, destacando que seriam encaminhados “na forma de doação oficial para a campanha de Chalita”;

4)Contexto da conversa” não é prova aceitável em nenhum tribunal do mundo civilizado, e o procurador Janot tem obrigação de conhecer essa realidade jurídica. E quando se fala em doação oficial, isso significa caixa 1, na forma da lei, não há sequer crime eleitoral.

O GRANDE MALANDRO – Na verdade, Sérgio Machado é o maior espertalhão da Lava Jato. Sem ter foro privilegiado, arranjou uma forma de ser investigado pelo Supremo, para se livrar do juiz Sérgio Moro. Montou o esquema de gravação das conversas com os amigos Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Jáder Barbalho (que escapou, porque Machado quis gravá-lo numa sessão de quimioterapia e o médico impediu), e com isso conseguiu um generosíssimo acordo de delação que livrou os três de filhos de qualquer punição e preservou o enriquecimento ilícito da família.

Pai e filhos aceitaram devolver R$ 75 milhões em suaves prestações, enquanto o jornal britânico “The Guardian” revelava que Expedito Neto, um dos filhos de Machado, investiu em apenas quatro anos o equivalente a R$ 90 milhões em imóveis de altíssimo luxo na Inglaterra.  Detalhe: este rapaz nunca trabalhou na vida e teria ficado rico assim por osmose.

SEM TORNOZELEIRA – Livre do juiz Sergio Moro e confiante na impunidade propiciada pela lerdeza do Supremo, Machado está tão tranquilo que quebrou ao acordo de delação, dispensou a tornozeleira e não vai nem cumprir a prisão domiciliar. Prefere ser julgado pelo STF no dia de “São Nunca”, vejam a que ponto de esculhambação chegamos.

A preservação da riqueza ilícita da família Machado, sem o sequestro dos bens, representa uma afronta aos brasileiros que vivem de seu trabalho e lutam para sustentar suas famílias. Trata-se de um fato inconteste, que depõe contra a Justiça brasileira, desmoralizando-a por completo. Apenas isso.

10 thoughts on “Temer não será investigado na Lava Jato e Sérgio Machado está livre, leve e solto

  1. Newton, assino em baixo, o STF continua stf, é o escudo dos ladrões do cofre, é conivente com, o roubo do cofre, será que Dª Carmen Lúcia, vai fazer andar (correr) os processos de foro privilegiado, pelo crime de roubo, que infelicita 200 milões, ou vai continuar à passos de cagado!?. justiça que só abate ladrão de galinha, não é JUSTIÇA, creio em uma Justiça que faz Justiça, à Divina, em razão de nossas obras, quando a porta do Tribunal se abrir: à Porta do Túmulo, como dizia Sócrates, “o que tens deixarás, o que és levarás” para a devida prestação de contas.
    Que Deus nos ajude, protegendo e iluminando o Juíz Moro e equipe, e aqueles que seguem seu exemplo de Amor à Verdade e a Srª Justiça.

    • Tudo ficará como d’antes. Em Brasília existe um grande caldeirão corporativista difícil de dissolver. Todas as grandes, médias e pequenas figuras dos três “puderes” que ali campeiam se consideram os donos do pedaço e, em geral, uns tapam os buracos dos outros, viabilizando o que mais parece uma coordenada “ação entre amigos”; o resto que se dane. Esperar dos atuais detentores do poder qualquer melhoria, nem pensar. O melhor está vindo de fora: viva Curitiba.

  2. Um peso e duas medidas (ou três). Da mulher de Cunha não se pede a prisão, da mulher do molusco, sim, pois ela é “cúmplice” e se beneficiou. Temer, não, não se beneficiou de nada, é uma vestal. Aos poucos, ele publicará suas impressões aqui no blog, para satisfação quase geral.

    • “Esse termo conjugado com as conversas gravadas
      mantidas com o colaborador nos dias 23 e 24 de fevereiro e 10 e
      11 de março com os Senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e com o ex-Presidente José Sarney, mostra com nitidez que está
      em execução um plano, com aspectos táticos e estratégicos, para, no plano judicial, articular atuação com viés político junto ao Supremo Tribunal Federal em aspecto específico da
      Operação Lava Jato e, no plano legislativo retirar do sistema da justiça criminal os instrumentos que estão na base do êxito do complexo investigatório. Os efeitos desse estratagema estão programados para serem implementados com a assunção da
      Presidência da República pelo Vice-Presidente Michel Temer e deverão ser sentidos em breve, caso o Pode Judiciário não intervenha”.

      por: 062.535.866-02
      5/06/2016 – 14:09:1
      (Delação Machado – Volume 2 – fls 111 )

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *