Tempo na TV: projeto amplia vantagem para Dilma

Pedro do Coutto

Reportagem de Ranier Bragon e Paulo Gomes, Folha de São Paulo de sábado 27, revela uma nova face do projeto que restringe ao máximo a criação de novos partidos nas eleições de 2014: amplia em 26% do tempo para a presidente Dilma Rousseff no espaço da propaganda eleitoral. Isso porque, pela lei atual, uma parte do tempo se divide de acordo com o peso das bancadas partidárias na Câmara Federal e outra fração em partes iguais pelas legendas. Pelo projeto aprovado pela Câmara, mas cuja tramitação foi sustada por liminar do ministro Gilmar Mendes, o espaço dividido em partes iguais passa a ser distribuído também de acordo com a composição numérica das bancadas.

Assim, amplia-se consideravelmente a vantagem da coligação PT-PMDB, legendas que têm maior número de deputados e apoiam a candidatura Dilma Rousseff à reeleição. Bragon e Gama lembram que o PSD também integra a aliança. Nas eleições de 2010, a atual presidente teve o apoio do PT, do PMDB e do PSB. Entrou o PSD de Gilberto Kassab, saiu o PSB de Eduardo Campos, que vai tentar voo ao Planalto. Mas encontra dificuldade dentro do próprio partido colocada por Ciro e Cid Gomes. Mas esta é outra questão.

O fato essencial é que, de transformado em lei, o projeto bloqueia a candidatura da ex-senadora Marina Silva e, além disso, assegura a Dilma a presença em 15 minutos e 17 segundos nos horários de propaganda gratuita. Fácil verificar a vantagem: ela terá 15 minutos num total de 25. Sessenta e um por cento. Ficando todos os demais, juntos, com a parcela de 39 pontos. Além disso, há as inserções: a candidata do PT terá direito a 330 ao longo da campanha. Pela lei em vigor, o acesso seria de 263. Vinte e seis por cento a mais, como revelou a reportagem da Folha de São Paulo. Quanto ao tempo corrido, pela lei atual tem direito a 12 minutos. Aprovado o projeto, passa a ter 15.

A mudança atinge também as eleições para os governos estaduais. As alianças, entretanto, não são as mesmas. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde o PT e o PMDB são adversários na campanha pela sucessão do governador Sérgio Cabral, a ampliação do tempo de propaganda eleitoral no espaço gratuito será dividida entre Lidberg Farias, candidato do PT, e Luiz Fernando Pezão, candidato do PMDB. Ambos apoiam Dilma Rousseff, mas o primeiro tem o respaldo do ex-presidente Lula, o segundo o do governador Sérgio Cabral.

A base de Dilma Rousseff, como se constata, é das mais sólidas. Além de todo casuísmo para bloquear a candidatura da ex-senadora Marina Silva, conta ainda com a participação de Luis Inácio Lula da Silva que, no pleito de 2012, deu uma demonstração cabal de força ao eleger Fernando Haddad prefeito da cidade de São Paulo. Contra José Serra, que também procura viabilizar o surgimento de novo partido que lhe desse legenda para disputar o Planalto pela terceira vez.

Mas o ressurgimento de Serra não preocupa o governo e o PT. Marina Silva, sim. Não se sabe porque. O governo e o PT querem decidir a sucessão no primeiro turno. Se o tempo na televisão for ampliado e o surgimento de novas legendas restringido, este desfecho, na perspectiva de hoje, passa de possível a provável.

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One thought on “Tempo na TV: projeto amplia vantagem para Dilma

  1. Como é bom ler o experiente a arguto Sr. Pedro do Coutto. Mas o fato do Governo PT-Base Aliada tentar fazer Projetos no Congresso Nacional, ampliando seu tempo de TV e restringindo novas “Redes”, Movimentos, Uniões, etc, (Partido Político agora é politicamente incorreto), a meu ver mostra sinal de fraqueza. O que vai decidir mesmo é a temperatura do motor do carro Econômico (Inflação), e a pressão do Óleo ( Desemprego, que se atingir 2 dígitos, será fatal). Como alguém, aquí nos Comentários já frisou, muita importância também terá o resultado desse importante Torneio de Futebol (Copa do Mundo FIFA 2014/Jul). O tempo de TV ajuda muito, mas se a Economia não estiver em bom estado, se perdermos a Copa do Mundo, etc, Kaput. Abrs.

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