Teorias conspiratórias são cada vez mais comuns e vão além do movimento bolsonarista

Charge O Tempo 18/08 | O TEMPO

Charge do Duke (O Tempo)

Pablo Ortellado
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro tinha prometido apresentar provas de que as urnas eletrônicas foram fraudadas nas eleições de 2014 e 2018. Na sua transmissão o que apresentou, porém, foram teorias conspiratórias que circulam há muito tempo na internet. O TSE foi ágil e publicou contestações a todas elas. Mas será que essas alegações sem fundamento podem ser aceitas por parte do eleitorado? Infelizmente a resposta é sim.

A eficácia da máquina de propaganda bolsonarista se deve a três motivos. O primeiro é que trabalha para desmontar a confiança nas instituições. Como a Justiça Eleitoral e o jornalismo estariam tomados pelo inimigo, suas posições são consideradas enviesadas e sem credibilidade, abrindo espaço para explicações alternativas.

INIMIGOS OCULTOS – O segundo trunfo do bolsonarismo é apelar para teorias conspiratórias, a crença de que processos complexos são explicados por uma orquestração oculta de elites poderosas, quando explicações mais plausíveis são oferecidas por autoridades epistemológicas como o jornalismo ou as ciências sociais. A ideação conspiratória tem adesão significativa na população e vai além do campo bolsonarista.

Finalmente, a máquina bolsonarista explora o viés de confirmação, a disposição psicológica que faz com que tendamos a aceitar acriticamente afirmações que confirmam nossas crenças e a rejeitar afirmações que as contestem. Esse viés é tanto maior quanto mais arraigadas forem as convicções. Assim, em um ambiente polarizado, alegações especulativas e implausíveis são aceitas por quem já aderiu à visão de mundo bolsonarista.

 

One thought on “Teorias conspiratórias são cada vez mais comuns e vão além do movimento bolsonarista

  1. Sim. Primeiro a mídia, o judiciário e o legislativo se empenharam por anos afirmando que Lula era o maior ladrão do mundo. Que o PT almejava o comunismo. E muitas outras mentiras. A população acreditou no Roberto Jefferson, no Eduardo Cunha e outros.
    Aí foi dado o golpe de 2016.
    Finalmente estamos livres dos “traidores”.
    Como sempre, os golpes são aproveitados pelos mais radicais, e venceu Bolsonaro.
    Agora feito o estrago, grande parte da mídia, do judiciário e do legislativo constataram seu erro. Mas parte da população ainda continua com a primeira versão e não aceita que foi enganada.

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