Terceirizar é preciso, honestidade não é preciso – este é o lema da corrupção que ninguém consegue derrubar.

Carlos Newton

Tão nociva quando a  contratação de ONgs, a terceirização de bens e serviços tornou-se- uma espécie de praga que tomou conta da administração pública brasileira, em todos os níveis (federal, estadual e municipal) e em todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário).

É uma maneira muito prática de se praticar corrupção, com impunidade praticamente garantida. Quando se descobre alguma irregularidade, o autor do crime perde a função, mas não perde a liberdade, seus bens nao são bloqueados, fica tudo por isso mesmo.

E o movimento não cessa. Depois de uma reportagem do Correio Braziliense mostrando que a firma escolhida na primeira etapa da concorrência para terceirizar a gestão dos veículos oficiais dos 81 parlamentares pertencia a um servidor do Senado, a Mesa desclassificou a empresa e adiou a assinatura do contrato.

Portanto, nem mesmo concluiu a primeira — e fraudada — licitação, mas o Senado já lançou concorrência para transferir a responsabilidade sobre a frota da polícia da Casa à iniciativa privada.

A Comissão Permanente de Licitação abriu edital estipulando preço de R$ 576 mil anuais — valor que não inclui gastos com motoristas ou combustível — para alugar oito veículos à Polícia Legislativa do Senado. Esses carros substituirão os que atualmente fazem a segurança do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e de outros parlamentares que compõem a Mesa Diretora.

O texto da concorrência especifica que o contrato envolverá o aluguel de cinco veículos tipo sedan e de três caminhonetes. Cada um deles custará ao Senado R$ 6 mil reais por mês. Com o montante de R$ 576 mil previsto na licitação, seria possível comprar pelo menos seis dos oito veículos descritos no edital.

O primeiro-secretário da Casa, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), alega que o valor é uma projeção acima dos preços de mercado para dificultar a formação de cartéis na concorrência, e que a renovação da frota da Polícia Legislativa do Senado é apenas uma parte da reforma no sistema de gestão de veículos. “Estamos fazendo a licitação para fechar a frota toda. Acho que o preço pode baixar. Nós usamos a estratégia de botar para cima para não dar dica aos concorrentes”, justifica.

Lucena adianta que os próximos itens terceirizados serão as vans que transportam os servidores da Casa da Chapelaria do Congresso à Rodoviária do Plano Piloto. No caso desses automóveis, o Senado deve optar pelo aluguel dos veículos com motoristas. “Aquelas vans que transportam as pessoas, também vamos terceirizar. Algumas serão contratadas com motorista e outras, sem. Vamos aproveitar os que já estão lá e que seriam demitidos com a reforma”, diz o primeiro-secretário. Além dos 81 carros oficiais exclusivos dos parlamentares, a frota do Senado é composta por 138 veículos de serviço, vejam só que exagero.

A primeira licitação para escolher a empresa de aluguel de carros não foi concluída por problemas nas companhias vencedoras do certame, o que não representa nenhuma novidade na administração pública brasileira.

Diante de um quadro como esse, é triste lembrar um comentário de Ofelia Alvarenga, postado no sábado. “Estou a cada dia menos crédula em relação a tudo e a todos. Pasmei geral. Me faz lembrar daquele personagem do Jô, todo entubado, que, diante das má notícias, dizia: Tira o tubo, tira o tubo“, desabafou Ofelia, transmitindo a sensação que todas as pessoas de bem parecem estar sentindo.

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