Times com mais de uma cara

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Tostão (O Tempo)

O futebol pode ser visto e analisado de várias maneiras, como um jogo de habilidade, inventividade, técnica, estratégia, acasos, capacidade física, emocional, e de variados comportamentos humanos. Sentimentos de medo, ambição, orgulho, alegria, tristeza, generosidade e tantos outros estão presentes. As equipes costumam ser contraditórias, intuitivas e científicas, surpreendentes e planejadas, reprimidas e audaciosas.

Tento ver um jogo com vários olhares. Muitas vezes, não consigo. Eles não se entendem. Um olhar se acha mais importante do que o outro. São todos relevantes.

Um profissional do futebol e de qualquer área não pode ser tão arrogante, utópico e incrédulo, para desprezar a enorme importância da ciência esportiva e da estatística, nem tão pragmático e operatório, para ignorar a grande importância das experiências individuais, das particularidades, do subjetivo e do que não pode ser medido. No futebol, há milhares de verdades, dogmas, frases feitas e chavões que não correspondem à realidade.

Ouço muito que um time tem a cara do treinador. Precisa ter a cara também dos jogadores. O Bayern, dirigido por Guardiola, amante das curtas trocas de passes e da infiltração de alguém para receber a bola livre e dentro da área, tem jogado como no ano passado, quando era dirigido pelo alemão Jupp Heynckes. O Bayern trocava também muitos passes, como hoje, porém, com mais velocidade, além de fazer muitos gols em jogadas aéreas.

ARMAS OFENSIVAS

Isso não significa que o Bayern atual despreze os conhecimentos e as orientações de Guardiola. O time usa de várias armas ofensivas. Se quisesse jogar como o Barcelona, o Bayern teria de contratar um Messi, um Xavi. Os grandes times têm a cara dos técnicos e, principalmente, a cara de seus principais jogadores.

O Cruzeiro, como o Bayern, respeitando as grandes diferenças técnicas, também faz muitos gols pelo chão, trocando passes, e pelo alto, em bolas cruzadas.

O Barcelona, com Neymar, terá também mais de uma cara. Já deu sinais de que vai usar mais os dribles e as jogadas em velocidade, nos contra-ataques.

Na final da Copa das Confederações, contra a Espanha, o Brasil parecia o Bayern do ano passado, que goleou e eliminou o Barcelona, base da seleção espanhola. Será que o Brasil vai repetir essa grande atuação no Mundial, já que devem estar presentes os mesmos favoráveis fatores extracampo?

Contra a fraquíssima Austrália, foi mais uma ótima atuação do Brasil. Os gols e a maioria das chances criadas nasceram na recuperação da bola, com frequência, no campo do adversário. É a marcação por pressão, a grande arma estratégica do time. As excelentes atuações de Jô, Bernard, Ramires e Maicon reforçam minha opinião de que o Brasil só tem três titulares que fazem muita falta, Neymar, Thiago Silva e Marcelo.

VISÕES DIFERENTES

Antes da partida do Atlético, contra o Fluminense, um repórter de TV perguntou a um torcedor atleticano se ele gostava do Luan de volante. Pela expressão e entonação do repórter, ele esperava uma resposta muito positiva. O torcedor disse que não entendia como um jogador que corre muito, com a cabeça baixa, podia jogar no meio-campo. Torcedor não é apenas apaixonado. Um grande número entende de futebol.

Por outro lado, compreendi quando Cuca, no fim do jogo, com o time perdendo, colocou Leonardo Silva de centroavante. Ele não fez gol, mas cavou uma falta, erradamente marcada e que resultou no gol. Há tempos, defendo a tese, com ironia e seriedade, de que, se colocar de centroavante um zagueiro grandalhão, alto e forte, ele também vai fazer muitos gols.

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