Tiririca italiano diz que não apoia nenhum partido

O líder do Movimento 5 Estrelas (M5S) italiano, o comediante Beppe Grillo, insistiu neste sábado que não apoiará a posse de nenhum governo formado por outras coalizões e que só está disposto a prestar uma colaboração pontual ao próximo Executivo.

Um “Tiririca” à italiana

Grillo, que lidera o partido mais votado para a Câmara do Parlamento italiano nas últimas eleições gerais e que é a terceira maior força parlamentar do país, explicou através de seu blog o conteúdo de sua entrevista publicada neste sábado pela revista alemã “Focus”.

Na entrevista, Grillo se mostrava aberto à possibilidade de um governo do progressista Partido Democrata (PD) de Pier Luigi Bersani e do conservador Povo da Liberdade (PdL) de Silvio Berlusconi, se este tiver como prioridades reformar a lei eleitoral e reduzir os custos públicos da classe política.

“Repito pela última vez, o M5S não apoiará a posse de nenhum governo (muito menos um governo do PD e do PdL), mas votará lei a lei, de acordo com seu programa”, afirma Grillo em um acréscimo, divulgado hoje, à última entrada de seu blog, datada de ontem.

IMPASSE

As declarações do político e humorista, que costumam chegar através de entrevistas à imprensa estrangeira ou por meio de seu perfil no Twitter e em seu blog, continuam estampando capas de jornais na Itália desde o recente pleito, que transformou o M5S em elemento necessário para a posse no Senado de um governo de Bersani, pois este não quer pactuar com Berlusconi.

Nos últimos dias, o Movimento 5 Estrelas fechou qualquer porta a um pacto com a centro-esquerda que permita a governabilidade de Bersani e desafiou tanto o PD como o PdL a permitir a formação de um governo liderado pelo M5S se estiverem dispostos de verdade a se sacrificar pelo país.

Na entrevista publicada hoje pela “Focus”, Grillo citava três pontos como os fundamentais que, segundo sua opinião, o próximo governo italiano tem que cumprir: a reforma da lei eleitoral, a abolição do reembolso com dinheiro público das despesas das campanhas dos partidos, e o limite dos parlamentares a dois mandatos.

“Se o PD de Bersani e o PdL de Berlusconi propusessem uma mudança imediata da lei eleitoral, a abolição dos reembolsos dos custos da campanha eleitoral e ao máximo dois mandatos para cada deputado, nós apoiaríamos naturalmente um governo deste tipo. Mas eles não farão isso nunca”, afirmou o comediante.

Nessa entrevista, Grillo afirma que se a situação continuar como está, a Itália não poderá pagar dentro de seis meses as aposentadorias ou os salários dos funcionários públicos e terá que deixar de adotar o euro como moeda, por isso propõe uma renegociação da dívida pública italiana, que ontem se soube que fechou 2012 em 127% do PIB.

(transcrito da agência EFE)

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