Toda a beleza do mundo, para enfeitar a noite do meu bem

Dolores Duran tinha um talento extraordinário

A cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa, conhecida como Dolores Duran (1930-1959), foi uma das maiores representantes do samba-canção. “A Noite do Meu Bem”, é o maior sucesso de Dolores Duran, em cuja letra, composta em estrofes de três versos, há um eu-lírico esperando ansiosamente o seu amor, para uma noite romântica, bela e apaixonada, com sentimentos puros expostos, até que no fim, cansada de esperar, a personagem se mostra desesperançada e amargurada. A música foi composta e lançada, em 1959, por Dolores Duran, pela gravadora Copacabana.

A NOITE DO MEU BEM
Dolores Duran

Hoje, eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Ai eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem

Ai! como esse bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a pureza que quero lhe dar
                    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

4 thoughts on “Toda a beleza do mundo, para enfeitar a noite do meu bem

  1. 1) Belíssima canção, eu ouvia na antiga Rádio Nacional, criança eu gostava de Dolores Duran.

    2) Pensamento do dia: “A Literatura é o melhor olhar possível para a compreensão da condição humana” = Tzevetan Todorov, filósofo búlgaro, nasceu em 1939.

    3) Vejo/leio a poesia/música acima como excelente forma Literária.

    4) Licença: em 12 de julho de 1836, em Itaparica, BA, o escritor Franklin Dória, Barão de Loreto, foi um dos fundadores da ABL – Academia Brasileira de Letras.

    5) Fonte: BN, Agenda, 1993.

  2. Que diferença dessa Obra de Arte em forma de Poesia e Música de uma das mais geniais Cantoras e Artistas Plenas deste Brasil em relação ao que somos obrigados a ouvir nos Rádios e Televisão Brasileiros. Dolores era uma Estrela caminhando pelas ruas do Brasil, o Amor em forma de Menina/Mulher que amou intensamente e o coração a levou para os braços de Deus muito cedo ! Com a permissão de Paulo Peres e Carlos Newton, publico um Texto tirado do Dicionário Cravo Albin da MPB, com uma Crônica de Despedida do Grande Amigo de Dolores Duran, companheiro de suas noites de “solidão coletiva” nos Bares do Rio Janeiro, o saudoso Pernambucano Antonio Maria …..

    Vi-a, pela primeira vez, no Vogue: Cantava escondidinha, fora de luz, atrás do saxofonista. Quase não se lhe via o rosto. Faz muito tempo.Mais tarde, fizemo-nos amigos. Com Ismael Neto, andávamos constantemente juntos. Estava presente, quando fizemos algumas cançõs, “Canção da volta”, por exemplo, de que foi a primeira intérprete. Hoje em dia, lembrava-se de canções, minhas e de Ismael, das quais não me lembro. Só ela se lembrava. Prometia sempre um encontro (ummaestro presente), para escrevermos essas músicas, que Ismael não teve tempo de escrever. Uma delas chama-se “Dez noites”. Essas músicas não serão conhecidas nunca mais. Poucas vezes passou pela música popular uma mulher de tanta sensibilidade. Seu coração era um coração repleto de amor. Nunca a vi que não dissesse estar apaixonada. Não dizia por quem . Vi-a, pela última vez na madrugada da última quinta-feira, no Kilt Bar. Fazia contracanto com um disco de canção francesa. Todos a ouviam, em silêncio. Depois, levantou-se, atravessou o bar e foi sentar-se sozinha, a uma mesa escanteada. Atirou-me um amendoim, para que eu a olhasse, e gritou de lá; “Estou tão apaixonada, e quero ficar aqui quietinha. Posso?”. Procuro você, agora, para guardar os traços de seu rosto. Você, palidamente, você. O aroma da morte, entre as flores. Realizo no sono do seu rosto toda a humanidade, num só momento difuso e longínquo. Roda-me a cabeça pelo álcool que bebi à notícia de sua partida. Já não sei onde estão as palavras.” Crônica de Antônio Maria publicada no dia seguinte à morte de Dolores Duran.

  3. Com a permissão de Carlos Newton e Paulo Peres rendo minhas Homenagens a uma das maiores Cantoras e Compositoras deste Brasil, a Genial DOLORES DURAN. Tirado do Dicionário Cravo Albin da MPB o texto de uma Crônica de Despedida de seu grande amigo/irmão das solidões coletivas dos bares do Rio de Janeiro o saudoso Pernambucano ANTONIO MARIA……

    Vi-a, pela primeira vez, no Vogue: Cantava escondidinha, fora de luz, atrás do saxofonista. Quase não se lhe via o rosto. Faz muito tempo.Mais tarde, fizemo-nos amigos. Com Ismael Neto, andávamos constantemente juntos. Estava presente, quando fizemos algumas canções, “Canção da volta”, por exemplo, de que foi a primeira intérprete. Hoje em dia, lembrava-se de canções, minhas e de Ismael, das quais não me lembro. Só ela se lembrava. Prometia sempre um encontro (um maestro presente), para escrevermos essas músicas, que Ismael não teve tempo de escrever. Uma delas chama-se “Dez noites”. Essas músicas não serão conhecidas nunca mais. Poucas vezes passou pela música popular uma mulher de tanta sensibilidade. Seu coração era um coração repleto de amor. Nunca a vi que não dissesse estar apaixonada. Não dizia por quem . Vi-a, pela última vez na madrugada da última quinta-feira, no Kilt Bar. Fazia contracanto com um disco de canção francesa. Todos a ouviam, em silêncio. Depois, levantou-se, atravessou o bar e foi sentar-se sozinha, a uma mesa escanteada. Atirou-me um amendoim, para que eu a olhasse, e gritou de lá; “Estou tão apaixonada, e quero ficar aqui quietinha. Posso ?”. Procuro você, agora, para guardar os traços de seu rosto. Você, palidamente, você. O aroma da morte, entre as flores. Realizo no sono do seu rosto toda a humanidade, num só momento difuso e longínquo. Roda-me a cabeça pelo álcool que bebi à notícia de sua partida. Já não sei onde estão as palavras.” Crônica de Antônio Maria publicada no dia seguinte à morte de Dolores Duran.

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