Toffoli dá 24 horas para STJ apresentar informações ao STF sobre o processo que afastou Wilson Witzel

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Dias Toffoli pode anular o afastamento de Wilson Witzel

Paulo Roberto Netto
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, abriu prazo de 24 horas para o Superior Tribunal de Justiça enviar à Corte informações sobre o processo que levou ao afastamento do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), na última sexta-feira, dia 28. Após o envio das informações, Toffoli determinou que a Procuradoria-Geral da República apresente um parecer sobre o caso em até 24 horas.

A defesa de Witzel recorreu ao Supremo nesta segunda-feira, dia 31, para contestar a decisão monocrática do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, que o afastou do cargo por 180 dias para ‘fazer cessar as supostas atividades de corrupção e lavagem de dinheiro’ denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). A Procuradoria chegou a pedir a prisão do mandatário, negada por Gonçalves.

LOTEAMENTO DE CARGOS – Witzel é acusado de integrar esquema de propinas pagas por organizações sociais da área da Saúde a agentes públicos do Rio. As vantagens indevidas seriam lavadas no escritório de advocacia da primeira-dama, Helena. Segundo os investigadores do MPF, cargos e contratos teriam sido loteados entre três grupos distintos, liderados pelo empresário Mário Peixoto, preso pela Lava Jato, pelo presidente do PSC Pastor Everaldo, preso temporariamente na última sexta, e pelo empresário José Carlos de Melo.

As investigações miravam Witzel desde maio, quando foi deflagrada a Operação Placebo, que vasculhou o Palácio Laranjeiras – residência do governador – e o Palácio Guanabara. A delação do ex-secretário de saúde, Edmar Santos, aprofundou as apurações e as levaram diretamente ao ex-juiz. A subprocuradora-geral Lindôra Araújo apontou que o esquema criminoso de contratação de organizações sociais da Saúde pretendia angariar quase R$ 400 milhões em propinas durante todo o mandato de Witzel.

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA – A estimativa leva em consideração suposto objetivo do grupo em cobrar propina de 5% de todos os contratos para gestão de unidades de Saúde. Witzel nega irregularidades e afirma que os investigadores agem com ‘presunção de responsabilização’. Na sexta-feira, o governador acusou Lindôra Araújo de perseguição política e proximidade com a família Bolsonaro, seus antigos cabos eleitorais e agora adversários políticos.

“Eu quero desafiar o Ministério Público Federal, na pessoa da doutora Lindôra – porque a questão agora é pessoal –, que me acusou de chefe da organização criminosa. Quero que ela apresente um único e-mail, um único telefonema, uma prova testemunhal, um pedaço de papel, que eu tenha pedido qualquer tipo de vantagem ilícita”, disse Witzel. O Estado do Rio é atualmente governado pelo vice, Claudio Castro, que também é investigado por irregularidades em contratos.

5 thoughts on “Toffoli dá 24 horas para STJ apresentar informações ao STF sobre o processo que afastou Wilson Witzel

  1. Bolsonaro, e o que estiver atrelado à Familícia, têm êxito garantido no STJ. Como Jair Messias não tem poder de mudar a cabeça dos membros do STF, ele vai converter os integrantes do STJ em STF. Basta mover um passo acima: desse modo, até fica aquela justa impressão de que o juiz apenas subiu um degrau, como ocorre com os funcionários de carreira, no serviço publico!

  2. Confesso: eu roubei aquilo tudo. Aliás, contratei empresas – sem licitação, claro, pois o STF e o Congresso me bancaram – para montarem hospitais de campanha para não receberem paciente algum e depois os mandei desmontar. Podem me prender.

  3. Compreender a diferença entre a técnica jurídica e a realidade não passa de um operário, que pode até manejar bem os instrumentos que lhe são dados, mas nunca entenderá as razões daquilo que envolve sua atividade.
    Toffoli quer reconduzir Witzel o mais rápido possível a seu posto. Nada me surpreende vindo dessa Corte.

  4. Uma teoria doida…mas quem sabe?
    Bolsonaro queria mesmo ser governador do Rio, ali a campanha era tranquila e barata, a milícia garantia e, ganhando teria muitos negócios e vida mansa com MP, TJRJ, ALERG e PF estadual controlados.
    Mas quando começou a agitar percebeu o vácuo na campanha eleitoral, estava faltando um demagogo para canalizar o anti-petismo a nível nacional e lá foi Ele.
    Só quando se elegeu,é que sentiu que tinha deixado a retaguarda da “famiglia” desguarnecida e, aí, começou seu problema, cuidar das coberturas no RJ ou desgovernar o país? Ainda bem que ele se dedicou às manobras criminosas de aliciamento de autoridades estratégicas e deixo o país ao léu, em direção do abismo, mas pelo seu próprio peso, sem empurrões.

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